<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-6486327806807057494</id><updated>2011-10-13T17:40:15.520-07:00</updated><title type='text'>Sobre jornalismo...</title><subtitle type='html'>...e o que mais vier.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://sobrejornal.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6486327806807057494/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrejornal.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Samir Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16946838284598605046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>54</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6486327806807057494.post-4362634502349692233</id><published>2009-10-25T12:37:00.000-07:00</published><updated>2009-10-25T13:13:40.960-07:00</updated><title type='text'>O fazedor de chaveiros</title><content type='html'>Não tenho mais saco para ficar passeando em um shopping center. A atividade, que representava o suprassumo da diversão quando eu era criança e saía da pequena cidade de 40 mil habitantes para ir à Capital, agora se revela o mais modorrento dos passatempos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o resto da minha família adora. Passear por passear. Olhar as vitrines. Nada pode ser mais torturante, mais seviciador, mais masoquista do que olhar as vitrines. Mas bem, esse início é apenas para ambientar que, em uma tarde preguiçosa num estimado shopping center, enquanto esperava duas mulheres desbravarem as maravilhas da Renner, eu conheci ele, o senhor que fazia chaveiros. Fazia, não. Faz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me deliciando com o final de um livro delirante e psicologicamente enlouquecedor, eis que se aprochega ele ao meu lado, em um dos limpos bancos de madeira do local. Abre uma maleta preta, quadrada, e dela retira molhos e molhos de chaveiros, todos feitos de arame e com o mesmo formato oval. Depois, puxa um pedaço de papel, olha para os lados e enfim me pergunta. "Tem uma caneta?". "Claro", respondi, alcançando a suas mãos envelhecidas o objeto desejado. Volto ao alucinante livro, ao final da trama, ao orgasmo mental de conhecer o encaminhamento das personagens e àquela sensação de putaquepariu, que merda que acabou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Tu estuda?", pergunta, sem parecer incomodado em me incomodar. Ao que respondo com uma afirmativa seca, indicando que nada me interessa mais do que descobrir se enfim Ródion Románovitch iria se entregar, se Pulkéria Alieksándrovna iria descobrir o horrível segredo do filho e se Svidrigáilov continuaria bolinando uma miserável camponesa de 16 anos - tudo isso na Rússia czarista do século XIX.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"E qual é o teu nome?". "Samir". "Hein? Samil?". "Não senhor, Samir, com R de rato no final.". Imediatamente após descobrir meu nome, puxou da maleta um fio de arame e dois alicates. De uma maneira inexplicável para um senhor de 101 anos (idade que me assegurara ter), comecou a tecer no arame as letras S A M... E assim prosseguiu, com uma precisão cirúrgica. Só nesse momento é que fechei o livro e voltei para a Porto Alegre do século XXI. E notei o quão elegante era ele. Calça social preta e blazer bege, com gravata azul escura e camisa azul clara. Ok, combinar cores talvez não seja a sua especialidade, mas o fato de ter 101 anos, cabelos lisos brancos brotando aos tufos e coordenação motora de um pivete que foge da mãe ao fazer coisa errada, me fez não querer ver outra coisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os que passavam eram capturados para a dantesca cena. Os vendedores das lojas ao redor cochichavam e apontavam. Uma mulher parou no banco ao lado para assistir. Em menos de dez minutos estava pronto. De um fio de arame feio e abstrato, seu Francisco Casela extraiu sentido e fez arte. Os dedos entortados pelo ofício e a mão de veias roxas pulsantes se mostraram mais capazes do que meu ignorante preconceito poderia crer. Imediatamente, me estendeu o chaveiro, complementando: "Toma, fiz pra ti. Tu merece, estava aí estudando e foi gentil comigo". Embasbacado, não consegui esboçar uma reação direta. Quando fez menção de sair, me levantei e lhe agradeci tao efusivamente quanto a peculiaridade da situação permitia. E foi assim que conheci o artesão de 101 anos que, munido de alicates, transforma arame em felicidade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6486327806807057494-4362634502349692233?l=sobrejornal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrejornal.blogspot.com/feeds/4362634502349692233/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6486327806807057494&amp;postID=4362634502349692233&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6486327806807057494/posts/default/4362634502349692233'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6486327806807057494/posts/default/4362634502349692233'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrejornal.blogspot.com/2009/10/o-fazedor-de-chaveiros.html' title='O fazedor de chaveiros'/><author><name>Samir Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16946838284598605046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6486327806807057494.post-5758660764966157430</id><published>2009-06-18T12:24:00.000-07:00</published><updated>2009-06-18T12:27:09.836-07:00</updated><title type='text'>A cultura da inércia</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify; font-family: trebuchet ms;"&gt;Jornalistas e estudantes de jornalismo de todo o país sentiram o peso do desinteresse no dia 17/06, data em que o Supremo Tribunal Federal ceifou da legislação a obrigatoriedade de diploma para o exercício da profissão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nós, jornalistas e estudantes, enquanto categoria, somos extremamente desmobilizados. Nos apegamos aos fatos, aos acontecimentos do bairro e do planeta. Opinamos sobre qualquer assunto que dominamos minimamente. Imergimos com intensidade nas histórias que escrevemos.  O mesmo não ocorre com as próprias causas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A consequência natural é o sucateamento das nossas representações. Sem associados, os sindicatos não têm como manter uma estrutura satisfatória, um aparelhamento capaz de cobrir as necessidades mínimas da categoria. Sem condições financeiras, não podem, por exemplo, sequer lotar caravanas para realizar protestos em Brasília – como teria sido extremamente oportuno, no caso da votação do STF.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comparo a inércia dos jornalistas e dos acadêmicos da área com a organização da classe médica, por exemplo, que é ferrenhamente mobilizada. Há pouco tempo o governo esboçou uma tentativa de mudar a nomenclatura da titulação médica. Um fato aparentemente simples e que, não fosse a articulação da categoria, teria passado em branco. Bastou isso para que mais de dois mil estudantes de medicina lotassem as ruas de Porto Alegre no ano passado para exigir que, em seus diplomas, constasse o título de “Médico” e não de “Bacharel em Medicina”, como pretendia o Ministério da Educação. A revolta dos jalecos, associada a uma série de medidas, inclusive legais, fez com que o MEC recuasse e garantiu que, até hoje, os universitários tenham o título de médico estampado em seus canudos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A maior seqüela da nossa desmobilização é a facilidade com que nos arrancam direitos e garantias. Outras categorias talvez tivessem feito uma grande articulação e mobilização nas suas bases e, com isso, conseguido reverter a imposição da não-obrigatoriedade de um diploma superior. Será que os jornalistas e estudantes não possuem essa consciência coletiva? Nossa causa é menor? Somos mais alienados? São perguntas perturbadoras e que a realidade se encarregará de responder. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6486327806807057494-5758660764966157430?l=sobrejornal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrejornal.blogspot.com/feeds/5758660764966157430/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6486327806807057494&amp;postID=5758660764966157430&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6486327806807057494/posts/default/5758660764966157430'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6486327806807057494/posts/default/5758660764966157430'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrejornal.blogspot.com/2009/06/cultura-da-inercia.html' title='A cultura da inércia'/><author><name>Samir Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16946838284598605046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6486327806807057494.post-5139293251008465554</id><published>2008-11-09T06:34:00.000-08:00</published><updated>2008-11-09T06:37:06.048-08:00</updated><title type='text'>A segunda vez dói menos</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'trebuchet ms'; "&gt;Alguns momentos da vida já estão preparados. Há um certo entrelaçamento de idéias, fatos, sentidos que dão forma ao exato instante do agora. Do agora enquanto escrevo este texto, do agora enquanto você lê. E não estou propagando misticismo descabido. Depois de ser assaltado pela segunda vez, o elo misterioso de que falei descortina-se com mais leveza.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'trebuchet ms';"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A gente tinha que estar ali. Não havia conjuntura possível que nos fizesse não estar ali, aguardando pelos assaltantes, como se recebêssemos ordens expressas para tanto. Se tivéssemos ficado mais dois minutos na festa, se tivéssemos feito outro trajeto, se tivéssemos aguçado os ouvidos. Se. Se. Se.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas é exatamente disso que estou falando. Dessa maquinação subliminar para que as coisas aconteçam. Desse mandamento cruel que faz com que percamos o controle aparente sobre nosso livre-arbítrio. Indo mais adiante na teoria e avançando na sabedoria popular: era para ter acontecido. Não há outra explicação para a surpreendente abordagem dos dois elementos, da qual nem o relógio que me orienta no espaço há 9 anos escapou ileso. Na qual meus bolsos foram violados por mãos sediciosas e a impotência tomou conta da vontade. De sair correndo. De dar uma de Jeniffer Lopez para Nunca Mais passar por isso. DE ter superpoderes. De viver em um mundo melhor. (perdão pelo clichê, mas o estado.emocional bloqueia algumas regras textuais).&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O certo é que, indo por outro dito, a segunda vez dói bem menos. Tirando o nervosismo de estar lidando com um ser humano fora de controle, que entoa um coro repleto de ameaças e, talvez, não hesitasse em concretizá-las, a situação estava sob controle. Era um contrato simples e já conhecido por milhões de brasileiros: fica quieto, entrega e sai. O curioso foi a movimentação de gangues (?) ao redor e a ameaça de um tiroteio (??). Foi tudo muito rápido, mas logo os meus assaltantes (que meigo, já até uso pronomes possessivos) começaram a berrar contra três caras que vinham do outro lado. Esses, por sua vez, ameaçaram “furar” eles e eu e meu amigo no meio disso tudo. Um momento muito Acerola-e-Laranjinha-na-Cidade-de-Deus. Tudo isso sob o sol incipiente das SETE DA MANHÃ. Arrisco dizer, ainda, que uma platéia complacente de pessoas que estavam na para de ônibus assistia a tudo com apatia.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não chorei depois. Não me desesperei e não procurei culpados desta vez. E esse texto fica assim mesmo, sem final, porque tenho que ir agora comprar um celular.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6486327806807057494-5139293251008465554?l=sobrejornal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrejornal.blogspot.com/feeds/5139293251008465554/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6486327806807057494&amp;postID=5139293251008465554&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6486327806807057494/posts/default/5139293251008465554'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6486327806807057494/posts/default/5139293251008465554'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrejornal.blogspot.com/2008/11/segunda-vez-di-menos.html' title='A segunda vez dói menos'/><author><name>Samir Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16946838284598605046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6486327806807057494.post-8261027301058142859</id><published>2008-11-05T11:15:00.000-08:00</published><updated>2008-11-05T11:21:42.456-08:00</updated><title type='text'>Tietagem e alfinetadas na palestra. Ou de quando descobri que posso ser um criminoso.</title><content type='html'>&lt;?xml:namespace prefix = o /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify;font-family:trebuchet ms;" &gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;O que mais me marcou na palestra do Caco Barcellos foi que o brasileiro, contrariando minhas teorias, não perdeu a capacidade de protestar. De ser tenaz, arguto, provocador e alfinetante. Tudo bem que o público era composto de estudantes universitários, dos quais grande parte faz jornalismo. Mas, ainda assim, a pergunta afastou a apatia e deu um ar de rebuliço ao ambiente.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;- Gostaria de saber se todos os números revelados sobre as mortes por violência no Brasil são superiores às mortes causadas pelo cigarro todos os anos.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;Óquei, não foi exatamente assim, não gravei a frase, apenas a idéia. A pergunta seria idiota e sem nexo, a não ser pelo fato de estar ecoando num evento organizado pela, cof-cof, Souza Cruz.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Caco Barcellos, o maior souvenir do jornalismo contemporâneo, ficou vermelho, titubeou e alegou desconhecer os dados referentes aos prejuízos do tabaco. Apesar de não descartar a realização de uma reportagem sobre o assunto (!), o jornalista disse que aquele não era o foco da palestra. Sua cara de “putz-parem-com-isso-a-souza-cruz-tá-me-pagando-para-estar-aqui” dispensava quaisquer justificativas.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;Rapidamente, a representante da empresa pegou o microfone e desempenhou (muito bem, diga-se de passagem) o papel de advogada do Diabo. Como boa relações-públicas, &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;a moça foi polida, calma e convicta, mas, na verdade, tudo o que ela disse poderia ser resumido numa frase “Fuma quem quer. Burros são vocês que se matam e ainda fazem a gente lucrar com isso”.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;Tirando o divertido contratempo, a conversa foi bem descontraída e construtiva. Mais formativa do que informativa. A tese do souvenir é, no mínimo, instigante: o Estado é a maior máquina de matar da sociedade. A polícia, através, principalmente, de unidades especiais como BOPE e ROTA, aniquila mais pessoas do que os traficantes e os assaltantes. E o mais perturbador de tudo isso: nós somos coniventes e co-autores dessa teia perversa. Durante a palestra, fomos o tempo inteiro, enquanto público de classe média universitário, culpados. Caco não se eximiu, não foi hipócrita. Também reconheceu seu papel nessa história, e, sobretudo, acusou. Construiu frases como “vocês, que não são criminosos habituais (...)”. Porra, o cara me chama de criminoso e eu fico sentado só ouvindo? Sim. Porque talvez seja verdade mesmo. Repeti a noite inteira o mantra: “O que me isenta disso tudo?”, “O que me isenta disso tudo?”, “O que me isenta disso tudo?”. E, afinal, o que, de fato, faz com que eu tire o meu da reta? E o seu?&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;*Ao final, todos ganharam uma mochila reciclada. Realmente bacana. E o melhor, de graça. Eu peguei a minha, claro. Agora ando pra lá e pra cá com MINHA hipocrisia estampada nas costas.&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;**Caco Barcellos, como bom bonequinho de vitrine, colocou-se à disposição para fotos no final do papo. Ah, essas tietes! :D &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6486327806807057494-8261027301058142859?l=sobrejornal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrejornal.blogspot.com/feeds/8261027301058142859/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6486327806807057494&amp;postID=8261027301058142859&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6486327806807057494/posts/default/8261027301058142859'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6486327806807057494/posts/default/8261027301058142859'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrejornal.blogspot.com/2008/11/tietagem-e-alfinetadas-na-palestra-ou.html' title='Tietagem e alfinetadas na palestra. Ou de quando descobri que posso ser um criminoso.'/><author><name>Samir Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16946838284598605046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6486327806807057494.post-3879823322737916471</id><published>2008-10-20T13:28:00.000-07:00</published><updated>2008-10-20T13:30:27.921-07:00</updated><title type='text'>O bailão visto por dentro</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Exaltação. Suor. Animação. Essas três palavras compõem o mini-universo em que pode ser enquadrada certa derivação de casa noturna. Não uma boate tradicional, com dançarinas sedutoras rebolando em pequenas gaiolas suspensas. Tampouco um salão empolado, onde damas da alta sociedade desfilam vestidos longos e narizes empinados. Os três vocábulos acima se traduzem em apenas uma palavra: bailão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A fachada é simples e informal, porém, informativa. A pintura gasta alerta, em tons de vermelho e azul, que o imenso casarão branco localizado na Avenida João Pessoa abriga a Cervejaria Rodeio e terá, na quinta-feira, 9/10, show com a banda Musical JM. “O pessoal da JM cobra R$ 15 mil por duas horas de apresentação”, dimensiona Moisés de Assis, proprietário do clube. Com ares de obviedade típicos de quem já domina o assunto, esclarece: “Bandas grandes só tocam por duas horas”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com 53 anos, jornalista formado e apresentador de um programa matutino na Rádio Farroupilha, Assis acumula o trabalho de radialista com a gerência de uma “casa popular”, como ele mesmo prefere definir seu empreendimento. “Bailão é um termo muito pejorativo”, justifica. Sentado em uma saleta discreta dentro do grande galpão que é a Cervejaria Rodeio, Moisés ostenta algumas prerrogativas de dono. Um sofazinho amarelo de dois lugares, uma televisão de 12 polegadas e uma mesa de escritório com porta-canetas e papéis espalhados são os pequenos luxos que o grande salão cimentado esconde. O pequeno Bunker de Moisés. Onde a vasta gama musical que ecoa através das dez caixas de som do ambiente não chega com tanta intensidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A casa existe há 28 anos e está há oito sob as rédeas do radialista. Já se chamou Ático, Status Clube, Capitão Sete e Clube Rodeio. A mudança para o nome atual é “uma tática de venda para atingir um público mais jovem”, esclarece Assis. Por público, entenda-se pessoas de todas as idades. Moisés prefere não restringir e estima uma margem de freqüentadores entre 16 e 60 anos. A mesma distância não prevalece quando dimensiona a esfera social de quem procura diversão no chão batido da cervejaria. ““Quem vem aqui é a classe trabalhadora, é o motorista de ônibus, a diarista, a aposentada, a garçonete, o eletricista”, conclui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;“O gosto popular é muito acentuado”&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Se apertar ela dá... dá, dá, dá. Se insistir ela dá... dá, dá, dá. Com jeitinho ela dá... dá, dá, dá.” A letra libidinosa e o ritmo dançante embalam os quadris de Rose pelo salão retangular rodeado por 14 camarotes e pequenas mesas redondas. O desconhecido que a acompanha é apenas um acessório para seu divertimento. “Venho aqui só para dançar”, confessa a pensionista, admitindo que “quando os homens tentam alguma coisa, eu dou o fora”. Mãe de duas adolescentes, a moradora do bairro Cristal reúne os amigos e se desloca religiosamente para o santuário da folia barata. “Aqui é que nem Igreja, tem que vir todo domingo”, confirma Rose, enquanto olha para a pista a procura do próximo objeto dançante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Você nunca me amou, só me quer naquela hora”, esbravejam as dez caixas de som negras camufladas na penumbra do ambiente. Em seguida, outra voz entoa: “Ela não me ama. Ela só quer coisar”. O ritmo e as letras parecem não incomodar Adam Santos. Aos 19 anos, o jovem eletricista não se abala com a sonoplastia: “Meus pais escutam esse tipo de música, então já estou acostumado”. Porém, é visível a percepção de que o morador de Estrela não faz parte do folclore local. Calçando tênis All Star preto e vestindo calça jeans e camiseta justas ao corpo, o rapaz desconversa. “Gosto mesmo é de rock!”. A franja corta o rosto na diagonal e denuncia suas preferências musicais destoantes. “Escuto geralmente Fresno, NX Zero e Simple Plan”, revela. A opção pela Cervejaria Rodeio para passar a noite de domingo não se fundamenta nas melodias: “Estou em Porto Alegre a trabalho e um amigo me convidou para vir pra cá”, ressalva, concluindo que espera “conhecer gente nova”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Indiferente ou apaixonado, o público sente na música o perfil da casa. Detentor da programação e senhor absoluto das caixas de som, Moisés de Assis reconhece a importância da sonoridade para a movimentação do estabelecimento. “Eu sou um arquivo musical, quem dita as músicas aqui sou eu”, impõe o corpulento gerente. Mas acrescenta: “A música é péssima, é só dor de cotovelo”. Apesar de gerenciar uma casa popular, Moisés não compartilha as mesmas predileções dos seus clientes. “Gosto de Queen, Beatles, Lulu Santos”, contrapõe. Para ele, “o pessoal que consome o tipo de música do bailão é mais alienado”. O proprietário, que fatura em média R$ 150 mil por mês com a Cervejaria Rodeio, resume o apetite sonoro do público: “O gosto popular é muito acentuado”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;“A inspiração vem de nós mesmos”&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O imponente palco da Cervejaria Rodeio é destinado às mais diversas bandas do segmento popular. Encravado no fundo do salão, de frente para a vasta pista de dança e de costas para as três cabines do banheiro masculino, o local transforma-se no foco da atenção do público quando o grupo Musical JM desponta atrás das cortinas de TNT cinza. Os sete integrantes do conjunto hipnotizam a platéia, que delira com a voz do vocalista Clayton Borges, de 38 anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com mais de 16 CDs gravados, a banda realiza apresentações em vários estados do país e até internacionalmente. “Acabamos de voltar do Paraguai”, acentua o baterista Denis Casper. As fãs se espremem na frente do palco e esticam os braços na tentativa de acariciar seus ídolos. Juliana Ferraz obtém sucesso. A jovem de 19 anos ignora a cantoria e agarra Clayton pelo pescoço, levando-o para a lateral do palco. Não satisfeita, segundos depois investe contra o outro vocalista, para então descer e se juntar à massa embevecida pelas melodias do grupo. O gaiteiro Adilson Souza explica o segredo da composição das músicas de sucesso: “A inspiração vem de nós mesmos”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas para tocar no palco da Cervejaria Rodeio é preciso, antes, passar pelo crivo de Josi Nascimento. A empresária das bandas trabalha há três anos no clube e se orgulha da carreira que construiu. “Hoje eu tenho mais de 60 grupos na minha agenda”, gaba-se Josi. E a experiência já lhe ensinou os macetes da profissão. “San Marino é a banda que mais lota, tanto é que eu consigo apenas dois ou três shows deles por ano”, explica. O cartaz na parede anuncia a próxima atração: “Banda Matizes - os bad boys do tchê music.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;“É barato sem ser depreciativo”&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem paga os cinco reais cobrados para entrar na Cervejaria Rodeio não desconfia que as cifras necessárias para a manutenção do estabelecimento possam chegar a R$ 50 mil por mês. “Só a conta de luz é em torno de R$ 3 mil”, salienta o proprietário Moisés de Assis. Com água, o gasto cai para R$ 2 mil. Mas a maior despesa vem do aluguel do salão, que ceifa dezoito mil reais do lucro mensal de R$ 150 mil que a população proporciona a Moisés.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A casa emprega 28 trabalhadores fixos, com salário em torno de R$ 960,00. Moisés ressalta que, informalmente, o local gera emprego para garagens, para atendentes do posto de gasolina vizinho ao prédio e para seguranças na rua. “É só fechar a casa e a região está morta”, explica o empresário. A família também participa dos negócios. “Tenho três irmãs que trabalham comigo”, afirma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com capacidade para 1.500 pessoas, a média de consumo de bebida do clube é de 180 caixas de cerveja por noite, relativo a uma garrafa por pessoa. A quantidade cai no inverno, quando o movimento despenca. Moisés explica porque a estação quente atiça os freqüentadores: “O público da Cervejaria Rodeio não viaja no verão. São como cobras, é só esquentar e saem para a rua”. Para tornar suportável o calor, o salão conta com 17 ventiladores de teto estrategicamente posicionados nos arredores da pista de dança. Como um criador que valoriza sua obra, Moisés sintetiza o resultado da equação gastos elevados x custos baixos: “O bailão é barato sem ser depreciativo”. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6486327806807057494-3879823322737916471?l=sobrejornal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrejornal.blogspot.com/feeds/3879823322737916471/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6486327806807057494&amp;postID=3879823322737916471&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6486327806807057494/posts/default/3879823322737916471'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6486327806807057494/posts/default/3879823322737916471'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrejornal.blogspot.com/2008/10/o-bailo-visto-por-dentro.html' title='O bailão visto por dentro'/><author><name>Samir Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16946838284598605046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6486327806807057494.post-8152998653929350762</id><published>2008-10-14T09:15:00.000-07:00</published><updated>2008-10-15T12:25:15.147-07:00</updated><title type='text'>Mas bah, tchê</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;strong&gt;Dois fatos movimentaram meus neurônios nesta manhã – coisa rara, após uma noite de pouco sono e muito café.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Primeiro: a ex-companheira do ex-governador Leonel Brizola abocanha o Estado e envergonha a História com o pedido – já acatado pela (in)justiça brasileira – de condição de anistiado para o dito cujo. Calma, brizolistas de plantão! O ícone pedetista foi, inegavelmente, exilado pelo regime militar de 1964 e teve os direitos políticos cassados. Até aí, óquei. O que a viúva sacana não deveria ter feito é intercedido pelo falecido em uma questão que nem o próprio, quando vivo, concordava. Brizola, em atitude de nobreza ou marketing político, se recusava a usufruir das benesses ($$$) da Lei da Anistia. Ao que parece, Marília Guilhermina Martins Pinheiro discorda. Não bastasse a já pomposa pensão de R$ 13,7 mil que ganha do governo do Rio Grande do Sul e os R$ 6,3 mil que o governo do Rio de Janeiro lhe paga mensalmente, Marília, graças às perseguições políticas sofridas por Brizola, vai ter revisada – vulgo “aumentada” - a pensão (sim, mais uma) de R$ 2 mil que a Câmara de Deputados gentilmente lhe concede. Detalhe: as duas primeiras mesadas são apenas por ser mulher de ex-governador. Que governou dois estados, ainda! Sortuda ela, não? Inclusive estou pensando em galantear a governadora Yeda Cruzes para, findado o mandato, ganhar uma bagatela mensal às custas do dinheiro público.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Segundo fato tensionador de neurônios&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apartentemente, o Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG) não tem mais o que fazer. Cansados do marasmo de apresentações em rodeios, invernadas, passinho-pra-lá-e-passinho-pra-cá, a gauderiada tradicionalista resolveu entrar em guerra com os gays. Não com todos os gays – pelo menos não abertamente -, mas com aqueles que usam bombacha e dançam nos CTGs. Os guardiões da cultura gaúcha se sentem incomodados com a presença de gestos suaves e passos leves nos corpos dos peões, chegando a afirmar, inclusive, que eles competem em feminilidade com as prendas. Quanto moralismo! Quanto preconceito! Quanto alarde para pouca merda! Sugiro, inclusive, que os peões homossexuais se unam e formem o GTG. Gays Tradicionalistas Gaúchos. Mas isso não se concretizaria. Grande parcela desses guascas, embora de gestos e trejeitos afeminados, nunca iria expor suas bombachas coloridas em praça pública. Além do mais, os GTGs só incentivariam o apharteid sexual, embora preservassem a liberdade individual que os tradicionalistas condenam. Na verdade isso tudo é uma grande baboseira do pessoal do MTG. Baboseira não. Frescura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;*Para ler o artigo que critica a presença homossexual nos CTGs, clique &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;a href="http://www.coxixogaucho.com.br/Default.php?PG=23"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;aqui&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&gt; Algumas pérolas do caudilho ressentido&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;p.s: favor desconsiderar os erros de português&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;"O avanço do homossexualismo no mundo atinge todas as camadas sociais e todas as culturas, é um avanço assustador!" &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"Homem acasala com mulher e mulher acasala com homem! Da mesma maneira que cavalo cobre égua e não cavalo, e égua não cobre égua. Égua é coberta pelo cavalo! Isto sim, é natural!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Vejo em muitas invernadas gestos de peões que, na verdade disputam com a prenda doçura e meiguice, a tal ponto que, a grosso modo, vê-se duas prendas dançando. Uma travestida de homem!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Espera-se que instrutores e patrões fiquem atentos para auxiliarem estes peões, para que os gestos não fiquem femininos demais e com isto prejudiquem o desenvolvimento das nossa Danças Tradicionais. Afinal, nas danças gaúchas, feminina só as prendas!"&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6486327806807057494-8152998653929350762?l=sobrejornal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrejornal.blogspot.com/feeds/8152998653929350762/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6486327806807057494&amp;postID=8152998653929350762&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6486327806807057494/posts/default/8152998653929350762'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6486327806807057494/posts/default/8152998653929350762'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrejornal.blogspot.com/2008/10/mas-bah-tch.html' title='Mas bah, tchê'/><author><name>Samir Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16946838284598605046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6486327806807057494.post-2727918441747523450</id><published>2008-10-04T13:10:00.000-07:00</published><updated>2008-10-04T13:11:41.214-07:00</updated><title type='text'>Politiqueta</title><content type='html'>No terreno lamacento da política, tudo é possível. Deputados escolhem o valor dos próprios salários, trabalham três dias por semana e trocam de partido como quem troca de roupa. Nesse caso, a roupa simboliza não a ideologia, mas as intenções do parlamentar. O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, por exemplo, manifesta sua maneira não-convencional de agir e pensar através dos excêntricos coletes que o tornam alvo até de manchetes na mídia. Mas isso não é parâmetro. Hoje em dia, até a vacinação de César Cielo contra rubéola rende foto colorida em jornal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Porto Alegre não é diferente. Os candidatos tentam passar credibilidade através da roupa que usam. Luciana Genro, do PSOL, resolveu tirar a imagem de revolucionária feia e rabugenta para contabilizar mais votos. Não funcionou. Pelo menos não para ir ao segundo turno. Houve um impacto inicial, mas logo depois os cachos e o tom da candidata voltaram a encrespar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maria do Rosário, do PT, fez diferente. Continuou com as mesmas blusas e blazers em tons vermelho e rosa, mas tirou o sorriso do rosto. A petista vivia sorrindo. Falava sorrindo, criticava sorrindo. Soube até de um caso em que ela roubou a vaga de uma pessoa no estacionamento de um teatro e saiu, adivinhem, sorrindo! É uma inclinação quase monalística para a arte de sorrir.. Nos últimos dias, a candidata resolveu dar uma de séria para variar e deixar os sorrisos para o caso de ir ao segundo turno. Talvez seja a preocupação com a adversária Manuela D’Ávila.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aliás, não tem como falar de estética das eleições sem falar da candidata do PC do B. Manuela, que já foi obesa na adolescência, traiu Lênin e Marx e adotou o roxo como cor oficial da campanha. A candidata encheu o armário de blusas roxas e esvaziou a campanha de qualquer coerência ideológica que o PC do B possa ainda ter. Mas todo mundo que já pegou num lápis de cor de duas pontas sabe: do lado do roxo, vem sempre o rosa. E a pretensa comunista ainda vai ter que dar muitas mãos de tinta roxa para apagar os tons rosados da sua coligação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já Vera Guasso, do PSTU, encarna o vermelho e estampa a foice e o martelo no peito. Por convicção, mantém o estereótipo de que mulher, para ser revolucionária, tem que ser malvestida e despreocupada de coisas fúteis como maquiagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E os homens? Esses não merecem comentário. A não ser pelo ministro Carlos Minc, todos se vestem igual. O estilo terno-e-gravata predomina no palanque masculino e banaliza qualquer análise sobre moda na disputa eleitoral. Até o Mano Changes teve que entrar nessa. As mulheres é que enfeitam a corrida pela prefeitura de Porto Alegre e transformam penteados e tecidos em poderosas armas para seduzir o eleitor com suas propostas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6486327806807057494-2727918441747523450?l=sobrejornal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrejornal.blogspot.com/feeds/2727918441747523450/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6486327806807057494&amp;postID=2727918441747523450&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6486327806807057494/posts/default/2727918441747523450'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6486327806807057494/posts/default/2727918441747523450'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrejornal.blogspot.com/2008/10/politiqueta.html' title='Politiqueta'/><author><name>Samir Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16946838284598605046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6486327806807057494.post-4389583341218596922</id><published>2008-06-23T06:57:00.000-07:00</published><updated>2008-06-23T06:58:50.595-07:00</updated><title type='text'>Reducionismos</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Dentre todos os clichês e lugares-comuns que é possível ouvir atualmente, nenhum me irrita mais do que a afirmação de que “hoje em dia os valores não são mais respeitados”. Essa expressão está presente em todos os espaços cotidianos. Das conversas de ônibus aos textos acadêmicos. Ela permeia o imaginário brasileiro de que, em épocas passadas, havia um certo nível moral mais elevado. Nada poderia ser mais estúpido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu gostaria de perguntar aos propagadores desse infeliz aforismo: Quando os tais valores foram respeitados? Aliás, a noção de valor, por si só, é arbitrária e extremamente subjetiva. Mas, enfim, admitindo-se que exista um conjunto de doutrinas morais e éticas que supostamente regem uma sociedade, quando eles foram respeitados em escala infinitamente maior? No Brasil-colônia, quando houve um genocídio das culturas nativas, a total exploração das riquezas nacionais e os governadores-gerais cometiam toda sorte de extravagâncias? No Brasil imperial, com a discriminação aos negros recém “libertados” por uma lei que sequer lhes assegurava um mínimo de dignidade? Nas primeiras décadas do século XX, quando a intensa urbanização sofrida pelas metrópoles brasileiras, especialmente o Rio de Janeiro, enxotou os pobres para os morros e tentou transformar, pelo garrote, a Capital da República numa espécie de Paris tupiniquim? Nos anos 1950, época em que Juscelino desestimulou a indústria nacional, arregaçou o país às multinacionais e os brasileiros deram vivas aos enlatados norte-americanos? Não vou nem comentar o período 1960-1980. Décadas em que “lei” e “ordem” tinham significados muito mais obscuros e cruéis. Passamos, então, aos anos 1990. Me pergunto quais valores podem ser extraídos da privatização de uma nação, de homéricos índices inflacionários e de um governo tão podre que consegue se auto-reeleger.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Portando, queridos interlocutores da perda de valores, dêem uma olhadinha para trás antes de saírem por aí escrevendo, gritando, cuspindo que “hoje em dia, os valores não são mais respeitados”. Não vivemos tempos felizes, com certeza. Mas o que é a noção de felicidade, senão a busca não-palpável por uma perfeição que não podemos alcançar? Quem tem autoridade para dizer que o jovem de hoje é pior que o jovem de 40 anos atrás? Os que apregoam a deterioração dos costumes são, na verdade, mentes extremamente conservadoras sem perspectiva histórica. Fazem crer que vivemos em uma era devassa porque eles mesmos não têm coragem de olhar para o próprio umbigo e verem o quanto são responsáveis pela merda em que pisam.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6486327806807057494-4389583341218596922?l=sobrejornal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrejornal.blogspot.com/feeds/4389583341218596922/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6486327806807057494&amp;postID=4389583341218596922&amp;isPopup=true' title='13 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6486327806807057494/posts/default/4389583341218596922'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6486327806807057494/posts/default/4389583341218596922'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrejornal.blogspot.com/2008/06/reducionismos.html' title='Reducionismos'/><author><name>Samir Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16946838284598605046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>13</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6486327806807057494.post-652572103131606312</id><published>2008-06-21T20:38:00.000-07:00</published><updated>2008-06-21T20:46:40.369-07:00</updated><title type='text'>Desgovernadora Yeda na berlinda</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;É, viva o novo jeito de (des)governar! E viva a habilidade, o dom que o brasileiro tem de rir dele mesmo!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object height="344" width="425"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/TPpEFi1lGAA&amp;amp;hl=en"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/TPpEFi1lGAA&amp;hl=en" type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6486327806807057494-652572103131606312?l=sobrejornal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrejornal.blogspot.com/feeds/652572103131606312/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6486327806807057494&amp;postID=652572103131606312&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6486327806807057494/posts/default/652572103131606312'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6486327806807057494/posts/default/652572103131606312'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrejornal.blogspot.com/2008/06/desgovernadora-yeda-na-berlinda.html' title='Desgovernadora Yeda na berlinda'/><author><name>Samir Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16946838284598605046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6486327806807057494.post-8080126036623583564</id><published>2008-06-05T11:29:00.000-07:00</published><updated>2008-06-05T11:33:03.524-07:00</updated><title type='text'>A última noite</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Nem as linhas verdes formadas pelo laser o agradam. O fantástico efeito das luzes em néon, que acentuava o branco e o fazia ver nas pessoas um brilho oculto e revelador, já não o divertia como outrora. A decoração lésbica e as grades que lembravam um ringue de luta livre não mereceram mais que dois segundos de contemplação. Assim começou a última noite de Jeremias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apática. Num ostracismo quase nostálgico, a cerveja arranhava a garganta e irritava o estômago. Não que não fosse afeito aos prazeres do álcool. Pelo contrário. Mas aquela era a última noite e, longe de configurar uma festiva despedida, moldou-se em um turbilhão psico-emocional que a prodigiosa poção fermentada só faria catalisar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jeremias sabia. Seria a última noite, indiscutivelmente. Em suas conversas transcendentais com a Lua, já havia sido prevenido. Embora ultimamente desconsiderasse os conselhos e as opiniões da velha companheira, teve que baixar o olhar e refletir diante da imensidão das suas certezas de matriarca empedernida. Assim sendo, arrumou-se para tal com a crença cega das mentiras que, de tão repetidas, acabam por virar verdades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As pessoas felizes o irritavam. Dançavam como se disso dependesse as suas vidas. Bebiam como se disso tirassem algum prazer. Sorriam como se assim comunicassem sem dizer. A pequenez das vidas ao redor parecia carimbar em sua pele o aval das últimas noites. Mecanicamente, qual carro que se afoga em gasolina mesmo sem gostar do cheiro e unha que bóia em esmalte mesmo sem sentir a cor, Jeremias enchia o copo de cerveja. Antes de tomar, já sucumbia ao gosto acre e à ânsia de vômito. Mas continuava entornando. No quarto copo obrigou-se a ir ao banheiro e encarar, mais que o fedor e o nojo, seu próprio reflexo no espelho. E como o irritava o ar sabichão e acusador que tinha seu reflexo! Preferia muito mais sua sombra, que era muda e contentava-se em encará-lo com a não-expressão típica das sombras. Um recato que os reflexos de espelhos de bar ainda desconhecem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acompanhado da sombra, que fazia um esforço nebuloso para seguí-lo por entre o rastro dos néons e dos jatos coloridos que lançavam fótons em riste, Jeremias pensava em quão privilegiado era, pois apenas ele sabia que aquela era a última noite. Apenas ele poderia prever que o nada viria depois. Que os laseres afiariam-se como facas e decepariam todos os sorrisos dançantes e que as lésbicas sairiam das paredes para engolir a pista com um apetite ferino. Que o chão xadrez ficaria tão movediço quanto areia e dragaria os pés saracoteantes aos domínios inertes daqueles que nunca dançam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, por saber, tudo lhe passou a olho nu sem as menores conseqüências. Os laseres sequer raspavam sua cabeça. As lésbicas o evitavam com uma expressão quase amedrontada e o chão sob seus pés era tão firme quanto a certeza de que a última noite da humanidade era seu primeiro dia de glória.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:78%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;*(tentativa de)&lt;/strong&gt; conto para a cadeira de Jornalismo Literário.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6486327806807057494-8080126036623583564?l=sobrejornal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrejornal.blogspot.com/feeds/8080126036623583564/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6486327806807057494&amp;postID=8080126036623583564&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6486327806807057494/posts/default/8080126036623583564'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6486327806807057494/posts/default/8080126036623583564'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrejornal.blogspot.com/2008/06/ltima-noite.html' title='A última noite'/><author><name>Samir Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16946838284598605046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6486327806807057494.post-2603607084544398721</id><published>2008-06-03T09:53:00.000-07:00</published><updated>2008-06-03T09:57:10.402-07:00</updated><title type='text'>Renascer</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;A cor da idade é verde. Verde-água. Verde-musgo. Verde-mar. Daquele mar que só as praias brasileiras conseguem moldar. Mas as paredes de concreto caiadas em verde que compõem a cor da idade estão bem distantes da praia. Ao contrário, estão encravadas no coração de Porto Alegre e fazem parte da pintura de um tal Menino Deus, na avenida Getúlio Vargas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A via com nome de ditador nanico é o lar de um lar. Lá, entre prédios residenciais, comércio intenso e concentração extraordinária de mendigos, vive Arcanjo Raphael. A casa geriátrica batizada de divindade ostenta com certo orgulho as paredes-mar inauguradas há cinco anos. Um letreiro quadrado e alto formaliza as boas-vindas e informa os visitantes: “Casa de Repouso Arcanjo Rapahel”. As letras são gordas e verdes. O portão caído de ferro cinza não intimida e confere um ar ainda mais recolhido ao prediozinho de dois andares que parece esconder uma idade bem mais antiga que a de seus moradores.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Cerca de 19 funcionários zelam por 27 idosos. Técnicos de enfermagem, faxineiras, cozinheiras e médicos são os moirões que seguram a estrutura de paredes verdes. Cuidam de “donas” e de “seus” que passam o dia a contemplar. Contemplar é a atividade mais espetacular que se aprende num asilo. Contempla-se o passado, o presente e o vindouro. Contempla-se a própria essência do ser. A morte é uma ameaça a cada degrau e a vida entra sussurrante pelo vão das janelas, pelos raios de sol e, de uma maneira bem mais mecânica e pré-fabricada, pela televisão. As poltronas e os sofás estofados abundantes conhecem vidas inteiras. Os quartos, individuais ou coletivos, abrigam histórias que até mesmo as paredes verdes desconhecem. O pequeno pátio de piso frio representa o ápice da existência. Escoltado pelo portão cinza caído, ele configura a tradução mais literal que as palavras liberdade e vida podem significar para os 27 filhos de Arcanjo Raphael.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;“Eu moro aqui há quatro anos”, revela Eny. Vítima de um distúrbio mental que a faz parecer meio abobalhada, Eny Terezinha Pereira da Rosa toma uma xícara de achocolatado e come um punhado de bolachinhas amanteigadas. Daquelas que só se encontra em casa de vó. No banquinho do pátio, ao seu lado, aproveitando o sol das 16h, estão dona Dica e dona Joana. Dica, ao contrário de Eny, transparece feições tristes e cansadas. A diabetes lhe tirou o doce da vida e a idade lhe emprestou o ar apático que seu meio-olhar transmite. “Come Dica, come uma bolachinha”, oferece Eny, indiferente à indiferença da amiga. Dona Joana é a mais comunicativa. Fala sobre tudo e sempre tem uma opinião. Como toda idosa de asilo, a vontade de contar é nela a principal arma contra a inércia. Dona Noeli, que conhece as paredes verdes há 10 anos, desde quando a casa ficava na rua Mariante, também conta. Mas conta números. “Quarenta e cinco, quarenta e seis, quarenta e sete...”, e assim continua. Talvez assim repasse os 99 anos de vida em sua memória. O leite que toma não vence a garganta e forma uma lagoa branca na boca até que algum funcionário mais atento a socorra com um pano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; “O meu quarto fica lá em cima”, aponta Eny toda orgulhosa para a janela de seu dormitório. Eny sempre traz no pescoço um colar de pedras negras e marrons. As unhas exibem o esmalte bege discreto e o rosto é a síntese absoluta de seus 74 anos. Cada ruga, cada sulco, cada mínimo traçado na pele denuncia a idade e a inocência de Eny. Os cabelos brancos e curtos formam ondas de pontas cinzas sob o rosto quase retangular. O nariz salta para frente com uma austeridade surpreendente, mas não exagerada. A boca esconde amarelos dentes grandes e espaçados. Mas o mais incrível é o olhar. A maioria dos homens e mulheres que vive no Arcanjo Raphael tem um olhar ensimesmado. Não triste, mas vago. Eny, não. Os olhinhos miúdos movimentam-se com tanta velocidade quanto sua fala. As frases atropelam-se e muitas vezes perdem o sentido. Entretanto, o olhar continua firme em sua rota horizontal, indo da esquerda à direita e freqüentemente repousando em uma das pontas. Quase nunca fita um objeto específico ou uma pessoa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O quarto individual da dona dos olhos ziguezagueantes denota a simplicidade das necessidades e das vontades de uma vida aos 74 anos. Uma cama de solteiro, uma televisão antiga, uma minigeladeira, um roupeiro diminuto e uma cômoda. Uma, uma, uma. Tudo no singular. A sala do segundo andar, composta por um conjunto de três grandes sofás, é o antro de repouso de Noeli que, envolta em cobertores, continua em sua saga com os números. Dona Me, uma chinesa minúscula de 98 anos, esparrama-se pela poltrona amarela como gema de ovo e parece não notar o videoclipe da Shakira seminua que passa na TV antiga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A rotina da casa é inabalável e Eny sabe disso. Pergunta freneticamente as horas a cada dez, cinco, dois minutos. “Às 18h eu tenho que jantar. Hoje vai ser sopa”, delicia-se. Boa parte das conversas com suas amigas se resume a novelas, aos afazeres diários da casa e a uma paixão geral. Tão geral que não escapa nem aos brasileiros asilados pelo Arcanjo Raphael. O futebol. “Aqui no segundo andar tem um monte de colorados”, brada Eny, com a certeza de, por isso, estar rodeada de boa gente. As senhoras comentam sobre as proezas do Inter e as baixas do Grêmio com a destreza de um moleque de 14 anos que joga uma pelada com seus amigos todo dia no campinho da esquina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muitos pensam que asilo é sinônimo de abandono. Equivocam-se. Nem sempre o ar gelado e a atmosfera nostálgica significam tristeza e saudosismo. Pelo contrário, podem atestar paz e serenidade. E ninguém mais gabaritada para ratificar essas afirmações do que Suzana Helena Morais da Silva, funcionária do Arcanjo Raphael há cinco anos. “Às vezes tu pensas que trabalhar aqui é só chegar, dar banho, limpar eles e deu. Mas não. Tu aprendes muita coisa da vida”, reitera. E não haveria lugar mais propício para o questionamento de Suzana: “Tu vês, tanta coisa que a gente deixa de fazer. Pra quê? Tanta coisa que a gente guarda. Pra quê?”. Os frutos de cinco anos de trabalho permitiram à funcionária ter a coragem de criticar as doutrinas da vida e encará-la como uma veterana que já conhece suas artimanhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na ânsia de enganar a solidão, muitas velhinhas agarram-se a um objeto ou a uma lembrança específica. Noeli se distrai com os números, Dica parece entreter-se com moléculas de ar invisíveis que trespassam seus olhinhos apáticos. Eny encontrou em Cláudia Regina uma razão para existir. Segurando a boneca com a mão e esquerda, sentencia: “Esta é minha filha, Cláudia Regina. Ela vive comigo há dois anos”. No meio das conversas, dos lanches e de qualquer outra ocupação que Eny possa ter, do nada, como se obedecesse a uma ordem vertical do cérebro, ela coloca a boneca rente à testa e balbucia um “né, minha filha?”, ou então algo como “ohh Cláudia Regina”, com aquela voz chorosa de adulto ao falar com cães e bebês. E inimigo de Cláudia Regina é inimigo mortal de Eny. Ela desdenha quem não gosta de bonecas e não suporta que façam pouco caso da filha. O amor de mãe fictícia é real e comprova-se pelo travesseirinho esponjoso que ocupa um lugar privilegiado ao lado do seu: ”Ela dorme comigo toda noite”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dentre todas as certezas que se pode ter sobre um asilo, nenhuma é maior do que a de que, uma vez velho, volta-se a ser criança. Assim como em qualquer outra casa de repousou, na Arcanjo Raphael os velhinhos precisam ser alimentados, lavados, tapados, medicados e toda uma série de ados que ficam perdidos entre o final da infância e o começo da velhice. Talvez seja uma maneira de enganar ou selar de vez o ciclo da vida. Volta-se ao começo. É quase como um mecanismo de defesa para enganar a idade ou a morte. É um renascimento que vai além do enxugamento do corpo e da mirradeza do esqueleto. É algo incompreensível até que se chegue nele. Só os 27 filhos do Arcanjo Raphael sabem, e como sabem, que os segredos da idade e do renascimento não podem ser alcançados por aqueles do lado de fora das paredes verdes.&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6486327806807057494-2603607084544398721?l=sobrejornal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrejornal.blogspot.com/feeds/2603607084544398721/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6486327806807057494&amp;postID=2603607084544398721&amp;isPopup=true' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6486327806807057494/posts/default/2603607084544398721'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6486327806807057494/posts/default/2603607084544398721'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrejornal.blogspot.com/2008/06/renascer.html' title='Renascer'/><author><name>Samir Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16946838284598605046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6486327806807057494.post-5814498122767013240</id><published>2008-05-14T16:15:00.000-07:00</published><updated>2008-05-14T16:23:33.931-07:00</updated><title type='text'>Esperança a estibordo</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;A rua Santa Catarina é escura. As árvores pendentes e a ausência quase total de postes dão um ar de algo meio brejo-urbanizado, meio urbe-embreada. Fica a umas três quadras do antigo hospital Lazarotto, hoje prédio oco encravado na onomatopéica avenida Assis Brasil. Lá, na ruela florestosa com nome de Estado, se entoca um marujo malfardado com um passado tão turbulento e oscilante quanto as estourantes ondas marinhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Sim, senhor, senhor!”. Posso imaginar o ex-marinheiro, ex-guerrilheiro, ex-torturado, ex-exilado, ex-não-anistidado, ex-militante-treinado-em-Cuba, ex-utópico Avelino Capitani bradando, lá pelos idos de 1960, num quartel carioca da Marinha. Mas, ao abrir a portinhola enferrujada e rangenta do bloco de casas porto-alegrense onde mora, não diz nada. A roupa denuncia o saudosismo (ou seria o hábito?) da farda cerimoniosa. A calça é branca e entra em total harmonia com os sapatos. Não fossem tecidos velhos e de malha xexelenta, o conjunto poderia ser confundido com a suntuosa veste de um marinheiro. Faltava-lhe, nos ombros arqueados, as estrelas e umas três daquelas flechas diagonais que enfeitam de pujança e brio o ombro ereto de um militar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas militar já não é. Não o tem sido desde 1964, quando a caserna cravou suas baionetas em Brasília e vestiu a toga rasgada da justiça e o terno negro da política. Capitani, àquela época, era dirigente da Associação dos Marinheiros e foi um dos líderes da fracassada revolta que os companheiros de farda tentaram fazer contra o golpe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentado na poltrona laranja, fuma o segundo &lt;em&gt;Carlton&lt;/em&gt; vermelho e assopra rodelas cinzas de fumaça. Como aquelas que os marinheiros fazem nos desenhos. As de Capitani saem tortas e voláteis. Sobem até a altura dos seus cabelos e parecem se misturar a eles, reforçando a cor amarelo-desbotado e cinza-sujo que os caracterizam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Eram dez mil soldados a postos para atacar três mil marinheiros aquartelados”, puxa Avelino pela memória, enquanto diverte-se com as rodelinhas cancerígenas. E como é que ele foi parar lá, no meio daquela muvuca toda? O lajeadense só queria uma coisa. Entrou na Marinha por um motivo apenas: o estudo. Como era pobre, viu na armada das águas uma oportunidade para continuar aprendendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“O lápis da gente era na ponta da enxada”, graceja o marujo, referindo-se à infância interiorana, quando cursou até não mais que a 4ª série. A decisão de se alistar não foi nobre nem patriótica. “Um dia eu estava na praça XV comendo um picolé e sentou um marinheiro do meu lado e começamos a conversar”. Foi assim, meio que por acaso, que Capitani almejou ser almirante. Mal sabia ele, na ingenuidade dos 20 anos, ao se candidatar à Marinha, que acabaria na então Guanabara amotinado com um bando de esquerdistas. Avelino não sabia de muitas coisas. Na efervescência da metrópole conheceu Marx, Marcuse, Debray e a realidade brasileira do início dos anos 1960.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1966 resolveu passear pela Serra do Caparaó, no Espírito Santo, e, junto com mais uns vinte homens, formou o primeiro foco de resistência armada à ditadura tupiniquim. “Analisando hoje, foi uma loucura. Mas, na época, a gente não pensava assim. Nós éramos soldados latino-americanos comandados, em instância internacional, por Che Guevara”. A história mostra, contudo, que nem o sangue latino, nem a presença de Che na vizinhança, nem o apoio de Brizola, nem o treinamento em Cuba foram suficientes para impedir que vinte guerrilheiros tornados em frangalhos sucumbissem ao poderio do exército em 1967.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No Movimento Nacionalista Revolucionário (MNR), Avelino virou Charles. Com uma pistola 45mm em mãos, ele ganhou fama. Não foi só a música de Jorge Ben que o consagrou. “Na época, me chamavam de ‘gatilho de ouro’”, confessa, não sem um certo regozijo no olhar encovado de olhinhos negros e fundos. Após o fracasso das férias em Caparaó, Capitani refugiou-se no então pacífico Uruguai, onde pretendia rearticular-se com Brizola e seus aliados. De lá, passou por Bolívia, Argentina e Chile. Voltou para um Brasil pós-68 e ajudou a guerrilha urbana nos assaltos a bancos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, o ex-muitas-coisas não tem pudor em falar sobre o passado. Alguns guerrilheiros enlouqueceram ou trancafiaram-se no mais inerte silêncio. Capitani não. Vítima da crueza de um regime que torturava e matava, ele fala sobre o assunto com relativa tranqüilidade. “Hoje, eu tomaria um cafezinho com o meu torturador”, confessa Avelino. A frase não soou tão sádica quanto, de fato, parece. Acontece que Charles superou, além da dor física, a outra dor. Aquela que quebra a alma. O corpo, visivelmente, encontrou o caminho da regeneração e, ao que parece, apesar do cigarro, Capitaini esbanja saúde com seus um metro e oitenta e tantos distribuídos num esqueleto estável, ainda que com todas as mazelas da idade e do passado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar da aparente calmaria, Avelino não esconde algumas seqüelas. Marcas tanto físicas – que se denunciam na aspereza da pele e na profundidade chorosa do olhar – quanto abstratas – navegando no limbo dos pensamentos atormentados e dos sonhos perdidos. “A tortura é o que há de mais desumano no ser humano”, confidencia, ao descrever os mais atrozes meios de se machucar uma pessoa. Num fôlego de confiança e otimismo em meio aos relatos cavernosos, admite: “Ainda tenho pesadelos, mas são menos freqüentes desde que eu consegui ‘perdoar’!”. As mãos gesticulantes formam aspas no ar e espalham ainda mais a fumaça do sétimo &lt;em&gt;Carlton&lt;/em&gt; vermelho pelo ambiente diminuto da sala. Perdoar é um conceito meio torpe quando aplicado em tão extravagante caso. Só posso concluir que, salvo a hipótese de Avelino ser um ente divino e livre de imperfeições, ele se expressou mal. E, dimensionando melhor sua assertiva, complementa: “Eu não quero morrer abraçado ao meu torturador”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem abraços, sem glória e sem revolução. É assim que vive Charles quarenta e quatro anos depois do golpe que alterou inexoravelmente o rumo de suas naus. Jorge Ben tem razão ao cantar que o Anjo 45 é o “Robin Hood dos morros”. Capitani, que nunca foi Almirante de fragata, nunca pendurou um diploma de faculdade na parede bege da sua sala e não ostenta estrelas nem honras militares, agora trabalha em algumas ONGs e faz uns bicos quando dá. Contemporâneo ao beatle John Lennon, Avelino estende as velas , hasteia a bandeira irrecolhível da esperança, mira o horizonte a estibordo e brada, provavelmente, uma das poucas certezas que tem na vida: “Meu sonho ainda não acabou”. A voz de Charles ainda flutua sobre a laringe gasta do velho marujo. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6486327806807057494-5814498122767013240?l=sobrejornal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrejornal.blogspot.com/feeds/5814498122767013240/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6486327806807057494&amp;postID=5814498122767013240&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6486327806807057494/posts/default/5814498122767013240'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6486327806807057494/posts/default/5814498122767013240'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrejornal.blogspot.com/2008/05/esperana-estibordo.html' title='Esperança a estibordo'/><author><name>Samir Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16946838284598605046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6486327806807057494.post-8495378716359084021</id><published>2008-05-05T12:55:00.000-07:00</published><updated>2008-05-05T12:59:13.278-07:00</updated><title type='text'>Alice no país do futebol</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Na segunda-feira do dia 5 de maio, a sala 206.05 do prédio 7 da PUCRS foi inundada. Não, não tem nada a ver com a torrente tresloucada que transformou o Rio Grande em cenário bíblico de dilúvio. Foi uma inundação sublime e delicada. Alice Bastos Neves, repórter esportiva da RBSTV, enxugou o marasmo pós-final de semana dos futuros jornalistas da turma 349 com uma conversa descontraída sobre esporte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Formada em 2005 pela PUCRS, Alice nunca pensou que fosse trabalhar no meio esportivo. “Eu saí daqui (da faculdade) com a firme idéia de fazer jornalismo cultural”, confessa, e revela que sua monografia foi sobre a revista Aplauso. Também jamais lhe ocorreu atuar em outra mídia que não fosse a revista: “Na faculdade, o meu foco nunca foi a televisão”. Através de uma amiga e de um “conjunto de sorte, talento e dedicação”, Alice conseguiu uma vaga no cobiçado espaço da RBSTV.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem familiaridade nenhuma com campos, bolas, pistas e maratonas, a recém-formada de 23 anos começou acompanhando as equipes de reportagem no RBS Esportes, programa que busca dar maior visibilidade ao desporto olímpico gaúcho. Apesar de apenas dois anos de experiência na área, Alice já pode pendurar uma medalha de ouro em seu currículo. Em 2007, ainda meio-amadora, meio-veterana; foi ao Rio de Janeiro cobrir os jogos Pan-Americanos. “Uma coisa que me impressionou muito num grande evento foi a burocracia”, admite Alice, que, visivelmente, não faz o tipo cerimoniosa. Vestida com uma calça jeans azul justa, é possível notar a dança rítmica das unhas brancas acompanhando a blusa de gola alta da mesma cor enquanto gesticula.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Questionada sobre o espaço nada democrático dado a outros esportes na cobertura jornalística, Alice é taxativa: “O futebol envolve muito dinheiro e muita paixão”. E, com um ar mais confiante, ressalva: “Mas a gente está conseguindo abrir espaço”. Como lida rotineiramente com casos de superação, esforço e realização, a repórter-Alice não consegue se distanciar da pessoa-Alice. “Me envolvo absolutamente”, revela a jornalista. “Não tem como não se envolver, tu acabas criando uma relação de dia-a-dia com esses caras”, diz, referindo-se aos exemplos de superação de atletas gaúchos, como o caso do esgrimista João Souza, que já tem vaga garantida em Pequim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porto-alegrense natural de Pelotas, Alice não alimenta grandes ambições. No país do futebol, ela defende a bandeira dos jogos amadores. Queria cultura e, com o esporte, aprendeu que a vida pode tomar rumos inesperados e, nem por isso, menos interessantes. Cutucada sobre ser gremista ou colorada, Alice, como boa jornalista que pisa no tortuoso território dos gre-nais, apresenta um álibi incontestável: “Torço para o Brasil de Pelotas”.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6486327806807057494-8495378716359084021?l=sobrejornal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrejornal.blogspot.com/feeds/8495378716359084021/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6486327806807057494&amp;postID=8495378716359084021&amp;isPopup=true' title='12 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6486327806807057494/posts/default/8495378716359084021'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6486327806807057494/posts/default/8495378716359084021'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrejornal.blogspot.com/2008/05/alice-no-pas-do-futebol.html' title='Alice no país do futebol'/><author><name>Samir Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16946838284598605046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6486327806807057494.post-742587114668361454</id><published>2008-04-25T09:37:00.000-07:00</published><updated>2008-04-25T09:50:02.311-07:00</updated><title type='text'>Vargas, asilos e crises de consciência</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Dia desses me veio um pensamento inusitado. Tenho uma tia-avó que sofre de alguns distúrbios mentais e está internada num asilo em Porto Alegre. Eni. Não, não é nenhuma onomatopéia desconhecida. É o nome dela mesmo. Eni passou a vida inteira com a mãe, que cuidou dela até o cansaço lhe ceifar a vida, há quatro anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois bem, essa breve contextualização é para dizer que, após dois anos morando na provinciana capital gaúcha, resolvi visitar a tia Eni. O asilo, ou melhor, a “casa de repouso” – odeio esses eufemismos hipócritas – fica na avenida Getúlio Vargas e tem inspiração divina: chama-se Arcanjo São Miguel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caminhando pela extensa avenida sem lixeiras, deparo-me com um número crescente de pedintes. Mendigos, moradores de rua, limpadores de pára-brisa. Gente que faz da grande avenida com nome de ditador nanico a sua casa. No percurso pelas oito quadras que me separam de São Miguel, peguei-me refletindo sobre a situação daquele lugar. Recheada de pedintes, a Getúlio Vargas remeteu-me ao paradoxal governo do homenageado pela malha asfáltica em questão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É bem verdade que o caudilho gaúcho acabou com a política do café-com-leite e industrializou o país através do sistema de substituição de importações. Mas é inegável o caráter autoritário-populista de seu governo, que cooptou as massas e ditou os rumos do país com mãos de ferro após a implantação do Estado Novo, em 1937. Getúlio trocou uma oligarquia por outra. Ou melhor, outras. Agradando a massa excluída do país, o aclamado “pai dos pobres” conseguiu construir um consenso dócil e favorecer antigos setores do poder, como as oligarquias cafeeiras (vide o torra-torra de grãos realizado na época). Tudo isso, claro, com uma imagem de mudança, de progresso e de desenvolvimento. E o povo? O povo não se importava, afinal de contas já tinham um Ministério do Trabalho e a CLT. Formidável, não?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bueno, tudo isso para dizer que, na promiscuidade daqueles pensamentos, em plena avenida, uma mulher me pede dinheiro. Sentada e escorada no muro de um suntuoso edifício, a mendiga era o retrato mais fiel da realidade brasileira – tanto em 1930, como hoje em dia. Minha mão cavouca, em vão, o bolso vazio. Bem na hora da abordagem, eu estava com um legítimo alfajor uruguaio na mochila. Pronto para ser deliciado. Era o último resquício de uma ida da minha mãe a Riveira. “Bá, não tenho dinheiro”, respondi, certo de que só a carteirinha do TRI habitava meu bolso. “Uma bolachinha?”, suplica a garota. Nesses momentos, a gente deve pensar rápido. Agir primeiro, refletir depois. Num ato instantâneo e quase involuntário, dei a ela o meu alfajor. “Mas tu vai &lt;em&gt;ficá&lt;/em&gt; sem”, largou a mendiga. “Tu vai &lt;em&gt;ficá&lt;/em&gt; sem”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A grandiosidade da frase me comoveu. No auge de sua agonia, ela ainda se preocupa se eu vou comer ou não. A nobreza, a singeleza e o total carisma daquela mulher me cativaram de tal maneira que fiquei paralisado, com o olhar preso nela e a mente envolta em orgias interpretativas sobre a Era Vargas, o assistencialismo e a mesquinhez da elite brasileira. Só consegui murmurar um “não faz mal”, e continuei meu rumo, ciente da minha inferioridade perante tão altiva postura da marginalizada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca fui um defensor ferrenho do assistencialismo. Tampouco prego o Estado mínimo e a exclusão dos programas sociais, tidos como gastos parasitários por (argh!) Friedrich von Hayek, pai do neoliberalismo. Me vi, então, num debate interno. Fui assistencialista? Contribui com a perpetuação da mendicância no país? Ou apenas ajudei uma pessoa necessitada? Nesse caso, o argumento de “ensinar a pescar, em vez de dar o peixe” não se aplica. Não tinha como eu ensinar a mendiga a fabricar alfajores. Até porque, mesmo que eu soubesse fazer e ela aprendesse, não ficariam iguais aos semidivinos bolachões uruguaios. Enfim, fui para casa com essa pulga na orelha e um alfajor a menos. Mas com duas certezas a mais: de ter aliviado, minimamente, o sofrimento daquela mulher; e de ser totalmente inferior à nobreza de uma excluída da/de Getúlio Vargas.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6486327806807057494-742587114668361454?l=sobrejornal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrejornal.blogspot.com/feeds/742587114668361454/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6486327806807057494&amp;postID=742587114668361454&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6486327806807057494/posts/default/742587114668361454'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6486327806807057494/posts/default/742587114668361454'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrejornal.blogspot.com/2008/04/vargas-asilos-e-crises-de-conscincia.html' title='Vargas, asilos e crises de consciência'/><author><name>Samir Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16946838284598605046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6486327806807057494.post-7910046105303480075</id><published>2008-04-16T12:39:00.000-07:00</published><updated>2008-11-13T18:10:39.404-08:00</updated><title type='text'>...e seu aluno do Sul</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_ZxS2h3raZc4/SAZcEMdHSqI/AAAAAAAAAHM/dffi94EWUkI/s1600-h/arts_review-32069.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5189936847723645602" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_ZxS2h3raZc4/SAZcEMdHSqI/AAAAAAAAAHM/dffi94EWUkI/s200/arts_review-32069.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Joseph Mitchell é a prova mais indiscutível de que nem sempre o sujeito é um produto do meio em que vive. O jornalista-escritor norte-americano nasceu no sul dos Estados Unidos, em 1908. Imaginem o sul do “grande irmão do norte” em 1908. Fazendinhas bucólicas, um ou outro moinho, fenos dançando ao vento e plantações de milho, algodão e tabaco por todo o lado. Dá para imaginar que um ambiente desses poderia produzir um ser humano da estirpe de Joseph Mitchell? &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Longe de ser pobre, o jornalista sempre recebeu apoio financeiro da família – que lida&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_ZxS2h3raZc4/SAZbZsdHSoI/AAAAAAAAAG8/7sErq5CiGwU/s1600-h/arts_review-32069.jpg"&gt;&lt;/a&gt;va com plantações de tabaco e de algodão. Quando percebeu que a terra fofa e o verde abundante não mais davam conta de abastecer seu intelecto e sua vontade de conhecer, pegou o primeiro trem (convenhamos, deveria ser um trem) para a Grande Maçã, em 1929. Caía, então, de braços abertos no berço da recessão econômica mundial. Seu talento nato com as palavras lhe permitiu trabalhar em alguns jornais da cidade, apesar de ele ter uma certa aversão às noticiais diárias. Não gostava de escrever sobre pressão e com um prazo de entrega pré-estabelecido.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Em 1934, Mitchell sossegou a pena na aclamada revista The New Yorker (seio que alimentava os maiores jornalistas da época). Aliás, quem publicava na revista passava a ganhar o status de escritor. Sob o comando do editor Willian Shawn, o responsável pela edição do livro-reporagem Hiroshima, de John Hersey, Mitchell e a New Yorker firmaram um casamento sólido e sem crises até que a morte do jornalista os separou, em 1996. De seu miniescritório no periódico, Joseph Mitchell deu voz aos cantos mais escuros de Nova York. Na revista, encontrou as condições ideais para escrever sobre seus pitorescos personagens. Não lhe interessava falar sobre as estrelas da Broadway ou sobre personalidades políticas. Ele fuçava nas ruas a procura da matéria que não ia para os tablóides ordinários. Já escreveu sobre personagens de circo, bares antigos e boêmios inveterados. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;A New Yorker comprometia-se em dar tempo, espaço e liberdade. Mitchell entrava com a pauta e o texto, que poderia levar meses, até anos, para ser terminado. Um de seus perfis mais majestosos foi publicado em 1942 e, com muitos adendos, virou livro em 1964...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;...continua &lt;a href="http://sobrenuances.blogspot.com/2008/04/o-professor-gaivota.html"&gt;aqui&lt;/a&gt;. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6486327806807057494-7910046105303480075?l=sobrejornal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrejornal.blogspot.com/feeds/7910046105303480075/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6486327806807057494&amp;postID=7910046105303480075&amp;isPopup=true' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6486327806807057494/posts/default/7910046105303480075'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6486327806807057494/posts/default/7910046105303480075'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrejornal.blogspot.com/2008/04/o-professor-gaivota-e-seu-aluno-do-sul.html' title='...e seu aluno do Sul'/><author><name>Samir Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16946838284598605046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_ZxS2h3raZc4/SAZcEMdHSqI/AAAAAAAAAHM/dffi94EWUkI/s72-c/arts_review-32069.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6486327806807057494.post-1838063070774140015</id><published>2008-04-08T09:24:00.000-07:00</published><updated>2008-04-08T09:26:53.432-07:00</updated><title type='text'>Fragmentos desastrosos de uma noite errática</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Semana passada realizei a maior ousadia do homem moderno. Fiz algo inimaginável. Uma proeza que nem as mentes mais férteis do planeta poderiam conceber. Eu deixei o celular em casa. E o mais aterrador: foi um ato consciente!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A tarefa era simples, tinha que ir ao chaveiro (que fica no shopping) e voltar. Horário de largada: 18h. A chegada não tinha hora marcada. Era tão incerta quanto o destino do meu celular. No princípio, cogitei não levá-lo na miniempreitada por motivos práticos. Era menos uma coisa para carregar e menos uma coisa a ser roubada (sim, eu sempre considero essa hipótese). Porém, ao catraquear a chave no trinque, voltei o olhar para aquele objeto inerte em cima da mesa mogno que preenchia o centro da sala. Comecei, então, a pensar no que poderia acontecer caso eu não alojasse em meu bolso aquele projeto de telefone. E se alguém me ligasse? E se aquela pessoa me ligasse? A gente sempre espera uma ligação daquela pessoa! E se alguém da minha família morresse ou se acidentasse? E se a RBS resolvesse me contratar de supetão? A RBS nunca liga duas vezes. E se a VIVO me ligasse? E se ele sentisse fome, frio? E se? E se? E seee?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo assim, tomei um gole longo de ar, catraqueei a chave e segui em frente. Tentava limpar minha mente com assuntos banais, mas não adiantou. Toda a trajetória foi pautada pela apreensão quanto ao celular. O meu ouvido retumbava com a imaginação de seu triiim-triiim desesperado. Sozinho, como um recém nascido a espernear (sim, pois ele vibra enquanto toca), a procura do seio quente da mãe. Não que eu tenha um seio quente, mas podia oferecer uma mão acalentadora e alisar o tão aclamado botãozinho verde para cessar seu pranto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegando no shopping, descobri ter me desdobrado em vão. O chaveiro não podia fazer a maldita cópia. Não tinha a tal da matriz! Aborrecido, resolvi ver o que se passava no cinema, já que havia saído da toca por nada. Foi aí que cometi a segunda ousadia da noite – assisti a um filme sem nem mesmo saber do que se tratava. Dá para imaginar isso? Em plena era da informação, um retardado entra numa sala de cinema sabendo nada mais que o título do filme (e que seu diretor também fez Sr. e Sra. Smith – que eu odiei). Jumper era o único que se encaixava no meu horário. O cartaz era enigmático e assaz hollywoodiano. Mostrava um homem ereto com o punho ligeiramente em riste. Ao fundo havia imagens de várias paisagens conhecidas do globo, como o Coliseu e a Esfinge. Bem, a primeira coisa que me ocorreu foi que era algo sobre um cara que saltava de bungee jump por aí e gostava de exibir o punho. Nunca se sabe o que pode sair da mente infértil dessa gente do cinema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O filme era uma bosta! Indigno de comentários. Ao menos o tempo passou e eu rasguei quatro reais. Poderia ter comprado algumas esfihas com essa grana. Mas, não, meu dinheiro estava se teletransportando enlouquecidamente no bolso do protagonista de Jumper. É, podem acreditar, o longa conta a história de um maluco que consegue se teletransportar. Bem feito, quem mandou ver sem saber!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saber? Ãh? Putz, o CELULAR! Lacei o primeiro táxi que apareceu e fui a galope para casa. O motorista imprudente ainda reclamava sobre os “manetas do trânsito”. Os quais desejaria “atropelar com uma patrola”. Para o taxista, por manetas leia-se pessoas-que-trafegam-abaixo-da-velocidade-da-luz. Pelo menos a carona paga não durou muito. Com aflição, tentava achar a chave da primeira porta. A da segunda. As da terceira! Droga, ainda eram duas! Cai chave da mão, mais desespero. O triiim-triiim ecoa no cérebro e dissipa qualquer outro vestígio de pensamento. A chave catraqueia e vence a fechadura. A mesa cumpre, solícita, sua função e protege o celular da lei da gravidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O celular. Não fui audaz o bastante para tocá-lo logo que entrei. Me permiti ainda uma pequena série de devaneios. Quantas chamadas teria? Quantas mensagens eu iria ler? Alguma notícia trágica? Alguma alegria? Afinal, eu estava há quatro horas sem vê-lo! Quatro infinitas horas sem sentir sua textura, sem ver seu plano de fundo, sem sentir sua radiação. Qual foi a minha surpresa quando constatei, incrédulo, que não havia nada de diferente, exceto a hora que ele marcava. N-A-D-A. Como se quisesse ser superior a mim mesmo, fiz ares de quem já esperava por isso e esnobei aquela pequena caixinha preta. Deixando minha megalomania de lado, refleti um pouco sobre a dependência que temos de um mero instrumento mecânico só porque ele nos permite falar com outra pessoa à distância. Grande coisa! Os pombos-correio eram muito mais elegantes e refinados. Mas isso é assunto para um outro &lt;a href="http://logoescrevo.blogspot.com/2007/08/posts.html"&gt;bost&lt;/a&gt;.&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6486327806807057494-1838063070774140015?l=sobrejornal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrejornal.blogspot.com/feeds/1838063070774140015/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6486327806807057494&amp;postID=1838063070774140015&amp;isPopup=true' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6486327806807057494/posts/default/1838063070774140015'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6486327806807057494/posts/default/1838063070774140015'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrejornal.blogspot.com/2008/04/fragmentos-desastrosos-de-uma-noite.html' title='Fragmentos desastrosos de uma noite errática'/><author><name>Samir Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16946838284598605046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6486327806807057494.post-3797005114537442101</id><published>2008-03-28T11:27:00.000-07:00</published><updated>2008-03-28T11:47:44.880-07:00</updated><title type='text'>Às Iracis</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Poucas vezes a Rede Globo conseguiu me surpreender. Perdão. Várias vezes já fiquei estupefato com o nível de imbecilidade e de alienação emanado pelo brilho hipnótico de seus programas. Quis me referir a ser surpreendido por algo realmente bom. Algo que me cativasse à poltrona por um motivo mais nobre do que não ter nada para fazer, por exemplo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bueno, foi aí que descobri &lt;em&gt;Queridos Amigos&lt;/em&gt;. Confesso que as minisséries globais nunca me despertaram muito interesse. Eram repletas de pretensas verdades e aberrações históricas. Mas essa, não. Sua sensibilidade lírica, o subjetivismo de suas interpretações e o caráter imperfeito de todas as suas personagens me deixaram surpreso. No primeiro capítulo, pensei estar no canal errado. Mas a telinha marcava insistentemente o número 12 no canto inferior direito (sim, eu integro a massa dos que possuem televisão aberta). Era a primeira vez que meus inexperientes ouvidos captavam palavras como “ditadura”, “redemocratização” e “repressão” saindo daquela freqüência. Daquele canal. Conferi de novo e lá estava o onipresente número 12.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Queridos Amigos&lt;/em&gt; consegue retratar uma época de enormes incertezas, a frágil transição para os anos 90, de uma maneira livre de estereótipos e sem dar voz a tão propagados mitos nacionais. Afinal, era praticamente o fim de uma era. O fim de muitos sonhos e o começo de algumas conquistas – poucas e falhas. E a minissérie mostra esse panorama sem reavivar pré-conceitos ou impor verdades absolutas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ontem, quando finalmente não tinha nem Pedro Bial e seus heróis, nem qualquer jogo do raio-que-o-parta contra o atlético-sei-lá-das-quantas, pude finalmente acompanhar de novo os anseios de Léo e companhia. Uma cena, em especial, me deixou vidrado. Alucinado em frente à tela. Sequer deveria ter piscado. Fernanda Montenegro, travestida de mãe de uma vítima da ditadura, colocava-se, por vontade própria, cara a cara com o algoz de sua filha, que ainda apresentava feridas psicológicas de um período de terror. Encarnada em dona Iraci, ela puxou um livro e leu para o carrasco, conhecido como “nenê”, as inenarráveis brutalidades escritas por sua filha. Confissões exorcizantes de males que a alma não descarta e que o tempo não relega aos confins do esquecimento. Ao rebater que “só cumpria ordens”, o torturador/estuprador levou uma bofetada na cara!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vocês conseguem imaginar isso? Conseguem imaginar a ira de uma senhora de 70 e poucos anos que se atreve a esbofetear um homem capaz das piores atrocidades? Talento de Fernanda ou pieguice minha, eu pude sentir cada gota de rancor, mágoa e sofrimento destilada pelas palavras da atriz. O tabefe me fez dar um salto do sofá. Aquela mãe declamando selvajarias aos berros contra o demônio de sua cria pode até ser ficcional. Uma farsa encenada e cronometrada. E, por mais absorto que eu estivesse, ainda tinha consciência disso. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Entretanto, tão logo vieram as propagandas, surpreendi-me num choro súbito. Pranto de almas férteis que sentem pelos outros, sentia como se fosse eu o protetor de uma filha torturada. As lágrimas escorriam e me faziam pensar nas verdadeiras Iracis. Nas mães que viram seus filhos estropiarem-se por uma causa perdida. Por um idealismo desbundado ou por uma porralouquice desvairada. Teriam elas, também, iracundas leoas que zelam pela sua prole, deitado o peso de suas mãos na cara dos inimigos de uma geração?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pode parecer besta, irrisório e, até mesmo, infantil. Mas eu dediquei aquele inesperado e incontido choro a todas as Iracis do Brasil. Pessoas que, com um pequeno ato de extrema coragem, deixaram uma marca em quem banhou este país de sangue, em qualquer época. Gente que teve a audácia de apontar o dedo para os “nenês” que circulavam, e que ainda circulam, livremente pelas ruelas e avenidas brasileiras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:78%;"&gt;*Passado esse momento de introspecção e angústia, dei-me conta do ridículo da situação: nunca poderia crer que um dia a Globo me faria chorar por um motivo desses.&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6486327806807057494-3797005114537442101?l=sobrejornal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrejornal.blogspot.com/feeds/3797005114537442101/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6486327806807057494&amp;postID=3797005114537442101&amp;isPopup=true' title='13 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6486327806807057494/posts/default/3797005114537442101'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6486327806807057494/posts/default/3797005114537442101'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrejornal.blogspot.com/2008/03/s-iracis.html' title='Às Iracis'/><author><name>Samir Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16946838284598605046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>13</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6486327806807057494.post-7296312657376868974</id><published>2008-03-24T06:54:00.000-07:00</published><updated>2008-11-13T18:10:39.826-08:00</updated><title type='text'>Jornalismo e política regados a chumbo</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_ZxS2h3raZc4/R-e0EHqnHlI/AAAAAAAAAG0/zT3FCZXAkEQ/s1600-h/01.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5181307879183294034" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_ZxS2h3raZc4/R-e0EHqnHlI/AAAAAAAAAG0/zT3FCZXAkEQ/s200/01.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;”Hoje tu tens uma meleca geral.” A frase pode parecer estranha e até nojenta. Mas resume, em poucas palavras, o panorama político atual. E ninguém mais gabaritado para ditá-la do que um jornalista do porte de José Mitchell. O ex-repórter e atual pauteiro da RBSTV conversou com estudantes de jornalismo da PUCRS sobre sua vasta experiência na cobertura política nos sombrios tempos da ditadura militar brasileira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O início da década de 1970 foi o lamacento palco de atuação de Mitchell como repórter na sucursal do então prestigioso Jornal do Brasil, em Porto Alegre. Ele cobria as áreas de política e de polícia para o periódico carioca aqui nos pampas. Política e polícia, duas palavras promiscuamente interligadas numa época em que aprofundar-se demais nesses assuntos podia levar à cadeia e, conseqüentemente, talvez, até a morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E como era, então, o trabalho do jornalista que se aventurava pelos subterrâneos desses temas? “Nós tínhamos uma ditadura militar, então, na área política, quem eram as fontes? Eram os generais. Eram eles que mandavam”, comenta Mitchell, ressaltando a fragilidade das instituições civis e dos partidos políticos naquele período.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Autor do livro &lt;em&gt;Segredos à direita e à esquerda da ditadura militar&lt;/em&gt;, Mitchell reconhece que, antes de qualquer atributo, “um bom jornalista deve saber contar boas histórias”. E foi com esse intuito que ele desmembrou em livro histórias peculiares da ditadura tupiniquim. Seu objetivo não é santificar ou demonizar figuras conhecidas da repressão ou da guerrilha. Mitchell deseja humanizá-los através de histórias reais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O leitor pode se surpreender ao saber que a maior e mais bem sucedida greve do magistério, a de 1979 – que culminou com a contratação de 20 mil professoras e com um aumento de 70% no salário -, só obteve êxito graças à intervenção direta dos militares no caso. Ou, então, se comover ao ler que um dos acusados de ser torturador em Porto Alegre, o delegado do DOPS (órgão de repressão do regime) Pedro Seelig, salvou da morte os dois filhos do famoso casal de presos políticos uruguaios, Líllian Celiberti e Universindo Dias. José Mitchell, aliás, participou ativamente do grupo de jornalistas que investigou o nebuloso caso que envolveu o seqüestro, em solo gaúcho, dos uruguaios pelos aparelhos de repressão das ditaduras latino-americanas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com tanta experiência adquirida durante 30 anos de trabalho, Mitchell define de maneira simples o que é a política: “São pessoas disputando o poder”. E alerta aos futuros jornalistas para que fiquem atentos a essa questão, principalmente no que diz respeito às benesses que esse poder pode proporcionar. Com um ar de quem já viveu um bocado e entende das coisas da vida, sentencia: “Os jornalistas devem lutar contra privilégios”. E, sem cair no saudosismo ou na amargura de quem viveu os anos de chumbo, declara: “Ditadura é ditadura, seja de esquerda ou de direita. Não há regime melhor que a democracia”. Eis as palavras de quem, sem ter caído no extremismo ou sucumbido à derrota, se equilibrou na corda bamba de um tortuoso período da história brasileira.&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6486327806807057494-7296312657376868974?l=sobrejornal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrejornal.blogspot.com/feeds/7296312657376868974/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6486327806807057494&amp;postID=7296312657376868974&amp;isPopup=true' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6486327806807057494/posts/default/7296312657376868974'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6486327806807057494/posts/default/7296312657376868974'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrejornal.blogspot.com/2008/03/jornalismo-e-poltica-regados-chumbo.html' title='Jornalismo e política regados a chumbo'/><author><name>Samir Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16946838284598605046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_ZxS2h3raZc4/R-e0EHqnHlI/AAAAAAAAAG0/zT3FCZXAkEQ/s72-c/01.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6486327806807057494.post-3233064591584138812</id><published>2008-03-22T10:46:00.000-07:00</published><updated>2008-11-13T18:10:40.166-08:00</updated><title type='text'>a, b, c, ...</title><content type='html'>&lt;a href="http://www.sopadeletras.jor.br/"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5180629656602615346" style="CURSOR: hand" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_ZxS2h3raZc4/R-VLOXqnHjI/AAAAAAAAAGk/ZL31AR6Owt0/s200/pratosopa.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;Deu fome? Então não deixe então de conferir, ou melhor, degustar uma bela sopa. Sei que estamos em pleno calor de outono, mas garanto que este prato não vai queimar a língua de ninguém. Aguce seu paladar, clique na foto e confira as deliciosas refeições que só um alfabeto tão multicultural poderia proporcionar.&lt;br /&gt;Bom apetite!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6486327806807057494-3233064591584138812?l=sobrejornal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrejornal.blogspot.com/feeds/3233064591584138812/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6486327806807057494&amp;postID=3233064591584138812&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6486327806807057494/posts/default/3233064591584138812'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6486327806807057494/posts/default/3233064591584138812'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrejornal.blogspot.com/2008/03/b-c.html' title='a, b, c, ...'/><author><name>Samir Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16946838284598605046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_ZxS2h3raZc4/R-VLOXqnHjI/AAAAAAAAAGk/ZL31AR6Owt0/s72-c/pratosopa.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6486327806807057494.post-6011983924127552883</id><published>2008-03-14T11:22:00.000-07:00</published><updated>2008-03-14T12:07:27.647-07:00</updated><title type='text'>Manifesto à bunda</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;O ato é instintivo. A mão contorce-se até as costas, onde esbarra com a camisa/blusa e a puxa para baixo. Eu observo, pasmo, tanto pudor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda não conseguiu imaginar do que se trata? Ora, você certamente já fez isso alguma vez. Puxar a camiseta para não aparecer a bunda é uma tradição milenar. Deve ter surgido com a roupa. Ou melhor, com as peles. É fácil imaginar nossos irmãos das cavernas tecendo couraças mais compridas para tapar a poupança. Com a revolução industrial, o hábito se inseriu de forma massiva na sociedade e logo haveria de ser cooptado pela indústria cultural.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixando de lado o grande parêntese e o regate histórico baseado meramente em devaneios, o fato é que as pessoas não expõem a bunda! E não digo isso como se eu andasse por aí com minhas vergonhas à mostra (como diria Pero Vaz de Caminha ao falar sobre os índios brasileiros). A questão não é essa. Transcende o físico e vai além da compreensão freudiana das coisas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chega a ser um enorme paradoxo. Por exemplo, os caras adoram usar camisetas que caiam bem na cintura. De preferência valorizando o tronco e os músculos. Mas aí, a qualquer movimento mais brusco, a bunda desvela-se. O que leva o sujeito a realizar a seqüência descrita no primeiro parágrafo. E eu me pergunto: se isso o incomoda tanto, por que raios insiste em se vestir assim?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro, há os completamente surtados. E aí eu consigo classificá-los em dois lados: os superultra roqueiros alernativíssimos e os maníacos do basquete e do hip-hop. Tá, meio que generalizei demais. Mas creio que me farei entender. O primeiro grupo, com suas milhões de subdivisões – que podem ir do emo ao heavy metal -, chega a ser quase feminino com as calças hiperjustas e as camisetas lembrando uma baby-look. Essas calças sufocam a pobre bunda e a fazem parecer um pastel de forno que não deu certo. Os últimos, por sua vez, tomam cuidado para não pisar nas roupas. Sim, pois as camisetas e as bermudas extra GG tornam impossível qualquer tentativa de locomoção saudável. Deve ser horrível carregar tanto peso no corpo. Porém, não deve ser menos doloroso se mover dentro das calças apertadas dos membros do primeiro grupo. Algumas fazem jus ao termo “bolas chorando”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem, brevemente explanadas as exceções masculinas, volto ao caso da bunda. Não são somente os homens que têm esse complexo. As mulheres também sofrem com a cultura de opressão à bunda. E, no caso delas, o paradoxo é muito maior. Calma! Antes que alguma leitora se indigne e saia do blog, explicarei minhas convicções. E quero deixar bem claro que fiz uma extensa pesquisa de campo sobre o assunto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As mulheres têm uma relação ambígua com a bunda. Se ela é muito pequena, ficam com complexo de desbundadas (no sentido literal da palavra) e têm o maior pavor em mostrá-la. Já, se a parte em questão é muito grande, ou mesmo saliente, ficam com complexo de elefantas e também a repudiam totalmente. Para elas, ser bunduda não é necessariamente um elogio. O contrário, muito menos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aí poderíamos cair na questão do culto ao corpo perfeito e da insatisfação sujeitada pela ditadura da beleza. Ok, esses fatores são importantes, mas não é o que quero mostrar. Quero mostrar a bunda! Ou melhor (que eu me esclareça, para manter um mínimo de decoro), quero questionar os diferentes olhares sobre a bunda e a marginalização que ela sofre na sociedade. Tirando a praia, o que resta para uma bunda hoje em dia? Ficar enfornada dentro de uma calça e, ainda por cima, totalmente vetada por camisetas e blusas que insistem em lhe tirar a glória?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Brasil adora dizer que, enquanto os Estados Unidos cultuam as tetas, nós cultuamos a bunda. Mas, ao falar isso, também se está relegando ela a um papel marginal. O Brasil só cultua a bunda em praias ou nos filmes pornográficos. Isso acaba por transformar os traseiros em algo como promessas eleitorais: só são lembrados de tempo em tempo, em ocasiões específicas. Sim, somos o país do futebol, do carnaval e do samba. Mas me atreverei a questionar outro mito nacional e lanço para minha meia dúzia de leitores a pergunta: somos, também, o país da bunda? &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;P.S.: Os professores de texto ficariam fulos com essa crônica. Repeti QUATORZE vezes a palavra "bunda". Quinze, com essa.&lt;/span&gt; &lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6486327806807057494-6011983924127552883?l=sobrejornal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrejornal.blogspot.com/feeds/6011983924127552883/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6486327806807057494&amp;postID=6011983924127552883&amp;isPopup=true' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6486327806807057494/posts/default/6011983924127552883'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6486327806807057494/posts/default/6011983924127552883'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrejornal.blogspot.com/2008/03/manifesto-bunda.html' title='Manifesto à bunda'/><author><name>Samir Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16946838284598605046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6486327806807057494.post-8932263964747007069</id><published>2008-03-13T09:46:00.000-07:00</published><updated>2008-03-13T09:54:22.092-07:00</updated><title type='text'>Incoerências</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;A Igreja Católica está mesmo apavorada. Como não consegue estancar a crescente perda de fiéis, resolveu, essa semana, fechar o cerco sobre os que ainda restam. O Papa Bento XVI aumentou, como num passe de mágica, a lista de pecados capitais. De sete, passaram para treze os atos que devem fazer com que o cristão se confesse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Alguns novos pecados até possuem um caráter mais nobre. Como, por exemplo, poluir o meio ambiente, gerar pobreza e violar os direitos humanos. Já outros itens são uma clara amostra do conservadorismo da Igreja diante das questões atuais. Aí se inclui o mais novo crime capital: realizar manipulações genéticas. Outro novo pecado é praticamente hipócrita: acumular riqueza em excesso. Ora, se o Vaticano doasse metade do ouro que tem, já estaria colaborando para a erradicação da miséria no mundo. Os trajes literalmente dourados do Santo Padre também contradizem o voto de pobreza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Bento XVI disse que a atualização da lista se faz necessária para inserir a Igreja no mundo globalizado. Mas a medida apenas fez retroceder ainda mais a milenar instituição. Enquanto a Igreja Católica não resolver essas contradições internas e se tornar um pouco mais flexível diante dos problemas contemporâneos, a perda de fiéis para os cultos evangélicos continuará atormentando o Vaticano.&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6486327806807057494-8932263964747007069?l=sobrejornal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrejornal.blogspot.com/feeds/8932263964747007069/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6486327806807057494&amp;postID=8932263964747007069&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6486327806807057494/posts/default/8932263964747007069'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6486327806807057494/posts/default/8932263964747007069'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrejornal.blogspot.com/2008/03/incoerncias.html' title='Incoerências'/><author><name>Samir Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16946838284598605046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6486327806807057494.post-5742938223500195419</id><published>2008-03-10T09:58:00.000-07:00</published><updated>2008-03-10T11:20:58.838-07:00</updated><title type='text'>Sábado nunca mais!</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Ir ao shopping center aos sábados é uma experiência que eu não recomendaria nem ao meu mais feroz inimigo. Bem, talvez a ele sim. Mas não ao segundo mais feroz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ambiente é selvagem. E digo isso sem pudor de ferir a pretensa nobre classe que habita essas várzeas. Requer um pouco de esforço mental, mas garanto que é possível imaginar as madames, as patricinhas retardadas, os emos e os playboyzinhos guerreando na fila do Burguer King ou disputando à unha um milk shake no Bob’s. As lojas são intransitáveis - o risco de se ver uma criança perdida é enorme. Eu mesmo, quando piá, me perdi uma vez num shopping. E olha que naquela longínqua década de 90 o crescimento demográfico nem era tão estrondoso assim. Ta, até era, mas a gente sempre vai pensar que “naquele tempo era melhor”, né?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Continuando meu safári, após vencer a luta por um digno milk shake pós-almoço, a batalha seria atravessar o Iguatemi até o Bourbon Country. Os nomes pomposos em nada combinavam com o ambiente. O corredor térreo do Iguatemi parecia mais a Andradas em horário de pico. O ar condicionado simplesmente não vencia a avalanche de bafos, respiros e suores que impregnava o ambiente. A passagem de um shopping a outro, atravessando uma avenida de duas mãos, poderia ser facilmente confundida com a Esquina Democrática. Não fossem, é claro, os perfumes caríssimos, os saltos altíssimos e os narizes empinadíssimos que por lá transitavam. E faltava, também, alguém distribuindo panfletos e gritando palavras de protesto num megafone velho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o dia não terminou por aí. Apesar de todas essas intempéries, ainda tive a brilhante idéia de ir ao cinema. Não podia ter sido mais infeliz. Fila enorme para comprar ingressos, fila enorme para entrar e paciência maior ainda para assistir ao filme. Sim, pois uma manada de uns 20 (verdade, eram em torno de 20!) pré-adolescentes invadiu a sala. Armados com pipocas barulhentas, bonés virados para trás e minissaias hereges - além do timbre nocauteante típico de todos os jovens de 13 anos -, eles subiam as escadas como se fossem os donos da sessão. Demoraram os 10 minutos que precedem o começo do filme apenas para escolher suas nobres acomodações. Os 10 minutos iniciais foram regados a gritos, risinhos e toda sorte de espalhafatos. Não deu outra, o segurança do cinema foi até lá chamar a atenção dos pobres anjinhos. A medida funcionou por uns 15 minutos. Após a primeira cena de susto, mais gritos e brincadeirinhas típicas daquela fase retardada da adolescência. E, dessa vez, deu briga. “Pô, dá pra calar a boca aê?!”, gritou uma mulher, em alto carioquês. “Respeitem os outros que estão tentando ver o filme”, continuou. No mesmo instante, dois seguranças robustos sobem os degraus e ameaçam expulsar o primeiro que soltar o próximo risinho aparentemente inocente. A sessão transcorreu em relativa harmonia até o final. “O orfanato” nem é um filme tão bom assim. Aos moldes de “Os outros”, o longa mistura espiritismo com uma boa dose de suspense e alguns sustos esporádicos. O final até que é interessante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após esse dia atípico, na volta para casa, ao pensar num chuveiro, numa cama e na perspectiva de uma comida caseira, podia ouvir a música ecoar em meus ouvidos: “estou a dois passos do paraíso”. Voltei à toca com duas certezas em mente. Gustave Le Bon estava certo quando teorizou que as massas são bárbaras e irracionais, e os sábados não foram feitos para serem passados no shopping! &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6486327806807057494-5742938223500195419?l=sobrejornal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrejornal.blogspot.com/feeds/5742938223500195419/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6486327806807057494&amp;postID=5742938223500195419&amp;isPopup=true' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6486327806807057494/posts/default/5742938223500195419'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6486327806807057494/posts/default/5742938223500195419'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrejornal.blogspot.com/2008/03/sbado-nunca-mais.html' title='Sábado nunca mais!'/><author><name>Samir Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16946838284598605046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6486327806807057494.post-7030636386548227957</id><published>2008-03-06T11:43:00.000-08:00</published><updated>2008-03-06T12:01:19.499-08:00</updated><title type='text'>Prima sapeca</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;__________________________________&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Brevíssimo retrospecto&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Como se sabe, ultimamente a América do Sul tem vivido dias atípicos. A incoerência e a falta de sensibilidade de alguns líderes na região fazem com que uma situação escabrosa se esboce no continente: a iminência de uma guerra. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A resolução da Organização dos Estados Americanos (OEA) não acalmou o ânimo dos hermanos vizinhos. O presidente do Equador, Rafael Correa, não se contentou apenas com uma recriminação verbal da OEA à Colômbia e afirma que fará de tudo para ver o país nos bancos de Haia, o tribunal internacional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas quem começou essa encrenca toda foi a própria Colômbia, que realizou operações militares em território equatoriano. E a coisa desandou de vez quando o presidente venezuelano Hugo Chávez se intrometeu, apoiando o Equador e mobilizando tropas na fronteira com a Colômbia.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;_______________________________                                                            &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;&lt;br /&gt;É, o clima aqui não está dos melhores. E eu fico cada dia mais apreensivo ao ver as manchetes dos jornais. Só o que se lê sobre o assunto são declarações furiosas e nocivas à paz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Paz, essa coisa tão afeita ao desenvolvimento dos povos e ao bem-estar social. Uma palavra em extinção em algumas regiões do globo e na mente de alguns governantes estrangeiros. E, agora, seu antônimo vem bater às portas da vizinhança, numa terrível visita de mau gosto. E sem avisar, ainda! Quanta falta de educação a dessa tal de Guerra! Alguém deveria ensinar a essa prima sapeca e distante da Paz que é muito feio brincar de soldadinho no quintal do próximo. Que é igualmente condenável fazer acusações sérias com uma arrogante leviandade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa Guerra é mesmo uma menina levada. Levada pelos loucos e tiranos (ou aprendizes de) para além das paragens do sofrimento e da miséria humana. Inimiga mortal de sua prima, ela estraçalha nações e deixa seqüelas eternas por onde passa. Claro, esperta como só ela, também favorece setores de peso como a economia militar e a indústria bélica. Mas isso a malandrinha não conta. Ela não diz, mas saem fofocas de que países como Rússia e Estados Unidos lucram bilhões com a venda de armas. Coitada, afinal ela também precisa ter alguma fonte de renda, né? Não pode viver só de ar, digo, de sangue e de dor. Tem que entrar alguns bilhõezinhos no fim do mês.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só sei que, caso a crescente incapacidade de coabitar desemboque mesmo num conflito armado internacional, é muito bom que o tio Lula não entre nessa onda. Egoísta e sinceramente falando, eu é que não estou nenhum pouco afim de por a farda camuflada e sair por aí dando tiros em gente. Parafraseando um célebre herói mexicano, e agora, quem poderá nos defender da irracionalidade dessa prima feia da Paz?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6486327806807057494-7030636386548227957?l=sobrejornal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrejornal.blogspot.com/feeds/7030636386548227957/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6486327806807057494&amp;postID=7030636386548227957&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6486327806807057494/posts/default/7030636386548227957'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6486327806807057494/posts/default/7030636386548227957'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrejornal.blogspot.com/2008/03/prima-sapeca.html' title='Prima sapeca'/><author><name>Samir Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16946838284598605046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6486327806807057494.post-493446336837136246</id><published>2008-02-17T20:02:00.001-08:00</published><updated>2008-02-17T20:02:55.125-08:00</updated><title type='text'>Faltou culhão</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Numa agradável conversa típica de domingo, eu e mais algumas pessoas devaneávamos sobre a cultura oriental e os benefícios que ela trazia ao povo japonês, mais especificamente. Bem, eu não participava ativamente do diálogo, minha presença física na roda era contraposta pelo jornal que eu lia sem muita emoção. Apenas escutava atentamente as opiniões expressadas. Eis que aconteceu. Num determinado momento, um certo membro do grupo começa seu brado incoerente e desprovido de qualquer fundamento. Fiquei tão perplexo que posso transcrever a fala quase na íntegra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Os japoneses são um povo que dá certo, hein. E digo mais, sabe qual é a minha teoria para que o Brasil também dê certo? Pega uns trinta navios e enche com nordestinos e manda tudo pro Japão. Os navios nem precisam chegar lá. A maioria pode afundar no caminho, matando esses nordestinos. Dae, então, enche outros trinta navios com japoneses e manda pro Nordeste. Vocês veriam, o país inteiro passaria a querer ser como o Nordeste.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O responsável por tamanha ignomínia já é vacinado, tem bem mais de 18 anos e curso superior. Sabidamente em todo o nosso bando, é envolvido com drogas e metido em algumas pendengas com o tráfico local. Pois bem, a fala desse cidadão me deixou aturdido. Escondido atrás do jornal, tive ímpetos de voar em seu pescoço. Maquinei diversas respostas à altura. Nenhuma, porém, saiu da minha temerosa e acovardada boca. Eis aqui o que eu devia ter dito:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“E sabe qual é a MINHA teoria para que o Brasil dê certo? Pega todos os drogaditos e coloca em navios a caminho de algum lugar entre a Bélgica e a Holanda. Sem clientes, não haveria mais tráfico. Sem tráfico, a violência nas favelas diminuiria consideravelmente. O país gastaria menos com segurança e poderia investir mais em educação. Com mais escolas, teríamos menos presídios e por aí seguiria uma enorme lista de correções de imperfeições históricas que assolam a nação desde os mais remotos tempos. Então, fulaninho, tu devias pensar umas quinze vezes antes de colocar a culpa num nordestino que vive nas condições (climáticas, sociais e econômicas) mais adversas possíveis e que não tem tempo nem dinheiro pra ficar sustentando o perverso ciclo social que pulveriza quaisquer ilusões de “acerto” para esse país.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não dito o parágrafo acima transcrito, não dito nada, retirei-me do recinto com o jornal quase amassado entre os dedos. Com mais raiva de mim do que dele, por não ter feito o que eu achava certo naquela hora, amaldiçoei cada momento semelhante que passei. Momentos em que nos sentimos totalmente atingidos, feridos e não conseguimos sequer expressar ares de descontentamento. Infelizmente, faltou culhão para dar a resposta.&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6486327806807057494-493446336837136246?l=sobrejornal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrejornal.blogspot.com/feeds/493446336837136246/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6486327806807057494&amp;postID=493446336837136246&amp;isPopup=true' title='13 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6486327806807057494/posts/default/493446336837136246'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6486327806807057494/posts/default/493446336837136246'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrejornal.blogspot.com/2008/02/faltou-culho.html' title='Faltou culhão'/><author><name>Samir Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16946838284598605046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>13</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6486327806807057494.post-482142450312246567</id><published>2008-02-13T15:50:00.000-08:00</published><updated>2008-02-13T15:53:49.114-08:00</updated><title type='text'>Polêmica de cuecas</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Domingo passado (10) uma reportagem estarreceu meu desânimo natural e típico do dia. A fantástica frase que abria a matéria de um certo &lt;a href="http://fantastico.globo.com/Jornalismo/Fantastico/0,,AA1672077-4005,00.html"&gt;night show &lt;/a&gt;era mais ou menos assim: “Polêmica, a babá pode usar a piscina do seu condomínio?”. Nem a emoldurada voz do Cid Moreira conseguiu acalmar minha abalada percepção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como assim, polêmica? Me parece que, ao estar sob o encargo exclusivo de tomar conta de uma (ou mais) criança (s), é intrínseco que uma babá acompanhe-a(s) em todas as suas atividades recreativas. Não consigo conceber que o preconceito e a síndrome-do-nariz-empinado cheguem ao ponto de barrar a entrada da empregada e, por conseqüência, da criança, numa área de lazer aberta a todo o condomínio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Ah, mas a babá não mora no prédio”, alegam os narizes empinados. Usam a norma como meio de proibição, ainda que erroneamente. Ora, aposto que as babás passam mais tempo nos condomínios de luxo do que as madames e os empresários que pagam os aluguéis ou possuem o imóvel. Feitos os trâmites legais e exames médicos, por que uma babá não poderia cuidar de uma criança na piscina? Estariam, então, os filhos da classe média alta proibidos dessa benesse por puro preconceito?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A reportagem me fez pensar que estamos à beira de um apartheid social. Assim, fica difícil ver alternativas plausíveis para uma nação tão controversa, mas que precisa, antes de tudo, de união.&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6486327806807057494-482142450312246567?l=sobrejornal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrejornal.blogspot.com/feeds/482142450312246567/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6486327806807057494&amp;postID=482142450312246567&amp;isPopup=true' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6486327806807057494/posts/default/482142450312246567'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6486327806807057494/posts/default/482142450312246567'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrejornal.blogspot.com/2008/02/polmica-de-cuecas.html' title='Polêmica de cuecas'/><author><name>Samir Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16946838284598605046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6486327806807057494.post-4469687471215343553</id><published>2008-01-31T10:12:00.000-08:00</published><updated>2008-01-31T10:48:04.680-08:00</updated><title type='text'>Coisas de cidade pequena e um pouco mais</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Todas as cidades pequenas têm suas peculiaridades. Eu lembro que, quando criança, adorava ver aqueles filmes que mostravam comunidades pacatas que escondiam grandes segredos, por vezes mortais. Agora, um pouco mais crescido e já (parcialmente) despido das fantasias infantis, a realidade se sobrepõe ao fantástico. Embora ela seja tão incrível quanto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há alguns dias, denúncias de corrupção na Câmara Municipal de Santo Antônio da Patrulha abalaram o plácido cenário político local. Vereadores e servidores teriam recebido diárias para viagens e cursos que nunca freqüentaram ou que sequer existiram. A &lt;a href="http://mediacenter.clicrbs.com.br/templates/player.aspx?uf=1&amp;amp;contentID=11236&amp;amp;channel=41"&gt;reportagem &lt;/a&gt;exibida no Jornal do Almoço expôs a falta de vergonha na cara de alguns ilustres membros da política patrulhense. Dentre eles, o vereador e atual secretário de Obras, Manuel Adam, que, após ficar ruborizado e mentir em cadeia regional, ainda tem a audácia de afirmar no jornal local que a entrevista foi manipulada pela RBS. O acusado diz que, dos 10 minutos da entrevista concedida, a emissora utilizou apenas um pequeno trecho. Ora, Manuel, bem-vindo ao mundo real. Por acaso ele esperava que o JA abrisse um espaço de 10 minutos (o que é absurdamente exagerado, tratando-se de televisão) apenas para o vereador “se explicar”? Em jornalismo, a regra é sempre fazer uma entrevista longa para dela aproveitar apenas pequenas partes. É muito fácil acusar a RBS e cair na retórica. Difícil é ser coerente e usar argumentos palpáveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A partir daí, estende-se uma longa rede de tramas e mútua proteção na cidade. O jornal local, “&lt;a href="http://www.folhapatrulhense.com.br/"&gt;Folha Patrulhense&lt;/a&gt;”, comprometido com os interesses dos que estão no poder, tem tanto medo de acusar que chega a colocar uma nota explicando ao leitor que apenas reproduz as denúncias do Ministério Público. Claro, afinal, quem é o maior patrocinador e fornecedor de notícias ao jornal? A Câmara de Vereadores! Juntamente com a Prefeitura, a Câmara é a responsável pelo municiamento de informações ao periódico, que não possuí redação nem jornalistas. Assim, é compreensível que as matérias ressaltem a defesa dos vereadores e não informem todo o teor da denúncia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que vai acontecer? Não se sabe. Pode ser que nem dê em nada. Até agora, o prefeito não sinalizou qualquer mal-estar com a situação. Manuel Adam continua como secretário de Obras e a mídia local continua tentando proteger ferrenhamente seus padrinhos políticos. Por mais que o exemplo seja extremamente pífio e grotesco, lembro-me, agora, de uma frase do polêmico colunista da (argh!) Veja, Diogo Mainardi: “Políticos são todos vagabundos”. Ok, generalizações são perigosas. Mas, ao menos em Santo Antônio, a vagabundagem tem mostrado as caras.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6486327806807057494-4469687471215343553?l=sobrejornal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrejornal.blogspot.com/feeds/4469687471215343553/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6486327806807057494&amp;postID=4469687471215343553&amp;isPopup=true' title='14 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6486327806807057494/posts/default/4469687471215343553'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6486327806807057494/posts/default/4469687471215343553'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrejornal.blogspot.com/2008/01/coisas-de-cidade-pequena-e-um-pouco.html' title='Coisas de cidade pequena e um pouco mais'/><author><name>Samir Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16946838284598605046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>14</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6486327806807057494.post-6041262460547286132</id><published>2007-12-23T20:43:00.000-08:00</published><updated>2008-11-13T18:10:40.885-08:00</updated><title type='text'>Sobre tudo, menos camas e gatos</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_ZxS2h3raZc4/R289hbRS5xI/AAAAAAAAAE0/R5Ba6JPNnlI/s1600-h/cama_de_gato_06.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5147400543573042962" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_ZxS2h3raZc4/R289hbRS5xI/AAAAAAAAAE0/R5Ba6JPNnlI/s200/cama_de_gato_06.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_ZxS2h3raZc4/R289JbRS5wI/AAAAAAAAAEs/QkF0j2DvNp4/s1600-h/cama_de_gato_06.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Os dois estão transando. A dança dos corpos é rítmica e envolvente como, de resto, é qualquer transa consentida. De repente, o armário se abre e saem dois garotos. A menina, amarrada e vendada, não percebe o movimento dos intrusos. O menino, morrendo de rir, é cúmplice.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Reconhece a cena? Longe – ou nem tanto - de ser um quadro dadaísta, a moldura acima retratada é um fragmento de “Cama de Gato”. O filme mais perturbador que meu modesto repertório já conheceu. Seguramente, o mais escabroso e delicioso de todos. Tanta repugnância junta chega a aliviar a alma. Lavá-la. Enfim, o mundo não é perfeito. Enfim, não há perseguições alucinadas nem efeitos especiais. A insanidade é crua e nojenta. Podre. Chula. Embutir esse conceito numa perspectiva de realidade é o que mais atormenta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A insanidade apavora tanto por vir acompanhada da realidade, ambas revestidas pelo manto transparente da ficção. É isso que fez Sérgio Stockler ao dirigir o longa: travestiu essas duas inimigas numa obra sem igual que consegue debochar de toda a complexidade do mundo contemporâneo sem fazer rir. E, provavelmente, sem ter consumido muitos réis. Afinal, quanto é preciso para pagar o cachê de três jovens e alguns coadjuvantes, expor órgãos genitais a esmo e, ainda, um ânus que passa rápido (contraindo-se!) pelos olhos assustados como uma tentativa pútrida de mensagem subliminar? Esse valor, seja ele qual for, é o preço da realidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o melhor vem depois. As opiniões débeis da juventude de classe média brasileira confirmam os inenarráveis conceitos do filme. Filme que, realmente, deixa uma marca no espectador. Um &lt;a href="http://www.trauma.art.br/"&gt;TRAUMA&lt;/a&gt;, que seja. Filme que deve ser visto e odiado por todos. Pois só a hipocrisia do ódio pode denotar o erro. Que erro? Não sei. Veja você e tente achar o seu.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:78%;"&gt;Imagem: &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.overmundo.com.br/banco/cama-de-gato-06"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:78%;"&gt;overmundo&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6486327806807057494-6041262460547286132?l=sobrejornal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrejornal.blogspot.com/feeds/6041262460547286132/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6486327806807057494&amp;postID=6041262460547286132&amp;isPopup=true' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6486327806807057494/posts/default/6041262460547286132'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6486327806807057494/posts/default/6041262460547286132'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrejornal.blogspot.com/2007/12/sobre-tudo-menos-camas-e-gatos.html' title='Sobre tudo, menos camas e gatos'/><author><name>Samir Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16946838284598605046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_ZxS2h3raZc4/R289hbRS5xI/AAAAAAAAAE0/R5Ba6JPNnlI/s72-c/cama_de_gato_06.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6486327806807057494.post-1956023030755318158</id><published>2007-12-12T10:50:00.000-08:00</published><updated>2007-12-12T11:05:59.091-08:00</updated><title type='text'>The Passenger*</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;O ônibus era velho. Muito velho. Antes de embarcar, o motorista saiu com um martelo e testou a consistência dos pneus (que tinham quase o meu tamanho). “É uma medida de rotina”, pensei, tentando me confortar um pouco. Eram 17h30min e eu estava num lugar desconhecido. Minha única certeza era que dentro de uma hora, no máximo, estaria em casa. Ledo engano. Fiquei peregrinando entre paragens desérticas e totalmente inóspitas durante duas intermináveis horas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao entrar, municiei-me com o mp3 e segui viagem acompanhado dos meus cantores favoritos. A bateria estava carregada e deveria durar um bom tempo – eu estava seguro. Podia até dormir um pouco. Cometi então o erro fatal dos que andam por lugares incógnitos: cochilei. Ao abrir novamente os olhos, estava numa estrada de chão onde mal havia espaço para um carro. Mais ainda, estava num morro. Subindo! Pela janela só se via poeira e vacas. Vacas e poeira. O veículo tremia como barriga de criança em consultório de dentista. Meu estômago tremia. Eu tremia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Putz, será que peguei o ônibus errado? Será que estão me levando para Cacimbinhas do Sul ou qualquer um desses locais inexistentes que atormentam o pensamento dos andarilhos? Aliás, andarilho era o que não faltava naquele ônibus. E eu estava bem próximo da porta de embarque, logo, cada vez que alguém entrava (sim, havia também seres humanos naquela parte do mundo) eu era inundado pelo fluxo constante de poeira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já havia se passado uma hora e nenhum sinal da civilização por perto. As outras pessoas pareciam todas iguais. Com expressões apáticas e roupas humildes. As mãos e os pés calejados e os rostos pedregosos traziam a marca do trabalho encravada na pele. Pareciam mais fantasmas do que pessoas. Não consegui mais ouvir música. Estava vidrado naquele trajeto macabro que me conduzia a um destino incerto. Parecia que eu fazia parte de um livro de Stephen King, com direito a distorção da realidade e tormento psicológico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois bem, após mais um tempo entre o barro e o pó, eis que surge a miragem. Ao longe, vejo uma faixa negra que corta – em linha reta, felizmente – a estrada com uma determinação ardilosa. Era o asfalto! Tudo bem que eu ainda assim não conhecesse a estrada. Mas era asfalto! Macio, retilíneo e comprido como todo asfalto. Sua extensão ultrapassava a linha do horizonte e me reconfortava imensamente. E continuou me reconfortando apenas por alguns minutos. Um pouco adiante, o pesadelo à la Stephen King recomeçou. O ônibus entrou em outra ruela de chão batido perturbadoramente igual às anteriores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O celular estava sem sinal e eu estava sem paciência. Sem esperanças, também. Só queria ver alguma paisagem conhecida. Alguma casa familiar. Não sei quando, mas em algum momento entre 17h30min e 20h cheguei em casa. Cheguei à terrinha. Entrei na cidade por uma rua que sequer sabia que existia. Entrei por becos nunca explorados, virgens aos meus olhos de bicho assustado que retorna ao lar. O ônibus Citral da linha Taquara – Santo Antõnio estacionou na rodoviária e me devolveu ao chão e à realidade. Agora, esgotado e tão apático quanto os demais passageiros, eu só precisava de uma coisa. Não queria vomitar. Nem comer, apesar de estar enjoado e com fome. Queria apenas um banho!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;font-size:78%;"&gt;* Qualquer alusão à musica do Iggy Pop &lt;strong&gt;não&lt;/strong&gt; é mera coincidência.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6486327806807057494-1956023030755318158?l=sobrejornal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrejornal.blogspot.com/feeds/1956023030755318158/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6486327806807057494&amp;postID=1956023030755318158&amp;isPopup=true' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6486327806807057494/posts/default/1956023030755318158'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6486327806807057494/posts/default/1956023030755318158'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrejornal.blogspot.com/2007/12/passenger.html' title='The Passenger*'/><author><name>Samir Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16946838284598605046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6486327806807057494.post-7458309086139999598</id><published>2007-11-30T08:48:00.000-08:00</published><updated>2007-11-30T09:18:31.691-08:00</updated><title type='text'>Um mal sigiloso</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Existem coisas que simplesmente não nasceram para mim. Coisas que não combinam ou que, de alguma maneira misteriosa, não se adaptam a minha ínfima existência terrena. Poderia enumerar uma lista mirabolante dessas efemérides. Contudo, a mais significativa e inexplicavelmente horripilante delas é aquela brincadeira (divertida?) típica das festas de final de ano chamada ironicamente de amigo secreto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Várias são as lendas que tentam explicar o seu surgimento. Uns dizem que surgiu na Inglaterra, a partir do século 15, quando se estabeleceu a noite do dia 24 de dezembro para a troca de presentes. Fontes históricas afirmam que a prática é muito mais arcaica. Viria desde a Grécia antiga onde, em algumas datas festivas, costumava-se presentear pessoas influentes que eram escolhidas ao acaso. A versão que mais me parece verossímil, contudo, é a de que o amigo oculto teria sido uma atividade recreativa adotada nos Estados Unidos durante o início de seu processo industrial. Segundo essa variante, os funcionários eram obrigados a participar de uma confraternização onde tinham que presentear os companheiros de trabalho. O sorteio teria sido a melhor forma encontrada para se evitar que alguém ficasse sem presente devido a brigas internas ou à impopularidade junto aos colegas. Pode-se observar, então, que a inocente brincadeira natalina emerge de uma prática altamente autoritária e terrivelmente desestimulante. Sim, pois quem não quer participar se vê obrigado a fazê-lo. O que acaba gerando um ciclo de descontentamento que, com toda a certeza que os meus 19 anos de jogador pífio desta escabrosa seita me conferem, atingirá de forma letal e fulminante o pobre presenteado. O suposto “amigo”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o passar do tempo e a conseqüente evolução do homem, aboliu-se a obrigatoriedade do amigo secreto. Em partes, é claro. A pressão social para que uma pessoa participe dessa atividade senil é imensa. Aquele que, por puro exercício de seu livre-arbítrio, não integrar a roda do amigo oculto pode ser informalmente excluído do grupo ou, de uma maneira mais discreta, deixado de lado. Deveria haver um decreto, uma medida provisória ou um projeto de lei que estabelecesse seguridade social aos não-participantes do amigo secreto. Seria uma pauta tão importante que a CPMF sequer valeria os subterfúgios que estão sendo usados para comprá-la. Dá para imaginar o Congresso Nacional em polvorosa para votar tal medida. Oposição e situação se uniriam em prol do bem comum. Realmente, seria um fato histórico. Uma página a mais nos livros didáticos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto isso não acontece, sigo com a minha sina amigosecretística, sem coragem de deixar de participar e com a eterna esperança de que um dia me darei bem. Doce ilusão. Integro a seita desde que nasci. Na minha família, até os bebês participam. Numa subversão total dos princípios, as respectivas mães ficam encarregadas do “amigo” da criança que sequer pode responder por si mesma. Não tenho escolha. E, apesar de tomar parte no jogo desde muito antes de aprender os pedregosos meios pelos quais ele se impõe, nunca tive o prazer de sair feliz da brincadeira. Sabe aquela pessoa mala da família? Sim, ela me tirava. Ou vice-versa. Quanto aos presentes, bom, vou me abster de comentá-los. Até porque o melhor não é o bem físico que pode trazer o amigo secreto, mas, sim, os benefícios psico-sociais que ele acarreta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mim, obviamente, nunca trouxe nenhum. O amigo oculto é uma atividade totalmente previsível para os meus 19 anos de experiência. E não se trata de clarividência. Muito menos de qualquer tipo de agouro ou rabugice. No meu caso, o amigo secreto é a mais pura comprovação física da teoria nietzscheziana do eterno retorno: tudo se repete em algum momento da vida. Pretendo um dia ser forte e autodidata o suficiente para quebrar as amarras que me prendem a esse jogo macabro. Me livrar desse inimigo clandestino que me persegue todos os anos. Até lá, resta apenas fazer a já tão ensaiada cara de bunda e depois, quem sabe, escrever um texto para exorcizar o atroz ritual.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6486327806807057494-7458309086139999598?l=sobrejornal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrejornal.blogspot.com/feeds/7458309086139999598/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6486327806807057494&amp;postID=7458309086139999598&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6486327806807057494/posts/default/7458309086139999598'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6486327806807057494/posts/default/7458309086139999598'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrejornal.blogspot.com/2007/11/um-mal-sigiloso.html' title='Um mal sigiloso'/><author><name>Samir Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16946838284598605046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6486327806807057494.post-5401138085721275016</id><published>2007-11-21T13:45:00.000-08:00</published><updated>2007-11-21T13:47:42.025-08:00</updated><title type='text'>Os banheiros e a consciência social</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Dentre os tantos clichês que a contemporaneidade nos impõe, um é, certamente, indubitável. Vivemos na era da informação. Em todo o momento, somos bombardeados por uma torrente de signos, palavras e expressões que buscam a nossa atenção. Em meio ao frenesi desvairado  da internet e à apatia sensacional da televisão, perdemos um pouco a capacidade de prestar atenção às futilidades cotidianas. Como as frases de banheiro coletivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um lugar quase sagrado, o banheiro é onde entramos em contato com o extremo ser interior. Possui diversas utilidades (desde a higiene básica até os lampejos de narcisismo que fazem a pessoa ficar horas em frente ao espelho) e não é reconhecido. Ninguém louva essa peça fundamental da casa. Ninguém quer saber do banheiro. Usam-no apenas pra fazer merda, literalmente. Mas não percebem que é no bucólico recinto que pensamos sobre as coisas da vida, refletimos os pequenos fatos do dia e, até mesmo, cantamos desesperadamente as melodias mais inesperadas ao chuveiro. Quem nunca desenterrou aquela música que sequer lembrava existir na hora do banho?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E nos toaletes  públicos aparece uma fantástica contradição. Não somos mais os únicos responsáveis pelos dejetos que lançamos. Na porta ao lado pode haver alguém na mesma situação. E na do lado da do lado, também. Todas padronizadas, com o mesmo tamanho e escondendo as mesmas intimidades. Esse caráter coletivo da podridão do animal humano deve, misteriosamente, ativar um certo comportamento expressivo ancestral. As portas possuem desenhos os mais diversos. Algo que lembra as pinturas rupestres dos nossos primos neandertais. Será que eles também as concebiam em momentos de profunda introspecção? Não há como dizer, mas as pinturas banheirestres merecem mais atenção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre obscenidades e xingamentos a times de futebol rivais, pode-se achar verdadeiras pérolas. Já vi de tudo. Desenhos de sexos expostos, Bob Marley com suas cannabis e toda a sorte de frases de caminhoneiro. Preciosidades como “Nas curvas do teu corpo capotei meu coração” mostram que o ser humano também pode poetizar enquanto defeca. Entretanto, me prendeu os olhos, dia desses, as manifestações revoltadas encravadas numa porta. “Universidade estatal já”, “fora à PUC” e “educação para todos” cativaram meu inconsciente. Ainda que um tanto exageradas, as frases mostram uma consciência social incipiente. Não estavam pichadas nas paredes sujas da Av. Borges de Medeiros, nem em qualquer faixa de partido político. Estavam na porta de um banheiro público. Ao lado, o mesmo misterioso autor ou autora escrevera “igualdade aos analfabetos e excluídos, fim às (crase minha) desegualdades sociais”. Em seguida, outra grafia e outra tinta destacavam o erro monstruoso da palavra desigualdade e assinalavam: “por que será que ainda há desigualdade?”. Menosprezei o tom preconceituoso do comentário em prol de um pensamento maior. O que se assistia era a um debate travado às portas do banheiro! Algo magnífico e inédito para mim, eterno reparador dos aforismos banheirescos. Pensei em puxar uma caneta e revidar. Xingar os dois. Relutei. Imaginei as faxineiras tendo que esfregar incessantemente as portas e achei melhor não colaborar com a sujeira. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;br /&gt;Mas o pequeno debate me instigou. Certamente, o ser humano está evoluindo a um patamar considerável. Ser capaz de pensar nos problemas sociais enquanto realiza atividades totalmente intimistas é um sinal de, no mínimo, esclarecimento próprio. Sinal de que não olhamos apenas para a própria merda, mas, sim, para a merda alheia. Para o que todos nós fizemos ou ainda fazemos de ruim e que culmina nessa grande pocilga brasileira. Um dia alguém ainda puxa a descarga.&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6486327806807057494-5401138085721275016?l=sobrejornal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrejornal.blogspot.com/feeds/5401138085721275016/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6486327806807057494&amp;postID=5401138085721275016&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6486327806807057494/posts/default/5401138085721275016'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6486327806807057494/posts/default/5401138085721275016'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrejornal.blogspot.com/2007/11/os-banheiros-e-conscincia-social.html' title='Os banheiros e a consciência social'/><author><name>Samir Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16946838284598605046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6486327806807057494.post-6231313444022773731</id><published>2007-11-13T08:58:00.000-08:00</published><updated>2007-11-13T09:04:09.955-08:00</updated><title type='text'>Crime feminino</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Se eu fosse mulher, seria uma ladra. Uma assaltante de bancos, mais especificamente. As mulheres são tolas, ainda não perceberam o enorme potencial que possuem. Há todo um nicho mercadológico feminino para as que quiserem seguir carreira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aconteceu ontem, antes de ontem e sempre. Vem acontecendo há um ano, desde que abri contas em duas redes bancárias do país. Primeiro, vem o apito. Em seguida, uma voz metálica e acusadora denuncia: “Você está portando objetos metálicos, coloque-os no compartimento ao lado e tente novamente.” Mas as chaves e o celular já estão no tal compartimento. O que é que falta, afinal? É aí que acontece. Abro a mochila e, não satisfeitos, os seguranças ordenam que eu folheie o caderno e revele tudo o que há nos seus compartimentos. Todas as folhas soltas e amassadas, os pacotes de chicletes e bolachas recheadas são expostos. Livros, contas para pagar, nada passa despercebido ao olhar atendo dos guardas. “Tudo bem”, penso, “afinal é o procedimento padrão deles, é para a segurança do banco”. Após o penoso processo, que provavelmente irrita a todos os que estão esperando, posso finalmente entrar no paraíso capitalista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O clima de uma agência já não é muito confortável. Aquele cheiro de ar artificial, os caixas milimetricamente organizados e o excesso de sinalização produzem um misto de segurança e desconforto. Como se tudo estivesse perfeito, esperando por você. Até cafezinho eles oferecem! Até você fazer sua conta, é claro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a surpresa maior é a facilidade com que as mulheres têm acesso ao local. Se a voz acusa que um homem está portando objetos metálicos, ocorre todo o criterioso método já descrito para a revisão. Entretanto, se uma mulher é denunciada, o segurança lança um olhar complacente e permite que a dama se dirija ao balcão de atendimento. A revisão, no máximo, restringe-se a uma olhada não muito discreta nas curvas suntuosas da fêmea, se ela as possuir, é claro. Ela poderia facilmente portar uma arma e mesmo assim entrar. Idosas, então, sequer são olhadas. Passam direto, como se a porta não existisse. Imagine, se eu fosse uma velha, ganharia a vida assaltando bancos. Sem mais problemas financeiros. Afinal, quem suspeitaria de uma senhora aparentemente inocente ou das curvas bem delineadas de uma jovem estagiária? E as mulheres ainda reclamam mais direitos! Já possuem até o direito de roubar! O que mais falta reivindicar? Ainda bem que não se dão conta do poder que têm nas mãos. Ou melhor, nas curvas. Caso contrário, nem a década de 70 veria tantos assaltos a banco. Seria o fim do capitalismo moderno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estupefato, resigno-me a minha inferioridade de macho. Espécie recessiva e minoritária. Falho de curvas suntuosas e de regalias em agências bancárias. Eternamente sujeito a humilhações mochilescas para poder pagar uma conta. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6486327806807057494-6231313444022773731?l=sobrejornal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrejornal.blogspot.com/feeds/6231313444022773731/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6486327806807057494&amp;postID=6231313444022773731&amp;isPopup=true' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6486327806807057494/posts/default/6231313444022773731'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6486327806807057494/posts/default/6231313444022773731'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrejornal.blogspot.com/2007/11/crime-feminino.html' title='Crime feminino'/><author><name>Samir Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16946838284598605046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6486327806807057494.post-6259865492485442377</id><published>2007-11-06T08:49:00.000-08:00</published><updated>2008-11-13T18:10:41.556-08:00</updated><title type='text'>Rosas ao preconceito</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt; &lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5129779077255382050" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_ZxS2h3raZc4/RzCi5FwJxCI/AAAAAAAAAD8/X1wNz874VD8/s320/rosa11.JPG" border="0" /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;“Não”. Foi com essa palavra que ela transformou a história dos direitos civis nos Estados Unidos. Tudo o que Rosa Parks queria era voltar para casa tranqüilamente após uma tarde de trabalho. A costureira negra de 42 anos acabou o dia na prisão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ano era 1955. Na cidade de Montgomery, estado do Alabama, as leis racistas imperavam. Não era diferente em todo o sul do país. A escravidão havia sido abolida há quase um século (1865), mas, na prática, pouca coisa mudou. Dentre as exigências da ignorância, estava a de que os negros deviam sentar-se somente nos bancos traseiros dos ônibus e, se o veículo estivesse lotado, deveriam ceder o lugar aos brancos.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_ZxS2h3raZc4/RzCeCFwJw9I/AAAAAAAAADU/dKzm6rSWQEs/s1600-h/rosa.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Rosa Louise McCauley nasceu no Alabama em 1913. Filha de uma professora, ela aprendeu desde cedo a importância dos valores humanos. “Minha mãe era professora em uma pequena escola, ela acreditava em liberdade e igualdade para as pessoas.” Após concluir os primeiros estudos, Rosa mudou-se para Montgomery com seu marido, Raymond Parks. Lá, em 1943, juntaram-se à &lt;em&gt;National Association for the Advanced of Colored People&lt;/em&gt; (&lt;a href="http://www.naacp.org/"&gt;NAACP&lt;/a&gt;)&lt;em&gt;, &lt;/em&gt;entidade que defendia o direito dos negros. “Eu trabalhei em inúmeros casos com a NAACP, mas nós não tínhamos publicidade. Era mais uma questão de tentar desafiar o poder e deixá-lo saber que nós (os negros), não queríamos continuar sendo cidadãos de segunda classe”, declarou, em entrevista ao site www.achievement.org.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_ZxS2h3raZc4/RzCe_lwJw_I/AAAAAAAAADk/9oIFr-xtnNE/s1600-h/rosa2.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_ZxS2h3raZc4/RzCjKVwJxDI/AAAAAAAAAEE/HxHOJRZvJMs/s1600-h/rosa22.JPG"&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_ZxS2h3raZc4/RzCm7lwJxFI/AAAAAAAAAEU/W1UmSCYP5Xk/s1600-h/rosa22.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5129783518251566162" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_ZxS2h3raZc4/RzCm7lwJxFI/AAAAAAAAAEU/W1UmSCYP5Xk/s200/rosa22.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Aconteceu no dia 1º de dezembro de 1955. A costureira saiu do trabalho numa loja de departamentos e sentou no primeiro banco para pessoas de cor, no meio do ônibus. Três paradas mais tarde, o veículo encheu e faltou lugar para um homem branco. Como regia a lei, o motorista ordenou que quatro passageiros negros se levantassem. Rosa recusou. Foi considerada culpada, teve que pagar fiança para sair da cadeia e perdeu o emprego.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O episódio de 1955 não foi, contudo, algo novo em sua vida. Ela sempre lutou pela igualdade de direitos. O que aconteceu naquela tarde de 1º de dezembro foi uma inevitabilidade. “O incidente não foi planejado, mas já era esperado por causa de toda a tensão que havia entre negros e brancos na época”, confessou a costureira em uma entrevista dada pouco antes de morrer à revista Aventuras na História.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seu pequeno gesto resultou num boicote geral dos negros à empresa de ônibus da cidade. Sob a liderança de um então desconhecido pastor local, Marin Luther King Jr, a população negra de Montgomery ficou 381 dias sem pisar num coletivo. “Nós tínhamos outras opções, como ir a pé ou de carona para o trabalho. Já o sistema de transporte não, pois poucos brancos andavam de ônibus. Sem os negros, os prejuízos foram enormes”, afirmou Rosa. O resultado do protesto foi significativo. Em 21 de dezembro de 1956, a Suprema Corte norte-americana declarou inconstitucionais as leis racistas do Alabama.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_ZxS2h3raZc4/RzCnR1wJxGI/AAAAAAAAAEc/kKG57FcMpfg/s1600-h/rosaa.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5129783900503655522" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_ZxS2h3raZc4/RzCnR1wJxGI/AAAAAAAAAEc/kKG57FcMpfg/s200/rosaa.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Em 1957, devido a constantes ameaças de morte, Rosa mudou-se com seu marido para Detroit, no estado de Michigan. Trinta anos depois, criou o &lt;a href="http://www.rosaparks.org/"&gt;Instituto Rosa &amp;amp; Raymond Parks para o Autodesenvolvimento&lt;/a&gt;. Na organização, a viúva (Raymond faleceu em 1977) e uma equipe de voluntários trabalham com mais de seis mil crianças e jovens entre 11 e 17 anos. Como Rosa bem define, “nosso trabalho é fazer com que cada um descubra o que há de melhor em si mesmo”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao refletir sobre os acontecimentos mais marcantes de sua vida e do mundo em geral nos últimos 48 anos, Rosa tem consciência de que ainda há muito a ser feito. “Vivíamos uma segregação racial legalizada e andávamos de cabeça baixa. Os brancos pensavam que eram superiores e não houve um único dia em que eu não tenha &lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_ZxS2h3raZc4/RzCjclwJxEI/AAAAAAAAAEM/fEbEyM1WZUc/s1600-h/rosaa.JPG"&gt;&lt;/a&gt;me sentido humilhada. Hoje temos os mesmos direitos que eles. Mas ainda há muita desigualdade e injustiça. O caminho é longo.” E, para ela, certamente o caminho foi extenso. O reconhecimento pelo seu esforço, porém, foi tão nobre quanto as ações que realizou em vida. Entre dezenas de prêmios, Rosa recebeu do então presidente Bill Clinton, em 1999, a Medalha Presidencial da Liberdade, a maior condecoração oficial que um civil norte-americano pode almejar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na noite do dia 24 de outubro de 2005, aos 92 anos de idade, a pioneira morreu por causas naturais. Seu enterro foi comparável ao de uma autoridade, contando, inclusive, com a presença do presidente George Bush. A vida e a obra humanitária da “mãe do movimento dos direitos civis”, como ficou conhecida, não será jamais esquecida. Ao menos todo dia quatro de fevereiro ela será lembrada no estado de Michigan. Às segundas-feiras, após essa data, é sempre feriado. É o Dia de Rosa Parks.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fotos: &lt;a href="http://www.achievement.org/"&gt;achievment.org&lt;/a&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6486327806807057494-6259865492485442377?l=sobrejornal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrejornal.blogspot.com/feeds/6259865492485442377/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6486327806807057494&amp;postID=6259865492485442377&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6486327806807057494/posts/default/6259865492485442377'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6486327806807057494/posts/default/6259865492485442377'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrejornal.blogspot.com/2007/11/rosas-ao-preconceito.html' title='Rosas ao preconceito'/><author><name>Samir Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16946838284598605046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_ZxS2h3raZc4/RzCi5FwJxCI/AAAAAAAAAD8/X1wNz874VD8/s72-c/rosa11.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6486327806807057494.post-1644884629242689011</id><published>2007-10-26T12:06:00.000-07:00</published><updated>2007-10-26T12:12:22.218-07:00</updated><title type='text'>Rota de sangue</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Ao abrir o livro &lt;a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=3119376"&gt;Rota 66&lt;/a&gt;, de Caco Barcellos, abre-se uma janela para a realidade. As 274 páginas que compõem a impressionante história passam pelos olhos tão rápido quanto o é a narrativa. Ao mergulhar no terrível mundo do crime praticado pelos que deveriam condená-lo, não há como sair ileso. Não há como não se revoltar com o dossiê extremamente bem fundamentado preparado pelo repórter. Não há como não se envolver com as histórias tristemente reais contadas com todo o tino que só um jornalista profissional conseguiria ter. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rota 66 é muito mais do que um livro sobre, como bem diz o autor, “a polícia que mata”. Trata-se de uma obra que denuncia todo um complexo sistema de execução do mais fraco sustentado pela Polícia Militar de São Paulo. A Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar) é uma unidade de elite da polícia paulista e contava, na época, com apenas 50 membros divididos em 10 caminhonetes modelo Veraneio. Cada veículo acomodava quatro soldados (mais um comandante) armados com pistolas, metralhadoras e diversos tipos de bombas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os policiais, na teoria, deveriam formar um grupo ágil e bem equipado de repressão ao crime nas ruas da maior cidade do país. Na prática, porém, constituíam um esquadrão da morte. Não prendiam, torturavam e matavam. Atiravam primeiro, perguntavam depois. Mesmo em tempos de ditadura (a Polícia Militar foi criada em 1970, no auge da repressão no Brasil), é chocante saber que a ignorância e a intolerância chegaram a níveis tão extremos, num patamar de brutalidade e barbárie, pode-se dizer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caco Barcellos conduz o leitor a uma viagem tortuosa por uma São Paulo marcada pelo crime e pela violência policial. O jornalista conta, em detalhes, como agiam os matadores e como agia, também, o nefasto sistema jurídico-político que lhes concedia total liberdade e impunidade. O livro é fruto de anos de pesquisa em delegacias, necrotérios e tribunais. Ao final, Caco consegue traçar um perfil criterioso das vítimas e dos assassinos. Além de identificar, pelo menos, quatro mil e duzentas das 12 mil vítimas da PM entre 1970 e 1992. Os números são assombrosos, comparáveis aos de uma guerra. Desse total, 65% eram pessoas inocentes. Gente que nunca havia praticado um crime.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mais deprimente, entretanto, é constatar que não era um ou outro policial que matava. Era todo um sistema que favorecia, literalmente, com prêmios e promoções, os maiores matadores da PM. Não importa se era inocente ou culpado, tinha que morrer. Apenas um fator era determinante: ser pobre. Sem ter condições de reivindicar seus direitos, a população de baixa renda era o alvo primordial dos assassinos fardados. Pobre, para eles, era igual a ladrão, a marginal. O único episódio em que as vítimas foram jovens ricos da elite paulista, o caso Rota 66, não foi, contudo, muito diferente dos demais. Apenas a repercussão na imprensa foi maior. Os responsáveis pelo crime saíram ilesos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Publicado em 1992, Rota 66 já foi editado 37 vezes, sendo a última em 2002. Não há, porém, como descrever a sensação experimentada ao terminar de ler a obra. É como se faltassem páginas. É como se todo aquele revoltante aparato pró-morte ainda estivesse ativo. E, de fato, está. A democracia já está instaurada, mas as arbitrariedades ainda existem. Faltam mais Cacos Barcellos para retratar as histórias das atuais vítimas. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6486327806807057494-1644884629242689011?l=sobrejornal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrejornal.blogspot.com/feeds/1644884629242689011/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6486327806807057494&amp;postID=1644884629242689011&amp;isPopup=true' title='14 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6486327806807057494/posts/default/1644884629242689011'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6486327806807057494/posts/default/1644884629242689011'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrejornal.blogspot.com/2007/10/rota-de-sangue.html' title='Rota de sangue'/><author><name>Samir Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16946838284598605046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>14</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6486327806807057494.post-2661334369414086029</id><published>2007-10-22T03:35:00.000-07:00</published><updated>2008-11-13T18:10:41.874-08:00</updated><title type='text'>Morto</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_ZxS2h3raZc4/Rxx-xhYpLwI/AAAAAAAAADE/A0mQcG9O9OA/s1600-h/carioca_sinaf_vivo1.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5124109865281203970" style="CURSOR: hand" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_ZxS2h3raZc4/Rxx-xhYpLwI/AAAAAAAAADE/A0mQcG9O9OA/s320/carioca_sinaf_vivo1.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_ZxS2h3raZc4/Rxx-qBYpLvI/AAAAAAAAAC8/dNPf7RTQFSU/s1600-h/carioca_sinaf_vivo1.JPG"&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Imagem: &lt;a href="http://images.google.com.br/imgres?imgurl=http://www.janela.com.br/imagens/pecas/carioca_sinaf_vivo.jpg&amp;amp;imgrefurl=http://www.janela.com.br/anteriores/Janela_2003-04-26.html&amp;amp;h=117&amp;amp;w=350&amp;amp;sz=16&amp;amp;hl=pt-BR&amp;amp;start=3&amp;amp;tbnid=aVkHW5OMNufIaM:&amp;amp;tbnh=40&amp;amp;tbnw=120&amp;amp;prev=/images%3Fq%3Dvivo%2Bmorto%26gbv%3D2%26svnum%3D10%26hl%3Dpt-BR"&gt;Janela Publicitária&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Após o fatídico episódio do assalto, tive que providenciar um celular novo. A linha já estava bloqueada, pronta para encarnar em outro aparelho. Só faltava o suporte físico. Mas a Vivo não colaborou!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segunda-feira, 15 de outubro. Dois dias após o roubo. Entro bem tranqüilo na loja da operadora no shopping Iguatemi. O movimento não é muito grande no horário do almoço. Espero na recepção. Espero... Finalmente alguém me “atende” (falar com a pessoa sem sequer olhá-la não pode ser considerado atendimento). Ganho uma ficha de espera de número 35. Olho para o visor e, alegremente, constato que o contador já marca o 27º cliente. “Não deve demorar muito, pensei.” Ingenuidade minha. Durante meia hora eu penei entre as almofadinhas roxas e os pufes laranjas da loja. Todos, principalmente os funcionários, pareciam estar alheios a minha agonia. O marcador parecia ter pifado no 27.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passados mais alguns minutos, resolvo desistir. Vou para outra loja, no mesmo shopping. Lá, sou parcialmente bem atendido, mas, ao menos, consigo comprar um celular. Comprar, apenas. Pois, segundo a funcionária, “o sistema está fora do ar”. Que ótimo! Uma das maiores, senão a maior, empresa de telefonia móvel do sul do país está fora do ar. “É devido ao fluxo pós-feriado”, tenta explicar-se a tal de Luciane, com seu crachá mal feito enroscado no pescoço. Tudo bem, não vou criar caso. Pego meu dinheiro de volta e passo para uma terceira tentativa. Dessa vez, no Bourbon.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lá, a situação também não é das melhores. O sistema continua fora do ar, a mulher que me atendeu parecia ter acabado de receber alta do hospital por tentativa de suicídio e, ainda por cima, não tinha o miserável aparelho que eu queria. O mais simples e irrisório modelo. Aliás, tinha, mas era apenas “para demonstração”, assegurou-me a maníaca atendente. Depois de ter perdido uma tarde inteira nessa cruzada, desisto. Volto pra casa derrotado, sem celular e com duas fichinhas de ônibus a menos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, como diz Chico Buarque, “amanhã há de ser outro dia”. Tomara! Volto ao Iguatemi, dessa vez convicto de que nenhuma pane de sistema me privará do direito à comunicação telefônica. A loja da vivo está mais deserta ainda. Pego a senha e, rapidamente, sou “atendido”. Dessa vez olhavam para mim. Só olhavam. A atendente parecia estar muito ocupada conversando com a colega sobre o final de semana. “Quem é Cínara?”, me pergunta a moça. “Ãh..ah, sim, é minha m..”. “O celular ta no nome dela, não posso fazer nada”. No limite que a minha parca paciência permitiu, respondi que devia estar havendo algum engano, pois há tempos que a linha estava no meu nome. “Sinto muito, o senhor (por que eles chamam todo mundo de senhor?) terá que solicitar uma troca de titularização.” Tento argumentar, mas a mulher estava decida a me ignorar de todas as maneiras possíveis. Ligo para solicitar a tal troca, mas a querida pessoa do outro lado da linha me informa que o procedimento só pode ser realizado numa loja da operadora. “Pelo amor de Deus, eu só quero, SÓ, comprar um celular!” Não quero furtar um celular. Não quero estragar um celular. Não quero sequer vender um celular. Só preciso comprar. Simples. Eu dou o dinheiro, me dão o aparelho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após engrossar um pouco a voz e a entonação, a moça parece me notar. Até fala comigo. “Ah, perdão senhor. Houve um engano, digitei um dado errado aqui no sistema.” Não me diga. A partir daí, em menos de 15 minutos consegui, finalmente, fazer alguém trabalhar naquela loja. Nem tive que implorar para que me entregassem o telefone. Espetacular! Depois dessa epopéia, senti-me como um Odisseu que houvesse chegado a Ítaca. Sem dúvidas (e perdão pelo chavão), a Vivo me matou no cansaço.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6486327806807057494-2661334369414086029?l=sobrejornal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrejornal.blogspot.com/feeds/2661334369414086029/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6486327806807057494&amp;postID=2661334369414086029&amp;isPopup=true' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6486327806807057494/posts/default/2661334369414086029'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6486327806807057494/posts/default/2661334369414086029'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrejornal.blogspot.com/2007/10/morto.html' title='Morto'/><author><name>Samir Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16946838284598605046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_ZxS2h3raZc4/Rxx-xhYpLwI/AAAAAAAAADE/A0mQcG9O9OA/s72-c/carioca_sinaf_vivo1.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6486327806807057494.post-9130027348276878314</id><published>2007-10-13T09:03:00.000-07:00</published><updated>2007-10-13T09:06:44.685-07:00</updated><title type='text'>Brasil manchado</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Algumas coisas são inevitáveis. Comer brigadeiro, se sujar em dia de chuva, decepcionar-se com alguém, repetir palavras num texto e, dentre outros mil exemplos, ser assaltado! Até ontem, eu também achava que este item não entrava na lista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Feriado em Porto Alegre. Ninguém na rua. Mal passam carros, aliás. Saio de casa com um celular, mp3 e 30 reais no bolso. Ao atravessar a rua, um cara me chama, pergunta as horas. “Normal”, pensei, afinal estava com o relógio à vista. “São vinte pras três”, respondo com um ar de quem já está acostumado a receber esse tipo de pergunta. Menos de três passos depois ele fala: “Cara, eu to armado. Não te mexe, não tenta correr.” Me virei, meio que sem entender. Olhei bem pra ele. Devia ter no máximo 25 anos, mais alto e mais forte do que eu. Bem vestido, calça jeans e mochila nas costas. Uma mão fazia volume no bolso do casaco. Óbvio que não devia estar armado. Mas eu só poderia correr. Não quis arriscar levar um tiro nas costas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquele momento durou uma eternidade. Ninguém passava por mim. A Capital parecia estar deserta, inabitada. Fui conduzido para um local ainda mais inóspito. Lá, realizei a humilhante tarefa de entregar ao meu algoz o celular e os míseros 30 reais. Nesse exato momento, quando fazia o movimento de dar-lhe o dinheiro, uma senhora passou por nós. Trajando preto e com a bolsa à tiracolo, a velhinha olhou, assustou-se e continuou andando como se nada estivesse acontecendo ao seu redor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele ainda queria saber onde eu morava. Apontei qualquer direção e, após ser ameaçado (novamente) de ter a casa pilhada e o rosto marcado – caso eu chamasse a polícia – ele pediu os fones. E foi burro, ainda por cima. O mp3 estava num bolso. O celular, em outro. Entreguei somente os fones, resolvi me fazer de louco e deixar o mp3 no bolso. O babaca nem protestou. Quero ver como ele vai fazer pra encaixar eles no telefone!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estava novamente sozinho. Não sabia se voltava pra casa, pois estava com medo de ser seguido. Poderia ficar, mas tudo o que eu queria era a segurança das paredes do meu quarto. Pelo menos, ainda tinha a chave. Depois de olhar para todos os lados possíveis, cheguei em casa. Não fui à polícia. Não quero ver o meliante sair da cadeia pior do que entrou. Com mais doses de ódio injetadas em suas veias e com os macetes que só se aprende naquelas escolas do crime. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A camiseta branca com o mapa do Brasil formado pelas palavras “ética”, “honestidade” e “paz” estampadas no meu peito estava vermelha. Manchada de sangue. Não o meu, mas o de milhões de pessoas que, diariamente, são vítimas da violência crônica deste e de muitos outros países. Em tempos de “Tropa de Elite”, é válida uma profunda reflexão sobre a eficácia da repressão policial, a função do poder público em relação à criminalidade e, principalmente, sobre o papel da própria sociedade em todo esse processo. Pode ser apenas impressão, mas eu, particularmente, me senti culpado e um pouco responsável por tudo isso. Inclusive, pelo meu próprio assalto. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6486327806807057494-9130027348276878314?l=sobrejornal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrejornal.blogspot.com/feeds/9130027348276878314/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6486327806807057494&amp;postID=9130027348276878314&amp;isPopup=true' title='17 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6486327806807057494/posts/default/9130027348276878314'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6486327806807057494/posts/default/9130027348276878314'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrejornal.blogspot.com/2007/10/brasil-manchado.html' title='Brasil manchado'/><author><name>Samir Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16946838284598605046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>17</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6486327806807057494.post-98952879175469868</id><published>2007-10-05T07:47:00.000-07:00</published><updated>2007-10-05T07:50:38.053-07:00</updated><title type='text'>Falar pelos pés</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Vida de jornalista é mesmo um vai e vem. Ir fazer a pauta. Ir entrevistar fulano lá do outro lado da cidade. Ver o que está acontecendo em tal evento... E por ai vai, literalmente. Mas todo esse conjunto de deslocamentos torna-se ainda mais exaustivo para quem não tem carro. Os bípedes sofrem mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi num desses dias em que o ponteiro do relógio zombava da minha cara que percebi um fato muito interessante: a relação que o ser humano tem com os pés. Estava no ônibus depois de uma tarde cansativa de "passeios" pela cidade, sentado, com a cabeça aos poucos se desanuviando. Fui resgatado de volta à consciência por um detalhe que passa despercebido em meio à pachorra dos dias comuns. Todos os pés presentes, quase sem exceção, se mexiam. Pode parecer estranho, mas aquela visão provocou em mim algumas reflexões. Por que aquelas pessoas, que estavam bem acomodadas e tranquilas, movimentavam seus pés? O que os levaria a tal atitude? E, mais importante, será que elas se davam conta disso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Numa aula de história da comunicação, no longínquo primeiro semestre, a professora certa vez disse que é altamente instintiva do ser humano a atividade de tocar, de sentir e de experimentar as coisas pelo movimento das mãos. Tais atos remetem a mais distante família de australopitecos. Pois bem, dou-me a liberdade de estender a postulação da mestra Zezé aos pés. Naquela tarde, após observar que, calma e mansamente, as pessoas entretiam seus pés num balanço lento e despreocupado, me dei conta do significado daquele evento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um ato quase litúrgico, mover os pés ou simplesmente os dedos, é uma forma de expressão altamente primitiva. Pode-se dizer muita coisa apenas com o mexer de um dedo. Notei que os que batiam frenética e horizontalmente os pés contra o chão apresentavam uma feição preocupada, apreensiva. Os movimentos leves e ondulados pertenciam a rostos mais relaxados, como se a pessoa estivesse mentalmente escutando uma mansa melodia dos Beatles, ao melhor estilo Yesterday. Havia também aqueles que pareciam ter nascido para comunicar-se, pedicularmente falando. Levavam seus pés para esquerda e, esgotados os limites do corpo, iam para cima. E assim repetiam sucessivamente. Chegava a dar medo. Se uma pessoa comunica-se assim pelos pés, imagina o potencial que possui sua boca!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a boca não é tão romântica. É muito comum manifestar-se por ela. Mas falar pelos pés não é para qualquer um! Exige habilidade, embora às vezes possa ser feito sem qualquer intenção. Enfim, a pequena observação foi válida. quando dei por mim já tinha descido do ônibus e ainda rendeu um texto. Escrito com os pés, é claro.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6486327806807057494-98952879175469868?l=sobrejornal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrejornal.blogspot.com/feeds/98952879175469868/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6486327806807057494&amp;postID=98952879175469868&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6486327806807057494/posts/default/98952879175469868'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6486327806807057494/posts/default/98952879175469868'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrejornal.blogspot.com/2007/10/falar-pelos-ps.html' title='Falar pelos pés'/><author><name>Samir Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16946838284598605046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6486327806807057494.post-7639307105351119885</id><published>2007-10-01T10:18:00.000-07:00</published><updated>2007-10-01T13:02:47.319-07:00</updated><title type='text'>Devaneios de um quase-jornalista (2)</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Acordo às 6h15min, rigorosamente. Despertou o celular, já estou em pé. Ao menos, tentando ficar em pé. A sonolência desse período meio madrugada, meio manhã é uma verdadeira prova de resistência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vencido o primeiro obstáculo – estabilizar-se verticalmente – segue-se uma lista catalogada e criteriosa de pequenos feitos. Rotinas diárias tão minuciosas que, talvez, eu nem note sua passagem. O cereal com leite saboreado na tigela de louça azul que parece hermeticamente feita para tal função. A higiene comum a todos os seres humanos minimamente evoluídos. Aqueles breves minutos de pensamentos sobre como será o dia ou sobre como eu quero que ele seja. A escolha da roupa ideal para o clima e o humor da manhã e, finalmente, depois de arrumada a cama e borrifado o perfume, posso me despedir da minha toca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;7h10min, tenho um encontro marcado com o T9. Sei que ele sempre atrasa, por isso vou a passos lentos, apreciando os contornos do dia ainda fresco. Os funcionários do supermercado ao lado, como de costume, ainda esperam em fila indiana para começar o serviço. A lotação que busca alunos da Ulbra passa por mim no exato momento em que deve passar, quando ainda estou no começo da fatigante lomba que obstrui a chegada até o ônibus. Depois, a presença da mulher de sempre na parada anterior me anima. Mostra que não estou errado, que o mundo ainda não acabou. As coisas ainda estão em seu lugar. Ela está lá, seu ônibus não chegou. Claro, assim que piso, exausto, no ponto de ônibus, avisto do outro lado da rua as três mulheres que caminham sorridentes e conversadeiras em direção ao trabalho. Só falta agora mais uma coisa: a guria da carona. Ela, diferente dos outros mortais, não vai a pé até a parada. Ela sempre desce na frente, num Fox preto como os seus cabelos. Pronto! Agora está tudo em ordem, o ônibus já pode chegar. As rotinas já foram cumpridas. As três mulheres já chegaram ao trabalho. Eu já estou no transporte coletivo, felizmente vazio no início da manhã, e o pessoal do supermercado deve estar trabalhando. O pequeno ritual matutino está concluído. Ninguém quebrou sua religiosa participação nos fatos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas as rotinas não são tão superficiais assim. São um complexo de pequenos elementos que tomam formas e feições com o passar dos dias. Aos poucos, nos damos conta de como somos iguais. Os mesmos, quase como nossos pais, como diria Elis Regina. Não me refiro à humanidade de uma maneira geral, mas a cada um consigo mesmo. As mudanças são lentas e graduais. Devem ser percebidas assim como as rotinas, com o suave e taciturno passar das horas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6486327806807057494-7639307105351119885?l=sobrejornal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrejornal.blogspot.com/feeds/7639307105351119885/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6486327806807057494&amp;postID=7639307105351119885&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6486327806807057494/posts/default/7639307105351119885'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6486327806807057494/posts/default/7639307105351119885'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrejornal.blogspot.com/2007/10/devaneios-de-um-quase-jornalista-2.html' title='Devaneios de um quase-jornalista (2)'/><author><name>Samir Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16946838284598605046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6486327806807057494.post-8584092279938440647</id><published>2007-09-22T15:53:00.000-07:00</published><updated>2007-09-22T15:58:49.397-07:00</updated><title type='text'>Caninos, onomatopéias e olheiras</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;“Au, au, au”. Foi assim que começou. Baixinho, de leve. Acompanhado de um choro quase silencioso. O cachorro estava preso, queria se libertar. Sete da manhã e ele já não agüentava mais seu cárcere. Queria correr pelo pátio e chafurdar na grama. Mas eu só queria dormir!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Au, au, au”, continua o animal em seu tríplice latido. O ranço agora aumenta, inclusive o meu. “Puta que pariu, será que os donos não vão soltar o bicho?!”, penso, enquanto tento capturar os últimos fragmentos do merecido sono de um sábado de manhã. Um sono sagrado, aliás. Inviolável. Mas, pelo jeito, o bichano desconhecia as regras celestiais que regem o sono aos sábados. Ele não estava nem aí.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pelo timbre, parecia ser um filhote. Teria sido adquirido recentemente? Será que ainda não se habituara à coleira? Não sei. O muro de tijolos rebocado que me separa da residência vizinha não permite que eu vislumbre o tormento do cão. Mesmo que permitisse, não me levantaria senão para findar de vez com aquele barulho azucrinador. Arrisco dizer que era pior do que mosquito zunindo ao pé do ouvido, naquelas noites típicas de verão em que o ventilador parece uma brisa quente e atrativa aos insetos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Au, au, au”. Me viro para um lado, para outro e nada! Nada daquele maldito pulguento fechar o focinho! Será que eu estava exigindo demais do bicho? Seria muito difícil entender que, por mais que ladrasse, seus inadimplentes donos jamais o soltariam àquela altura da manhã? É tão limitada assim a mente de um cão? E ainda são considerados os melhores amigos do homem! Pode até ser, mas meu sono não estava nenhum pouco amistoso. Se chegasse a dormir, sonharia com formas de me livrar daquele animal. De encarcerá-lo numa redoma de vidro a prova de som. Seria perfeito. Sem mais finais de semana mal dormidos! Sem mais olheiras e, principalmente, sem mais latidos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A onomatopéia era constante em meus ouvidos. Naquele momento, já não achava a idéia de uma coleira elétrica tão monstruosa assim. Já não entendia como um dia quis ser veterinário. Passados mais dez minutos de latidos e eu podia jurar que estava quase entendendo o que o cão queria dizer. Como se seu brado tivesse se transformado numa massa amorfa de ecos que transmitiam uma mensagem ondulante no meu cérebro. Algo como: “Eu sei que você está me ouvindo, me solte, me solte, me solteeee.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já estava conformado com o sono perdido, derrotado. Estava esperando por mais um conjunto infindável de latidos. ... . Nada. Silêncio. Paz. Não pude acreditar. Cheguei a abrir os olhos para ver se estava tudo bem. Se eu estava em casa, se não tinha sonhado. Estava tudo na mais bela calmaria. Parecia que o cão tinha finalmente percebido a inutilidade de seu lamento. Ou será que algum outro vizinho raivoso e menos impiedoso havia tomado alguma atitude? Bem, não importa. Eu tinha que dormir. Tinha que relaxar as pálpebras e recobrar o sono, agora livre de latidos. Fecho os olhos. Aconchego-me na coberta. Ajeito o travesseiro. Respiração calma e pausada. Nada poderia me perturbar naquele sagrado sono de sábado. Como era boa a manhã sem cachorros! De repente, como uma tesoura cortando o fino fio da vida, o despertador toca. “Triiiinn, triiin, triiiiiin...” Meio-dia, tenho que almoçar. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6486327806807057494-8584092279938440647?l=sobrejornal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrejornal.blogspot.com/feeds/8584092279938440647/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6486327806807057494&amp;postID=8584092279938440647&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6486327806807057494/posts/default/8584092279938440647'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6486327806807057494/posts/default/8584092279938440647'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrejornal.blogspot.com/2007/09/caninos-onomatopias-e-olheiras.html' title='Caninos, onomatopéias e olheiras'/><author><name>Samir Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16946838284598605046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6486327806807057494.post-7737570186595118538</id><published>2007-09-12T14:35:00.000-07:00</published><updated>2007-09-12T14:53:06.828-07:00</updated><title type='text'>Desabafo</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Não quero saber de guerra. Não quero saber do Bush, da Yeda, nem que o Bin Laden pintou a barba. Não quero ouvir sobre crise na saúde, crise na educação, crise na segurança... Essa lista infindável de mazelas que assola os jornais todos os dias não fará mais parte da minha vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que se explodam os ditadores brasileiros que hoje estão soltos, jogando vôlei em alguma praia carioca. Só por hoje, fecharei os olhos e tentarei não ver o menino na rua pedindo esmolas. Tentarei não sentir o frio da senhora descalça que mendiga uns trocados no ponto de ônibus. Resigno-me a ficar na mais absoluta ignorância. O lixo nas ruas não vai me indignar. Sequer direi um “obrigado” hoje.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A África não merecerá mais um minuto dos meus pensamentos. Quero somente sol e uma boa sombra. Livros. Prazeres carnais, comida e sexo. Estou podre. Estou impregnado de um odor pútrido que vem lá daquela terra. De um lugar distante que só pode estar em outra dimensão. Em outro mundo. Num mundo onde não há filas em hospitais. Onde há comida para todos. Há estudo e trabalho. Onde a felicidade é geral.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquele lugar, que já nasceu mal, parece não querer mudar. As poucas pessoas boas que lá residem têm seu grito abafado por calhordas de todos os naipes. Reis, damas e valetes que nunca estão satisfeitos. Sempre acham um jeito de embaralhar as coisas, sempre têm uma carta na manga. Naquele mundo encantado, naquele pedacinho de Brasil construído do avesso, divido em asas, como se estivesse sempre pronto para decolar, há toda uma fauna riquíssima. Peixes, tartarugas, onças e araras multiplicam-se numa velocidade surpreendente. A única coisa em extinção parece ser o caráter e a honestidade. Claro, ainda há alguns remanescentes. Esses, sim, correm sérios riscos. Podem desaparecer a qualquer eleição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de saber que 40 pessoas - ao que tudo indica, em sã consciência - absolveram Renan Calheiros, nada mais me surpreende. Estou anestesiado, em coma cerebral. A bandeira branca está quase eriçada sobre mim. Me rendo, não me rendo, me rendo... As pétalas voam por entre os dedos. Murchas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6486327806807057494-7737570186595118538?l=sobrejornal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrejornal.blogspot.com/feeds/7737570186595118538/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6486327806807057494&amp;postID=7737570186595118538&amp;isPopup=true' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6486327806807057494/posts/default/7737570186595118538'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6486327806807057494/posts/default/7737570186595118538'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrejornal.blogspot.com/2007/09/desabafo.html' title='Desabafo'/><author><name>Samir Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16946838284598605046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6486327806807057494.post-8615706985076324066</id><published>2007-09-10T14:41:00.000-07:00</published><updated>2008-11-13T18:10:42.384-08:00</updated><title type='text'>A domadora de carros</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_ZxS2h3raZc4/RuW9y_eOWOI/AAAAAAAAACs/AhmN2S44YtA/s1600-h/velocidade.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5108698036051007714" style="CURSOR: hand" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_ZxS2h3raZc4/RuW9y_eOWOI/AAAAAAAAACs/AhmN2S44YtA/s320/velocidade.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Foto: site &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.2com.com.br/"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;2com&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_ZxS2h3raZc4/RuW9oPeOWNI/AAAAAAAAACk/F1eqv6Hqv1Q/s1600-h/velocidade.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Era um Fiat Palio azul metálico, modelo 2000. A rodovia, em época de feriadão, estava lotada. Claro que, como mandam as leis de Murphy, o fluxo era bem maior no sentido em que o veículo estava. O sentido de quem volta da praia. Mas ela não voltava do litoral, de uma cidadezinha qualquer com cheiro de brisa e de mar. Ela só ia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Compromissos mil passavam pela sua cabeça. Tinha um horário a cumprir. Já estava matematicamente atrasada. A menos que conseguisse mudar a relação tempo-espaço, não chegaria a seu destino até as 17h. E já eram 16h35min, precisava correr. Precisava urgentemente ultrapassar aquela fileira de tartarugas que se movimentavam com o pesar de quem deixa o paraíso costeiro para se dirigir ao caos dos dias úteis. Mas, determinada, a moça ao volante pisou fundo. 80km/h e menos três carros pra passar. Mais adiante, uma Brasília antiga e caindo aos pedaços, com colchões, bicicletas e malas em cima, reduziu-se à insignificância de uma ameba diante do Palio que a ultrapassava a 90km/h.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;16h43min, o tempo não dava trégua. Mas ela não se deixaria vencer tão facilmente. Trocou seus pés por tijolos. Eles pressionavam o acelerador, que parecia leve como uma folha ao vento. O acelerador era submisso. Obedecia sem questionar. Aos 110km/h, já não havia quem ousasse ficar na sua frente. A motorista, confiante de seu poder, intimidava os demais automóveis. Nem a EcoSport conseguiu vencê-la e teve que dar passagem. 130km/h e o olhar fixo no relógio e na estrada. Mais carros para passar. Mais ponteiros para perseguir. O carro, alcançando a marca dos 140km/h, já não era mais um carro. Era uma mancha azul cintilante que deixava zonzos aqueles que tentavam contemplá-la. As rodas não tocavam o asfalto. Flutuavam. O velocímetro pedia clemência. O motor queria uma folga, queria respirar. Mas a moça só queria chegar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às 16h50min as coisas melhoraram um pouco. O trânsito, temendo a mancha azul, desafogava-se ao bel prazer da motorista. Ela mandava. Era a soberana das rodovias. A domadora de todos os carros presentes. Contudo, não ousou aumentar para 150km/h. Conhecia seus limites e os do Palio. Manteve-se na velocidade da mancha e, guiando, como Apolo, sua carruagem ao Sol, avistou seu destino no horizonte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os tijolos se quebraram. O acelerador pôde subir novamente. A mancha foi, aos poucos, tomando os contornos de um carro. Cinco da tarde, zero quilômetros. O veículo estava inerte. O destino final havia enfim sido alcançado. A mulher, tal como um domador de chicote em punho, podia agora admirar sua façanha. Podia respirar. Na volta, ela ainda encontrou todos os veículos que havia ultrapassado.&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6486327806807057494-8615706985076324066?l=sobrejornal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrejornal.blogspot.com/feeds/8615706985076324066/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6486327806807057494&amp;postID=8615706985076324066&amp;isPopup=true' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6486327806807057494/posts/default/8615706985076324066'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6486327806807057494/posts/default/8615706985076324066'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrejornal.blogspot.com/2007/09/domadora-de-carros.html' title='A domadora de carros'/><author><name>Samir Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16946838284598605046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_ZxS2h3raZc4/RuW9y_eOWOI/AAAAAAAAACs/AhmN2S44YtA/s72-c/velocidade.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6486327806807057494.post-6848606055905451099</id><published>2007-09-03T04:25:00.000-07:00</published><updated>2007-09-03T05:51:32.999-07:00</updated><title type='text'>O Dia C</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Sou o que se pode chamar de chato para alimentos. Quase não como salada e detesto misturar muita comida no prato. Alface me embrulha o estômago, dá ânsia de vômito. A beleza estética dos pratos coloridos e supersaudáveis produz em mim um misto de culpa e satisfação enquanto devoro um bife à parmegiana com algumas ervilhas por cima (essas, sim, eu aturo).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas meus hábitos alimentares monocromáticos não param por aí. Não há nada que eu deteste mais do que ela, aquela que faz chorar meu apetite. Famosa, ela tem até personagem em gibi infantil. A cebola. Odeio cebola. E, tratando-se de uma planta hortense, utilizo o verbo odiar sem culpa. A cebola, ou &lt;em&gt;Allium caepa&lt;/em&gt;, foi o grande terror da minha infância. Parecia estar em toda parte. No arroz, no feijão, na massa... Nem o endeusado filé à parmegiana conseguia escapar de sua cruzada contra meu metabolismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Minha família usava todas as táticas possíveis para burlar meu bloqueio. A cebola era liquidifcada, amassada, metodicamente cortada ou, em último caso, escancarada – assim eu podia, calma e penosamente, separar os enormes pedaços do malfadado alimento. Nem mesmo as crianças famintas da África me convenciam a encará-la. Minha vó bem que tentava. “Come, Samir, cebola faz bem para os olhos. Por acaso queres usar óculos quando for mais velho?” Não me importava. Seria capaz de tudo para não sentir aquele estalo horripilante na boca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois bem, eu não imaginava que minha relação com o supracitado tempero mudaria radicalmente naquele dia, há alguns poucos meses. Chamo de Dia C. Foi o dia em que ela entrou pra valer na minha vida. Embarcou com toda sua força no meu sistema digestivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estava tudo em ordem. A Petikseira do shopping Iguatemi, lotada como sempre. Eu e minha vó entramos na fila. Os bancos vermelhos me incitaram a um (adivinhem) bife à parmegiana. Eu ainda era virgem de Petiskeira. Sempre preferira um mini burger imperialista a qualquer outra opção. Qual foi a minha surpresa quando, ao receber a carne, vejo meia dúzia de anéis enrolados entre o arroz e as batatas fritas. Não! Não podia ser verdade. Fechei os olhos, respirei. “Calma, elas não estão ali.” Mas estavam. Pareciam debochar da minha incredulidade. A fome era tanta que resolvi ignorar o fato. Mas, num momento de desespero, após não ver nem bife nem batatas no prato, resolvi tomar uma ação impensada. Comi um anel de cebola! Aquele crac-crac na boca deu um arrepio, no começo. Aos poucos, o crac-crac foi substituído pelo crec-crec da fritura. Ahh... A fritura! Essa, sim, sempre acompanhou meu organismo rebelde. Camuflada sob o manto belo e crocante da fritura, a cebola já não parecia tão monstruosa. Em meio à batalha de cracs contra crecs, quando dei por mim já tinha comido todos os anéis. Minha vó enfim vencera. Majestosa e altiva, não escondeu o sorriso que há anos estava guardado para aquele momento. Não ousou proferir uma palavra. Apenas apreciava o gosto da vitória. Deve ser acebolado, há de ser.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6486327806807057494-6848606055905451099?l=sobrejornal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrejornal.blogspot.com/feeds/6848606055905451099/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6486327806807057494&amp;postID=6848606055905451099&amp;isPopup=true' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6486327806807057494/posts/default/6848606055905451099'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6486327806807057494/posts/default/6848606055905451099'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrejornal.blogspot.com/2007/09/o-dia-c.html' title='O Dia C'/><author><name>Samir Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16946838284598605046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6486327806807057494.post-2643325729598209159</id><published>2007-08-20T12:38:00.000-07:00</published><updated>2007-08-20T12:46:43.066-07:00</updated><title type='text'>Relaxe e introduza</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Sartre estava certo quando disse que o inferno são os outros. Já vivenciei, na prática, sua teoria. Foram apenas alguns minutos, mas pareceu uma eternidade. Fiquei preso no inferno feminino, refém da menstruação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo estava tranqüilo e sereno naquela sala. O computador, a mesa, os livros e a cadeira pareciam entrar em perfeita harmonia com o silêncio fúnebre do recinto. Eis que elas entram. Do abismo, queimando, surgem as emissárias do meu tormento. Em meio a sacolas e vozes agudas, o assunto ganha corpo. Absorvente interno ou externo? Eis a questão. Um tema polêmico que talvez nem Shakespeare conseguisse dimensionar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Loira, ruiva e morena discutem, empolgadamente, as benesses e os desprazeres de se usar um absorvente interno. A morena, indignada, quer mudar de vida. Quer se libertar das amarras do absorvente externo. Não deseja mais ser vítima de vazamentos e incômodos cada vez que se levanta da cadeira. Aparentemente, ela não é sempre livre. Ao contrário, é prisioneira de seu próprio corpo. Sim, o problema era o corpo. As amigas tentavam ajudar. “Eu só uso o.b., é bem mais prático”. “Eu sei, mas eu não consigo, tenho problemas com o ‘relaxe e introduza’”, declarava, apreensiva. Eu tremi. Não esperava que chegassem tão longe. Entretanto, algo de místico, uma curiosidade mórbida e um certo instinto masoquista me prendiam àquela sala.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abriram a caixa e retiraram o manual. Obviamente, eu não estava olhando, ouvir já era o bastante. Após a leitura completa das instruções, não restaram dúvidas quanto à dificuldade da morena. “Tá escrito aqui, ó, tu tem que relaxar e introduzir, é fácil”. Cheguei a sentir seus lábios tremerem e os batimentos acelerarem-se. Mas ela estava determinada. Iria relaxar. Conseguiria introduzir. As amigas sentiam-se felizes pela coragem dela. Ao chegar em casa, todos os seus problemas estariam menores frente ao grande obstáculo vencido. A menstruação seria enfim dominada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No outro dia, na mesma sala, ela estava mais feliz. Já não era tão desconfiada. O brilho em seu olhar era evidente. Até a bolsa parecera diminuir de tamanho. Seria a falta do absorvente? Não se sabe. Nunca mais ousei tocar no assunto. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6486327806807057494-2643325729598209159?l=sobrejornal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrejornal.blogspot.com/feeds/2643325729598209159/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6486327806807057494&amp;postID=2643325729598209159&amp;isPopup=true' title='13 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6486327806807057494/posts/default/2643325729598209159'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6486327806807057494/posts/default/2643325729598209159'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrejornal.blogspot.com/2007/08/relaxe-e-introduza.html' title='Relaxe e introduza'/><author><name>Samir Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16946838284598605046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>13</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6486327806807057494.post-5515108302429052826</id><published>2007-08-10T14:05:00.000-07:00</published><updated>2007-08-10T14:10:49.639-07:00</updated><title type='text'>As origens</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;A questão sexual sempre esteve presente. Desde o dia em que o primeiro macaco (ou macaca, por quê não?) começou a andar sobre duas pernas. Se bem que deve ter sido mesmo um macaco. Isso explicaria facilmente a dominação masculina durante milhares de anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Imagine uma grande tribo de símios quadrúpedes, quando, de repente, um deles se levanta! Que espanto! Pense só na sensação que deveria estar sentindo aquele único animal. Em pé, poderoso diante todo o grupo. Olhado, admirado, invejado. Superior perante seus iguais. Mais alto, mais rápido. Este pode ter sido o marco inicial da cultura machista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E na frágil, porém já articulada, mentalidade daqueles seres, o que teria se passado? “Como nunca pensamos nisso antes?” diriam, se já dominassem a fala. Os outros logo tentariam fazer o mesmo, pondo-se, pouco a pouco, em pé. As fêmeas teriam mais dificuldade. Não devia ser fácil levantar-se com o peso dos filhotes, sem falar dos mamilos. E as grávidas, então, quanto trabalho teriam passado nos primeiros momentos. Primeiras tentativas de equiparar-se ao macho. De mostrar que também podem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, e se tivesse sido uma macaca? E se fosse uma fêmea a precursora dos bípedes? Esse fato alteraria toda a vida no planeta até os dias de hoje. É fácil imaginar os machos babando ao seu redor. Admirando, desde aquele momento, suas curvas, nunca antes notadas. As pernas – ainda que cheias de cabelos – começavam a despontar a libido do bando. O que se seguiria, além da dominação feminina, seria uma explosão populacional sem precedentes. A pré-história nunca mais seria a mesma. Com o boom habitacional, o ritmo de desenvolvimento se aceleraria. A sociedade chegaria a todos os seus momentos mais marcantes com pelo menos uns 800 anos de antecedência! Seria a inversão dos papéis que hoje se assiste. E tudo isso, claro, de maneira muito natural, sem causar espanto. Afinal de contas, foi uma mulher quem se levantou primeiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os homens, oprimidos e relegados a um papel secundário na sociedade, logo se organizariam em sindicatos e associações para exigir seus direitos. O dia internacional do homem seria um dia de protestos e manifestações. O movimento machista seria visto por uns (ou umas) como uma ameaça. Outros achariam justo a igualdade de gêneros. Os mais antigos aceitariam passivamente sua condição inferior de homem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É, talvez essa pequena diferença tivesse alterado os rumos da civilização.  &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6486327806807057494-5515108302429052826?l=sobrejornal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrejornal.blogspot.com/feeds/5515108302429052826/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6486327806807057494&amp;postID=5515108302429052826&amp;isPopup=true' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6486327806807057494/posts/default/5515108302429052826'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6486327806807057494/posts/default/5515108302429052826'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrejornal.blogspot.com/2007/08/as-origens.html' title='As origens'/><author><name>Samir Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16946838284598605046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6486327806807057494.post-4483081064776320704</id><published>2007-08-06T11:31:00.000-07:00</published><updated>2007-08-11T11:09:33.888-07:00</updated><title type='text'>Só para neuróticos (2)</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Tudo começou naquela noite fria e sem graça de um sábado qualquer. A parada de ônibus estava deserta, bem como pareciam estar a rua e a cidade. A única coisa que se ouvia era o ruído áspero do vento e a conversa de dois seguranças mais ao longe, daqueles que atendem por logradouros e saem apitando pelos prédios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois bem, nada da condução chegar. Espero... Mas alguém chega. Sinto cheiro de cigarro e penso “decerto não vai vir fumar ao meu lado!”. Era um senhor de mais ou menos 40 anos, baixinho e calvo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Que ônibus tu pega?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ãhn?!? Era comigo que ele estava falando? Pra que falar? Qual a necessidade de abrir a boca naquele frio, naquele silêncio tão raro em Porto Alegre?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Qualquer um que vá para a Cristóvão - respondi, contrariado.&lt;br /&gt;- Eu pego o Anita/Rio Branco.&lt;br /&gt;- Hum...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não estava com o menor saco para conversar. Até porque, logo em seguida, o velho começou a falar de assalto. “Pronto”, pensei, “serei assaltado”. Qual a razão para falar de assalto numa parada deserta às 21h? Recusava-me a dar conversa. Moro na Capital há mais de um ano e nunca sofri uma abordagem sequer. Seria muito azar, justo numa ida ao caixa eletrônico, ser assaltado. Tudo o que eu tinha era um cartão bancário, duas fichas escolares e (droga!) meu celular. Uma série de pensamentos passou pela minha cabeça paranóica: “O cara é mais velho e mais baixo que eu, não tenho porque entregar meu celular. Posso sair correndo, posso bater nele.” Nessa hora, comecei a rir. Imaginei-me numa luta com o pequeno senhor e o riso foi inevitável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Hoje eu vou dançar!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Putz! O que foi que ele disse? Vai dançar? Que ótimo, assim me deixa em paz! E esse ônibus que não vem nunca. Bom, pelo menos parou de falar de assalto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tu tens que aproveitar a tua juventude. Tem o que, 24 anos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era tudo o que eu precisava. Um conselho de alguém que eu nem conheço às 21h10min e que ainda me deixou uns cinco anos mais velho. Já estava afim de voltar pra casa. Dane-se o dinheiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pois é...&lt;br /&gt;- A minha juventude é diferente da tua. Eu agora sou casado. Separado! – e fez questão de frisar a última palavra – ascendeu mais um cigarro.&lt;br /&gt;- Hum...&lt;br /&gt;- Por isso hoje eu vou dançar!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já estava me sentindo ridículo. Olhando melhor, é claro que ele não iria me assaltar. Ainda estava na dúvida se era louco ou se, a qualquer momento, apareceria uma câmera e alguém gritaria “ahá, te peguei!”. Bom, como a segunda opção não aconteceu, nem o velho me pareceu deficiente mental, concluí que ele devia estar apenas feliz. É natural que pessoas felizes demais façam coisas ridículas (tipo anunciar a um estranho que vai dançar). Enfim, chegou meu Carlos Gomes/Salso. Antes de partir, o senhor ainda largou outro “Mas hoje eu vou dançar!” seguido de um cordial “Tchau, garoto!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tchau, boa festa – respondi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entrei no ônibus vazio e pensei se era o velho que estava muito feliz ou eu que estava muito triste. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6486327806807057494-4483081064776320704?l=sobrejornal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrejornal.blogspot.com/feeds/4483081064776320704/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6486327806807057494&amp;postID=4483081064776320704&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6486327806807057494/posts/default/4483081064776320704'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6486327806807057494/posts/default/4483081064776320704'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrejornal.blogspot.com/2007/08/s-para-neurticos-2.html' title='Só para neuróticos (2)'/><author><name>Samir Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16946838284598605046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6486327806807057494.post-6096577314937980101</id><published>2007-07-24T18:47:00.000-07:00</published><updated>2007-07-24T18:50:29.151-07:00</updated><title type='text'>Devaneios de um quase-jornalista</title><content type='html'>&lt;p style="font-family: trebuchet ms; text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;Não há nada melhor do que ser jornalista. Isso eu afirmo com toda certeza, apesar de ainda não ser um. Estou na penumbra dos quase-jornalistas. E espero que esse espaço de tempo &lt;i style=""&gt;quase&lt;/i&gt; realmente dure bastante. Não tenho pressa em me por à luz. Pra que, se eu posso, desde já, usufruir as benesses de ser jornalista? Mesmo nos mais simples estágios (não que eu tenha feito mais que um) encontro o valor do jornalismo. As pessoas te olham diferente se você é repórter. Claro, isso pode ser bom ou não! E até o &lt;i style=""&gt;não-ser-bom&lt;/i&gt; pode, de fato, ser bom. Mostra que a presença do repórter incomoda. E, se incomoda, quer dizer que ele está no lugar certo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;O jornalista na verdade é um tremendo chato. Pergunta, pergunta e pergunta quantas vezes for necessário. E nem sempre as pessoas querem responder. Nem sempre as pessoas querem aparecer (é bom mesmo que não queiram, afinal de contas não sou publicitário). Mas, quando eu estou com um bloco na mão e uma caneta em outra, sinto-me mais poderoso que o elenco inteiro da &lt;i style=""&gt;marvel&lt;/i&gt;! É quase um transe. A caneta mira, escolhe bem o alvo. O papel é a munição. As mãos guiam essa ira de escrever. De anotar, de registrar tudo. A tinta é o limite! O que foi mesmo que ele disse? Do que se trata? Como o senhor explica tal fato? Seu nome completo, por favor? Pode soletrar? Quanta informação boa! Quanta porcaria, isso nem vai entrar na matéria...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;É disso que eu estou falando. Dessa emoção de coletar, soletrar, verificar e checar as informações. Cruzar as fontes. Depois de todo o trabalho sujo, vem o melhor: escrever. Mais uma dose de infinitivos atravessa apressada a mente do jornalista: ler, reler, conferir, mudar, refazer. Mas todos eles buscam um verbo em comum – publicar. Sem ele, nada teria sentido. Desde um blog até um renomado periódico, jornalistas são obsessivos por publicar. O texto final é uma obra-prima. Sempre a pior, é claro. Mas ainda assim ele continua escrevendo. Ainda assim &lt;i style=""&gt;eu&lt;/i&gt; continuo escrevendo. Minha obra-prima particular nunca ficará pronta, apenas renovada. &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6486327806807057494-6096577314937980101?l=sobrejornal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrejornal.blogspot.com/feeds/6096577314937980101/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6486327806807057494&amp;postID=6096577314937980101&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6486327806807057494/posts/default/6096577314937980101'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6486327806807057494/posts/default/6096577314937980101'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrejornal.blogspot.com/2007/07/devaneios-de-um-quase-jornalista.html' title='Devaneios de um quase-jornalista'/><author><name>Samir Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16946838284598605046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6486327806807057494.post-3636893333462130754</id><published>2007-07-12T10:16:00.000-07:00</published><updated>2008-11-13T18:10:42.891-08:00</updated><title type='text'>Convocação</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_ZxS2h3raZc4/RpZlaq-OyGI/AAAAAAAAABc/XChk9FAJH9A/s1600-h/patriota.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5086364338047862882" style="" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_ZxS2h3raZc4/RpZlaq-OyGI/AAAAAAAAABc/XChk9FAJH9A/s200/patriota.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Foto: blog do &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.rennatotesta.blogger.com.br/"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Renato Testa &lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Em um de meus passeios rotineiros pela comunidade orkuteana de &lt;em&gt;Teorias da conspiração&lt;/em&gt;, deparo-me com um tópico bizarro: vergonha de ser brasileiro. Seu criador afirma ter orgulho de sentir vergonha de ser brasileiro e alega ter feito o tópico para ver se alguém conseguiria demovê-lo de sua contundente posição. Minha vontade de esculachá-lo logo foi embora quando vi que muitos já tinham mandado o infeliz pra bem longe (literalmente). Bem merecido. Afinal de contas, além de ser uma colocação ridícula e contraditória, não estava no lugar certo! Cadê a conspiração no que ele dizia? Francamente, devia ter procurado uma dessas comunidades do tipo &lt;em&gt;Odeio o Brasil&lt;/em&gt; ou algo assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aliás, não entendo como alguém pode odiar o próprio país. Não gostar, não concordar, não amar é uma coisa; mas ódio é um sentimento forte demais para se referir a algo tão complexo e heterogêneo como um país inteiro! Odiar a própria pátria é, de certa forma, odiar a si mesmo. É não suportar viver em um país deficiente sabendo que não está ajudando. É deslumbrar-se com o exterior e esquecer a sua gente. É não ter amor próprio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Brasil pode não ser lá essas coisas. Há corrupção, descaso por educação, pobreza, uma concentração enorme de renda... Tudo isso nós temos. Mas não é por isso que devemos hastear a bandeira branca e ir embora! O tempo dos discursos retóricos já passou e as utopias estão sepultadas. O concreto e o real são o que importa. E a realidade é dura, com certeza, mas pode ser mudada. Se cada um pensasse que nem o “cidadão” do supracitado tópico, o Brasil seria uma nação de desertores. Já não bastam os desertores de Brasília, que se fartam com a miséria do povo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O patriotismo não deve virar xenofobia, mas não pode cair no esquecimento. Eu sou patriota, e você?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6486327806807057494-3636893333462130754?l=sobrejornal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrejornal.blogspot.com/feeds/3636893333462130754/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6486327806807057494&amp;postID=3636893333462130754&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6486327806807057494/posts/default/3636893333462130754'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6486327806807057494/posts/default/3636893333462130754'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrejornal.blogspot.com/2007/07/convocao.html' title='Convocação'/><author><name>Samir Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16946838284598605046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_ZxS2h3raZc4/RpZlaq-OyGI/AAAAAAAAABc/XChk9FAJH9A/s72-c/patriota.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6486327806807057494.post-8721973749043203491</id><published>2007-07-02T09:38:00.000-07:00</published><updated>2008-11-13T18:10:43.108-08:00</updated><title type='text'>"Não tinha um melhor, não?"</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_ZxS2h3raZc4/RokrkkyJ6xI/AAAAAAAAAA0/jkPZzYCLJN8/s1600-h/Batismo_03.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5082641561813642002" style="margin: 0px 10px 10px 0px; float: left;" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_ZxS2h3raZc4/RokrkkyJ6xI/AAAAAAAAAA0/jkPZzYCLJN8/s200/Batismo_03.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Na última quinta-feira, 28, realizei um pequeno desejo: ver &lt;em&gt;Batismo de Sangue&lt;/em&gt; no cinema. Peguei a primeira sessão, logo após as 13h. Como sempre, filmes brasileiros ficam relegados à pequena sala oito de um certo multiplex porto-alegrense. Claro, as outras salas já estão majestosamente ocupadas por produções gringas. Não que eu pregue a abolição hollywoodiana do Brasil. Apenas acho que o cinema nacional merece maior destaque (por parte do público, principalmente).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, voltando ao assunto: &lt;em&gt;Batismo de Sangue&lt;/em&gt; é um filme tenso. Bem, um filme que trata da ditadura militar brasileira e não é tenso, não é digno de abordar tal assunto. E &lt;em&gt;O ano em que os meus pais saíram de férias&lt;/em&gt;? A beleza estética e a inocência dessa obra dispensam quaisquer menções aos governos militares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A sessão das 13h10min estava vazia, contando apenas com umas quatro pessoas. Um casal, eu e uma senhora sentada bem ao fundo. Enfim, começa o filme. A primeira cena me dá náuseas, mas sigo em frente. Quero entender o que houve, que cadeia de acontecimentos desembocou naquela cena cinza e sem esperanças. Tá, eu poderia ter lido o livro de Frei Beto, obra homônima na qual Helvécio Ratton se baseou para fazer o filme. Mas aí não teria graça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu queria ser surpreendido do começo ao fim. E foi exatamente isso que aconteceu. Caio Blat e Daniel de Oliveira estavam ótimos. Principalmente o primeiro, no papel de Frei Tito. O ex-cazuza, agora encarnado na pele de Frei Beto, também se saiu bem, mas deixou a desejar. Acho que o talento do colega e o peso de seu personagem fizeram com que eu esperasse mais de sua atuação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ai, não acredito! Realmente mostraram aquilo? Cenas de tortura escancaradas na tela! Fechei os olhos, mas os gritos ainda ecoavam no ambiente, como se implorassem para serem ouvidos. É hipocrisia minha tampar a visão. Estou vendo um filme sobre a ditadura e quero negar toda a crueldade daquele período? Era uma questão de honra engolir aquelas imagens. Têm um gosto amargo, mas descem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao terminar o filme, saí contente, apesar de tudo. Desconhecia a participação de frades dominicanos na luta contra a ditadura e me interessei mais sobre o tema. As imagens pesadas foram uma espécie de lição. E demonstram, também, um certo amadurecimento tardio da população brasileira. Parece que só agora, 21 anos depois, é que estamos preparados para ver os horrores que à época passavam camuflados nas vestes militares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, ainda na saída, um comentário alfinetou minha indignação. “Não tinha um filmezinho melhor, não ein?”, perguntou a moça da frente ao seu companheiro. Realmente, entre &lt;em&gt;Shrek&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;Piratas do Caribe&lt;/em&gt;, não havia muitas opções. Recomendei &lt;em&gt;Caparaó&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Imagem: divulgação do &lt;a href="http://www.batismodesangue.com.br/"&gt;site oficial &lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6486327806807057494-8721973749043203491?l=sobrejornal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrejornal.blogspot.com/feeds/8721973749043203491/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6486327806807057494&amp;postID=8721973749043203491&amp;isPopup=true' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6486327806807057494/posts/default/8721973749043203491'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6486327806807057494/posts/default/8721973749043203491'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrejornal.blogspot.com/2007/07/no-tinha-um-melhor-no.html' title='&quot;Não tinha um melhor, não?&quot;'/><author><name>Samir Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16946838284598605046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_ZxS2h3raZc4/RokrkkyJ6xI/AAAAAAAAAA0/jkPZzYCLJN8/s72-c/Batismo_03.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6486327806807057494.post-1772213185047171924</id><published>2007-06-25T05:56:00.000-07:00</published><updated>2008-11-13T18:10:43.193-08:00</updated><title type='text'>O ritual</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_ZxS2h3raZc4/Rn_HUhi6ebI/AAAAAAAAAAs/ca30vwpZ0FY/s1600-h/janela.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Existem pessoas que caem em nossa vida do nada. Podem&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_ZxS2h3raZc4/Rn_GIRi6eaI/AAAAAAAAAAk/u8V9q1pmOGY/s1600-h/janela.jpg"&gt;&lt;/a&gt;os classificá-las em vários grupos e subgrupos de acordo com a finalidade a qual vieram: amor, amizade, encheção de saco, QI, etc. Mas, ultimamente, uma pessoa tem me chamado a atenção. É dona Dalila - uma velhinha de quase 90 anos que mora no meu prédio. Não, não estou apaixonado! Acontece que a figura ancestral de dona Dalila me intriga e comove.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A senhora vive sozinha em seu apartamento. Seu único parente conhecido é um filho misterioso que está nos Estados Unidos e lhe manda uma mensalidade de duzentos dólares. Claro, dona Dalila pode contar ainda com a parca aposentadoria do governo (será que ela espera na fila do INSS?). Seus gastos são, basicamente, com remédios, comida e com a assinatura da revista Caras. Como se não bastasse a vida solitária que leva, dona Dalila nunca deixa sua caverna. Sofre de osteoporose e se locomove com extrema dificuldade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois bem, melodramas à parte, sua maior atividade consiste em esperar metodicamente a revista Caras. Uma vez por mês, ela deixa a penumbra de sua caverna e expõe-se à janela (afinal, é preciso respirar também). Quando chego da faculdade, lá está aquela figura estática, fitando o nada, com uma chave na mão. Não preciso nem perguntar. Diretamente do segundo andar, a chave dança nas mãos raquíticas da velha e entra em contato doloroso com meus dedos (por que diabos ela não embrulha a chave?!?). Abro a caixinha enferrujada do apartamento 204 e lá está a revista, com todas as informações necessárias à sobrevivência de dona Dalila. Rapidamente, ela joga sua sacolinha, onde devo por a revista e as chaves assassinas. Com eficiência inimaginável para uma senhora doente, ela puxa a sacola e, com um olhar sutil e vago, me agradece, encerrando seu ritual mensal de contato com o mundo dos vivos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É assim. Todo mês, dona Dalila está lá. Ela nunca esquece. Nunca se atrasa. Nunca deixa cair a sacolinha e nunca embrulha o molho de chaves.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6486327806807057494-1772213185047171924?l=sobrejornal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrejornal.blogspot.com/feeds/1772213185047171924/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6486327806807057494&amp;postID=1772213185047171924&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6486327806807057494/posts/default/1772213185047171924'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6486327806807057494/posts/default/1772213185047171924'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrejornal.blogspot.com/2007/06/o-ritual.html' title='O ritual'/><author><name>Samir Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16946838284598605046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6486327806807057494.post-3468605227446303959</id><published>2007-06-18T14:36:00.000-07:00</published><updated>2007-07-12T10:38:26.237-07:00</updated><title type='text'>Só para neuróticos</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Dia desses estava lendo um livro. Se chama “Suíte francesa” e conta a história do êxodo urbano que os franceses realizaram quando seu país foi invadido pela Alemanha nazista. O livro é ótimo. Muito bem escrito e realmente conseguiu me transportar para aquele ambiente de guerra, incerteza e medo em que vivia a população européia. Mas ainda estou lá. Sim, ainda estou em algum lugar entre Paris e o extremo sul da França. Não consegui terminar. Esse foi o último que comecei e não acabei. É o primeiro na fila dos “quando eu sair de férias”. Será?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há livros que realmente nunca concluímos. É cruel, mas é um fato. Marta Medeiros certa vez publicou uma crônica a respeito. Culpei-me por me identificar nela. Eu, que adoro ler, não terminar um livro? Pode parecer megalomania, mas não suporto ter uma obra na estante e saber que está pela metade, que, de certa forma, ainda estou lá. Cada vez que passo, ele me encara. Parece suplicar para que eu o abra e mergulhe de novo em seu universo. Parar é pior do que não ler. Sim, porque aí poderia dar a desculpa de que &lt;em&gt;ainda&lt;/em&gt; não li. Mas falar que &lt;em&gt;ainda&lt;/em&gt; não terminei, quando eu sei que talvez nunca termine, deixa um gosto ruim na boca. Algo como um chiclete que já perdeu o sabor, mas teima em ziguezaguear entre os dentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sempre haverá um mais importante. Aquele que foi publicado agora. Aquele que eu sempre quis ler e só agora tenho tempo. A realidade é pavorosa: eu nunca vou ler todos os livros da minha estante. Enquanto todos os já desvelados estão dentro de mim, eu estou dentro de cada um daqueles que ainda conservam o marcador em qualquer lugar entre a página 15 e a 150. Um dia eu me acho. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6486327806807057494-3468605227446303959?l=sobrejornal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrejornal.blogspot.com/feeds/3468605227446303959/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6486327806807057494&amp;postID=3468605227446303959&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6486327806807057494/posts/default/3468605227446303959'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6486327806807057494/posts/default/3468605227446303959'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrejornal.blogspot.com/2007/06/s-para-neurticos.html' title='Só para neuróticos'/><author><name>Samir Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16946838284598605046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6486327806807057494.post-868204613576242269</id><published>2007-06-15T04:58:00.000-07:00</published><updated>2007-06-18T14:02:25.890-07:00</updated><title type='text'>Vergonha</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;A Zero Hora não honrou o bom jornalismo na reportagem do dia 25/05 sobre a greve dos municipiários em Porto Alegre. No texto, fica claro o posicionamento do jornal contra os funcionários públicos. A premissa básica de ouvir todos os lados da notícia parece ter sido totalmente ignorada. O espaço dado às opiniões em favor da manifestação foi pífio! Enquanto a matéria que literalmente esculachava os grevistas ocupava cinco colunas de uma página (juntamente com uma foto e um box), a parte reservada à voz dos manifestantes era composta apenas por uma coluna no canto da página 5.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um jornal com a maturidade de Zero Hora não pode resvalar em desvios tão amadores de ética e técnica jornalísticas. Os erros já começam pelo título. “Protestos sem limite” (em vermelho) dá a idéia de que a população não toleraria mais protestos. Tudo bem que a matéria tenha sido feita em uma semana tumultuada na capital, com diversas manifestações sociais pelas ruas da cidade. Mas o título chega a ser opressivo. Passar à sociedade a idéia de que protestos só atrapalham e azucrinam a vida dos cidadãos é uma atitude que não condiz com a lei maior do jornal: a imparcialidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao rotular uma manifestação de insensível e mostrar os grevistas como seres ávidos somente por aumento salarial, o jornal desmerece seus leitores com uma visão extremamente (mal) direcionada dos fatos. O protesto foi feito em frente ao Hospital de Pronto Socorro (HPS), na avenida Osvaldo Aranha. Zero Hora atacou incessantemente os municipiários por fazerem manifestação em frente ao HPS, alegando que a mesma causou tumulto, barulho e congestionamento. Ainda foi dito que os grevistas reivindicavam apenas aumento salarial. A causa de o protesto ser em frente ao hospital não foi citada. A escolha do local foi tomada, pelo jornal, como pura opção dos grevistas em maltratar e prejudicar os pacientes internados. Não foi sequer mencionado que os municipiários almejavam melhores condições de trabalho no HPS. Esse erro foi fatal e digno de um pedido de desculpas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra colocação da reportagem chega a beirar a idiotice e a redundância. O texto questiona se são válidas manifestações que tumultuam o cotidiano da população. Ora, se as repórteres responsáveis pela matéria conhecem uma maneira melhor de conseguir atenção da população para uma causa sem que a mesma tenha que ser impactada, deveriam ter dito. Foi totalmente dispensável e de extremo mau gosto o comentário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém, merece elogio a colunista Rosane de Oliveira, que, no mesmo dia, dissertou a respeito do tema. Ela soube tratar com sensatez a manifestação. Condenou fortemente o movimento em frente ao hospital, mas, pelo menos, possuía argumentos pluralistas e coerentes. Falou da exigência por melhores condições de trabalho e tocou numa questão crucial: torcidas do Internacional e do Grêmio fazem igual ou maior alarde toda vez que seu time ganha um jogo. A barulheira, além de ser desprovida de qualquer ideal político ou social, perdura a noite inteira e também perturba os hospitais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É lamentável a atitude de Zero Hora nesse contexto. Avacalhar com um acontecimento sério é avacalhar com a opinião pública. As conseqüências de um protesto em frente a um hospital foram supervalorizadas em relação às motivações imbuídas na manifestação. Foi, com certeza, um desrespeito ao leitor e às próprias convicções do veículo. Ou o jornal assume que não é imparcial, ou tenta, ao menos, disfarçar melhor essa piada.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6486327806807057494-868204613576242269?l=sobrejornal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrejornal.blogspot.com/feeds/868204613576242269/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6486327806807057494&amp;postID=868204613576242269&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6486327806807057494/posts/default/868204613576242269'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6486327806807057494/posts/default/868204613576242269'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrejornal.blogspot.com/2007/06/vergonha.html' title='Vergonha'/><author><name>Samir Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16946838284598605046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6486327806807057494.post-7106022552810089525</id><published>2007-06-09T08:06:00.000-07:00</published><updated>2007-06-18T13:59:43.392-07:00</updated><title type='text'>Destruição verde</title><content type='html'>&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify" align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;A questão ambiental sempre foi de extrema importância. Ao longo dos séculos, com o progresso das técnicas, a humanidade assistiu a incontáveis revoluções científicas, culturais e comportamentais. Porém, é sabido que o avanço da civilização não se dá sem que haja algum retrocesso. Historicamente, sempre haverá um lado prejudicado ou descontente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify" align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Atualmente torna-se imprescindível a discussão dos aspectos ambientais. Em todo o planeta a biosfera dá sinais de esgotamento. Séculos de exploração dos recursos naturais – principalmente para alimentar a máquina capitalista – mostram agora seus resultados. É necessária uma articulação global, como tentou ser o Protocolo de Kyoto, para fazer com que os países tomem consciência de seu papel para a manutenção, ou a salvação, da vida na Terra.&lt;br /&gt;&lt;?xml:namespace prefix = o /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Por falar em papel, é pertinente levantar a discussão em torno das plantações de eucaliptos realizadas no Rio Grande do Sul. Com o intuito de extrair celulose (substância encontrada em grande quantidade nessas árvores) para fabricar papel, a monocultura de eucaliptos traz progresso e desenvolvimento imediatos à região sul do Estado, mas também destrói o solo, seca os rios e pode danificar permanentemente o bioma do pampa.&lt;br /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Gigantes do setor como a Aracruz Celulose e a finlandesa Stora Enso almejam expandir suas lavouras e, para isso, se valem de discursos apelativos ao capital. A expectativa de progresso em uma região pobre do Estado conquista população e governos que, ávidos por investimentos imediatistas, abrem os braços para receber as indústrias da morte. O que as empresas não contam é que o cultivo de eucaliptos, apesar de ser realizado há mais de trinta anos no Estado, não é prática nativa do Brasil. São árvores exóticas que, se cultivadas em larga escala, aumentam a acidez do solo e podem causar sérios problemas a sangas, rios ou lagos que estiverem próximos à plantação.&lt;br /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Uma reportagem de &lt;span style="color:black;"&gt;Marco Aurélio Weissheimer&lt;/span&gt; publicada pela Agência Carta Maior (&lt;span style="color:black;"&gt;6/12/2006) informa que, somente no Rio Grande do Sul, &lt;/span&gt;Aracruz, Votorantim e Stora Enso já compraram, juntas, mais de 200 mil hectares de terra, a maioria adquiridos de médios proprietários gaúchos. E as projeções são ainda mais alarmantes. Cerca de 3% do território gaúcho pode se tornar lavoura de eucalipto.&lt;br /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Urge aos governos amadurecer a consciência ambiental para que leis mais rígidas sejam criadas e cumpridas. A pobreza de uma região não deve ser usada como argumento legitimador de práticas danosas à vida global. A metade sul precisa sim de investimentos, mas ações impensadas que visam somente o lucro instantâneo não são a solução. O desenvolvimento de políticas de longo prazo é uma alternativa. Mas isso é tema para outro artigo...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6486327806807057494-7106022552810089525?l=sobrejornal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrejornal.blogspot.com/feeds/7106022552810089525/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6486327806807057494&amp;postID=7106022552810089525&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6486327806807057494/posts/default/7106022552810089525'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6486327806807057494/posts/default/7106022552810089525'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrejornal.blogspot.com/2007/06/destruio-verde.html' title='Destruição verde'/><author><name>Samir Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16946838284598605046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6486327806807057494.post-5659774381428965054</id><published>2007-05-10T10:50:00.000-07:00</published><updated>2007-06-18T14:00:58.172-07:00</updated><title type='text'>Uma geléia de destaque</title><content type='html'>&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Com apenas seis meses de existência, ela já está dando o que falar. Pioneira no Brasil, a revista Piauí superou as expectativas de circulação de seus próprios produtores. Uma publicação que se propõe a levar mais texto do que foto, mais forma do que fato e mais contexto do que superficialidade só poderia tomar dois rumos: ou fracassar vertiginosamente, ou ascender. Ao que tudo indica, mesmo em uma sociedade regida pelo espetáculo e pela ditadura das imagens, ainda há espaço para um entretenimento de qualidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Inspirada principalmente na revista New Yorker, a Piauí (fruto da obstinação do documentarista João Moreira Salles) é um produto totalmente inovador nas bancas brasileiras. À primeira vista, já chama a atenção pelo tamanho. Maior do que as demais publicações, a Piauí suporta mais textos e melhores inovações gráficas. Seu formato, porém, não é novo. Vem de antigas revistas como O Cruzeiro e Manchete.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A lista de peculiaridades não se restringe a aspectos físicos. Com a proposta de explorar mais os textos, esteticamente e em termos de conteúdo, a revista não segue os moldes reinantes nos grandes periódicos – jornalísticos ou de entretenimento. Sua organização, como lembra Moreira Salles em palestra à Faculdade de Comunicação Social da PUCRS, é totalmente anárquica. Não há editorias fixas nem colunistas. Não são feitas reuniões de pauta e tampouco os assuntos tratados possuem um critério concreto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, talvez, a maior ousadia da Piauí seja a de não chegar antes. A revista não almeja “furos” (divulgar em primeira mão um acontecimento) ou exclusividade de informação. Ela fornece, sim, a informação sobre determinado assunto em todos os seus aspectos, inclusive os mais estranhos. O contexto que norteia um fato é amplamente exposto, o que possibilita que o leitor analise bem o conteúdo. Isso se deve unicamente ao tempo de apuração de uma matéria. Enquanto a imprensa tradicional disponibiliza, quando muito, uma semana para a conclusão de uma reportagem, a Piauí dá a seus repórteres um mês ou dois para que eles façam seu trabalho. O tempo não é fixo. As reportagens levam o tempo que for necessário para que fiquem completas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma revista como essa, com tantas especificidades, não é barata de se produzir. Moreira Salles, idealizador do projeto, sentia falta desse tipo de publicação no Brasil. Ele afirma que a Piauí tem capital para sobreviver por dois anos, independente de sua aceitação nas bancas. Entretanto, tudo indica que há público para um projeto tão “na contramão” como a Piauí. As tiragens já alcançam a marca dos 30 mil exemplares mensais (10 mil apenas de assinantes). Ao que parece, vai dar certo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ludicamente, ele afirma que o objetivo principal da revista é retratar “essa grande bagunça que é o Brasil”. Misto de diversão, deboche, análise, cultura e informação, a Piauí é, nas palavras de seu criador, “uma geléia”. Com certeza, essa geléia merece lugar de destaque na mesa dos leitores.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6486327806807057494-5659774381428965054?l=sobrejornal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrejornal.blogspot.com/feeds/5659774381428965054/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6486327806807057494&amp;postID=5659774381428965054&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6486327806807057494/posts/default/5659774381428965054'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6486327806807057494/posts/default/5659774381428965054'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrejornal.blogspot.com/2007/05/uma-gelia-de-destaque.html' title='Uma geléia de destaque'/><author><name>Samir Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16946838284598605046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6486327806807057494.post-7216586679576175420</id><published>2007-04-30T10:02:00.000-07:00</published><updated>2007-06-18T14:01:26.021-07:00</updated><title type='text'>E o cinema encontra a arte.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Pintura em movimento? Literatura ou cinema? Essas são apenas algumas questões que ficam na cabeça do público ao assistir &lt;em&gt;Lavoura Arcaica&lt;/em&gt;, primeiro longa-metragem do diretor Luiz Fernando Carvalho. O filme é baseado na obra homônima de Raduan Nassar. Contudo, dizer que o filme se baseia na obra é relativizar a importância que o livro teve em sua produção. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Feito sem um roteiro rigoroso e utilizando as 196 páginas amareladas do livro como guia fiel, Lavoura Arcaica faz jus aos mais de vinte prêmios nacionais e estrangeiros que recebeu. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;O diretor apostou em uma estética simples, porém perturbadora - assim como a trama que se passa. A fotografia, sob o comando de Walter Carvalho, talvez possa ser considerada o maior mérito do filme. É arriscado afirmar isso em uma produção com tantos traços peculiares. Longas falas (todas transcritas do livro), momentos que parecem ser infinitos onde somente a bela trilha sonora do compositor Marco Antônio Guimarães aguça os ouvidos, atuações perturbadoras e um misto de sentimentalismo e delírio dão ao espectador a sensação de estar apreciando o melhor do expressionismo de Van Gogh. A luz em pleno contraste com a sombra, formando por vezes imagens desfocadas, atiça ainda mais a angústia que cresce com o desenrolar dos acontecimentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao inciar a jornada para se libertar das amarras de uma família patriarcal, o descendente de libaneses André (interpretado por Selton Mello), no auge de uma juventude quase adulta, é protagonista de uma série de eventos que vão sendo revelados ao suave olhar de uma câmera que nada mais é do que o olhar do próprio André. O filho rebelde então se isola na penumbra de seus pensamentos para tentar compreendê-los. Ao abandonar o ambiente familiar, André busca o autoconhecimento em todos os seus apectos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A trama ganha corpo quando o irmão mais velho penetra em seu mundo para persuadi-lo a voltar ao seio familiar. O irmão traz consigo todas as lembranças de uma infância inocente e de uma adolescência problemática, marcada pelo desejo proibido. André então remonta o quebra-cabeça de sua vida, oscilando entre a nostalgia pela e uma loucura sádica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O filme foi gravado inteiramente em uma fazenda, onde o elenco passou várias semanas aprendendo a lidar com a terra, fazer pão, ordenhar e dançar como legítimos descendentes árabes. Tudo isso é fruto da dedicação extrema de Luiz Fernando, que, curiosamente, pode ser percebido na voz que narra os acontecimentos na mente de André.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar de ser uma verdadeira aula de fotografia, &lt;em&gt;Lavoura Arcaica&lt;/em&gt; é demasiado extenso e nem sempre a beleza de suas imagens e o fervor dos seus diálogos são suficientes para manter a audiência cativa. Porém, não é exagero afirmar que constitui uma das mais belas produções do cinema brasileiro.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6486327806807057494-7216586679576175420?l=sobrejornal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrejornal.blogspot.com/feeds/7216586679576175420/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6486327806807057494&amp;postID=7216586679576175420&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6486327806807057494/posts/default/7216586679576175420'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6486327806807057494/posts/default/7216586679576175420'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrejornal.blogspot.com/2007/04/e-o-cinema-encontra-arte.html' title='E o cinema encontra a arte.'/><author><name>Samir Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16946838284598605046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6486327806807057494.post-2632101411435696266</id><published>2007-04-29T10:35:00.000-07:00</published><updated>2007-06-18T14:01:46.168-07:00</updated><title type='text'>Apresentação</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Esse blog é um espaço onde pretendo falar sobre o jornalismo na faculdade. Como estudante, criei o blog para expor meus trabalhos e também para abordar os mais diversos aspectos do jornalismo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6486327806807057494-2632101411435696266?l=sobrejornal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrejornal.blogspot.com/feeds/2632101411435696266/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6486327806807057494&amp;postID=2632101411435696266&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6486327806807057494/posts/default/2632101411435696266'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6486327806807057494/posts/default/2632101411435696266'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrejornal.blogspot.com/2007/04/apresentao.html' title='Apresentação'/><author><name>Samir Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16946838284598605046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
