sábado, 9 de junho de 2007

Destruição verde

A questão ambiental sempre foi de extrema importância. Ao longo dos séculos, com o progresso das técnicas, a humanidade assistiu a incontáveis revoluções científicas, culturais e comportamentais. Porém, é sabido que o avanço da civilização não se dá sem que haja algum retrocesso. Historicamente, sempre haverá um lado prejudicado ou descontente.

Atualmente torna-se imprescindível a discussão dos aspectos ambientais. Em todo o planeta a biosfera dá sinais de esgotamento. Séculos de exploração dos recursos naturais – principalmente para alimentar a máquina capitalista – mostram agora seus resultados. É necessária uma articulação global, como tentou ser o Protocolo de Kyoto, para fazer com que os países tomem consciência de seu papel para a manutenção, ou a salvação, da vida na Terra.

Por falar em papel, é pertinente levantar a discussão em torno das plantações de eucaliptos realizadas no Rio Grande do Sul. Com o intuito de extrair celulose (substância encontrada em grande quantidade nessas árvores) para fabricar papel, a monocultura de eucaliptos traz progresso e desenvolvimento imediatos à região sul do Estado, mas também destrói o solo, seca os rios e pode danificar permanentemente o bioma do pampa.

Gigantes do setor como a Aracruz Celulose e a finlandesa Stora Enso almejam expandir suas lavouras e, para isso, se valem de discursos apelativos ao capital. A expectativa de progresso em uma região pobre do Estado conquista população e governos que, ávidos por investimentos imediatistas, abrem os braços para receber as indústrias da morte. O que as empresas não contam é que o cultivo de eucaliptos, apesar de ser realizado há mais de trinta anos no Estado, não é prática nativa do Brasil. São árvores exóticas que, se cultivadas em larga escala, aumentam a acidez do solo e podem causar sérios problemas a sangas, rios ou lagos que estiverem próximos à plantação.

Uma reportagem de Marco Aurélio Weissheimer publicada pela Agência Carta Maior (6/12/2006) informa que, somente no Rio Grande do Sul, Aracruz, Votorantim e Stora Enso já compraram, juntas, mais de 200 mil hectares de terra, a maioria adquiridos de médios proprietários gaúchos. E as projeções são ainda mais alarmantes. Cerca de 3% do território gaúcho pode se tornar lavoura de eucalipto.

Urge aos governos amadurecer a consciência ambiental para que leis mais rígidas sejam criadas e cumpridas. A pobreza de uma região não deve ser usada como argumento legitimador de práticas danosas à vida global. A metade sul precisa sim de investimentos, mas ações impensadas que visam somente o lucro instantâneo não são a solução. O desenvolvimento de políticas de longo prazo é uma alternativa. Mas isso é tema para outro artigo...

3 comentários:

Giana Hahn disse...

Muito bom o texto, Samir! Estou gostando de ver..pessoal escrevendo textos muito bons, estruturados, com vocabulário rico, mas sem ser rebuscado, forçado demais..e, melhor ainda, apoiando a bandeira contra a destruição das nossas fauna e flora, que visa lucro imediato em detrimento da vida..esta acho que pode ser a definição mais realista.. o governo e as indústrias papeleiras estão abrindo mão da vida para abocanhar o lucro..
Fico feliz que a nossa geração está se mostrando consciente diante disto e tomando a posição mais sensata, a de proteger nosso Estado e, por consequência, o planeta...
Beijos, colega
Parabéns pelo texto

Wagner disse...

Mazá.
FAço minhas as palavras da Gi, até pq tenho pouco tempo para usar a net.
abração

Carolina Tavaniello disse...

Por que será que nossos blogs estão iguais?? Culpa do Vitor Necchi né HAHA
Sobre o texto..
achei bom tudo que tu escreveu, até porque concordo com tudo, mas acho que faltou um pouco de opinião mesmo. Só no último parágrafo é que tu colocou tua opinião explícita, deixando que a informação predominasse em todos os outros.
Mas é isso. A cadeira do Vitor é a melhor do semestre disparada.
Beijos
Continua postando q eu leio sempre hein!