sábado, 4 de outubro de 2008

Politiqueta

No terreno lamacento da política, tudo é possível. Deputados escolhem o valor dos próprios salários, trabalham três dias por semana e trocam de partido como quem troca de roupa. Nesse caso, a roupa simboliza não a ideologia, mas as intenções do parlamentar. O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, por exemplo, manifesta sua maneira não-convencional de agir e pensar através dos excêntricos coletes que o tornam alvo até de manchetes na mídia. Mas isso não é parâmetro. Hoje em dia, até a vacinação de César Cielo contra rubéola rende foto colorida em jornal.

Em Porto Alegre não é diferente. Os candidatos tentam passar credibilidade através da roupa que usam. Luciana Genro, do PSOL, resolveu tirar a imagem de revolucionária feia e rabugenta para contabilizar mais votos. Não funcionou. Pelo menos não para ir ao segundo turno. Houve um impacto inicial, mas logo depois os cachos e o tom da candidata voltaram a encrespar.

Maria do Rosário, do PT, fez diferente. Continuou com as mesmas blusas e blazers em tons vermelho e rosa, mas tirou o sorriso do rosto. A petista vivia sorrindo. Falava sorrindo, criticava sorrindo. Soube até de um caso em que ela roubou a vaga de uma pessoa no estacionamento de um teatro e saiu, adivinhem, sorrindo! É uma inclinação quase monalística para a arte de sorrir.. Nos últimos dias, a candidata resolveu dar uma de séria para variar e deixar os sorrisos para o caso de ir ao segundo turno. Talvez seja a preocupação com a adversária Manuela D’Ávila.

Aliás, não tem como falar de estética das eleições sem falar da candidata do PC do B. Manuela, que já foi obesa na adolescência, traiu Lênin e Marx e adotou o roxo como cor oficial da campanha. A candidata encheu o armário de blusas roxas e esvaziou a campanha de qualquer coerência ideológica que o PC do B possa ainda ter. Mas todo mundo que já pegou num lápis de cor de duas pontas sabe: do lado do roxo, vem sempre o rosa. E a pretensa comunista ainda vai ter que dar muitas mãos de tinta roxa para apagar os tons rosados da sua coligação.

Já Vera Guasso, do PSTU, encarna o vermelho e estampa a foice e o martelo no peito. Por convicção, mantém o estereótipo de que mulher, para ser revolucionária, tem que ser malvestida e despreocupada de coisas fúteis como maquiagem.

E os homens? Esses não merecem comentário. A não ser pelo ministro Carlos Minc, todos se vestem igual. O estilo terno-e-gravata predomina no palanque masculino e banaliza qualquer análise sobre moda na disputa eleitoral. Até o Mano Changes teve que entrar nessa. As mulheres é que enfeitam a corrida pela prefeitura de Porto Alegre e transformam penteados e tecidos em poderosas armas para seduzir o eleitor com suas propostas.

5 comentários:

Luana Duarte Fuentefria disse...

ai, que inveja dessas tuas sacadas geniais.

"dar muitas mãos de tinta roxa para apagar os tons rosados da sua coligação". (!!!)

não tenho talento pra um comentário à altura. só posso dizer que agora fiquei mais aliviada de não precisar votar nessas eleições...

maria lucia disse...

Samir!!!!
Isso não se faz num dia como hoje! Vou voltar pra Argentina!!!!!!
Lá a coisa é muito pior,tem tanto manifesto que ninguem nem nota mais!
Mas...lá gente fica achando o Brasil maravilhoso!Apesar da política, aqui as pessoas são sorridentes!!!
Adorei o teu texto! Bj

Tati disse...

Samir, dei boas risadas com o teu texto!

ai, que inveja dessas tuas sacadas geniais. [2]

Tati disse...

Vocês b[i]logueiros sabem me dizer porque raios isso nunca publica meu nome com letra maíuscula no início?

Samir Oliveira disse...

ah, querida tati, sei apenas copiar meu texto e colar no editor. o resto o blog faz! ehehe.. ele deve ter alguma coisa contra maiúsculas =P